Algar da Arroteia
Chão das Pias, Planalto de Santo António
05 e 08 de Outubro de 2017
Coordenação - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - 05 de Setembro - Alexandre Leal (NEL), António Fael (NEL), Pedro Galvão (NEL)
08 de Setembro - Alexandre Leal (NEL), Pedro Galvão (NEL), Hugo Costa (NEL).
No passado sábado dia 23 de Setembro o nível da água, já um pouco mais baixo face ao nível que o "Lago" tinha aquando da sua descoberta, mostrava-se ainda alto o suficiente para bloquear qualquer tipo de progressão ou visualização das zonas na sua sequência imediata. Nessa altura foi colocada a bomba (que só começou a funcionar na semana seguinte) no enfiamento do que se supunha ser a continuação passagem com pouco espaço acima do nível de água como se pode ver na fotografia à esquerda.
Para além da bomba estendia-se uma nova secção alagada por uma quantidade de água bastante considerável, e que nos mantinha em suspense quanto a forma e possibilidade de progressão.
Seria pois nesta zona mais profunda que teríamos que colocar a bomba, por forma a maximizar o seu rendimento entre saídas. Este reposicionamento exigia, no entanto, a extensão da tubagem existente através da colocação de um novo troço. Enquanto o Fael e o Pedro foram buscar o necessário tubo à zona da Pedra do Demo (uma secção do tubo utilizado para ajudar a drenar toda aquela passagem entre a Pedra e a Passagem da Concertina) continuei a análise deste novo espaço, em particular da zona superior junto à parede da direita que exibia uma diacláse de pedra polida pela circulação da água.
08 de Setembro - Alexandre Leal (NEL), Pedro Galvão (NEL), Hugo Costa (NEL).
Com a bomba estratégicamente colocada e em pleno funcionamento, e a trabalhar em contra-relógio contra a chegada de um inverno que por enquanto teima em dar-nos uma mãozinha, a estratégia gizada exigia um acompanhamento mais de perto e com um calendário mais apertado da evolução da descida do nível da água no sifão2.
Após vários contratempos o equipamento instalado na ponta de exploração começou, finalmente, a drenar a água para a represa da cascata, o que nos dá uma esperança acrescida de passar mais este obstáculo numa campanha que se tem mostrado exigente a todos os níveis. Não obstante esta janela de esperança a verdade é que se desconhece, em absoluto, a dimensão deste lance de água, ainda que a nosso favor jogue o facto de, aparentemente, não ter qualquer tipo de recarga.
No passado sábado dia 23 de Setembro o nível da água, já um pouco mais baixo face ao nível que o "Lago" tinha aquando da sua descoberta, mostrava-se ainda alto o suficiente para bloquear qualquer tipo de progressão ou visualização das zonas na sua sequência imediata. Nessa altura foi colocada a bomba (que só começou a funcionar na semana seguinte) no enfiamento do que se supunha ser a continuação passagem com pouco espaço acima do nível de água como se pode ver na fotografia à esquerda.
Menos de uma semana após a sua entrada em funcionamento, na passada quinta-feira, 05 de Outubro de 2017, a descida do nível de água era já significativa.
A bomba encontrava-se completamente a descoberto à excepção de uma pequena quantidade de água que cobria a sua base, o que colocou a descoberto a zona anteriormente filmada pela GoPro. O lago estava completamente "seco", com a água a dar lugar uma camada de lama particularmente chata, que teimava em agarrar os mais incautos.
Para além da bomba estendia-se uma nova secção alagada por uma quantidade de água bastante considerável, e que nos mantinha em suspense quanto a forma e possibilidade de progressão.
E rapidamente me apercebi que 3 ou 4 metros mais à frente a base deste novo espaço, completamente submergido, desaparecia subitamente debaixo dos meus pés. Com a água completamente turva a apreensão subia. Após uma análise inicial pedi ao Fael, que entretanto havia chegado, e mais à vontade que está nestes ambientes aquáticos, para testar o chão e ver se conseguia perceber qual a profundidade.
A resposta não se fez esperar... o limite parecia estar bem definido. Um passo em frente e ficávamos completamente sem pé. Estávamos pois na fronteira de uma súbita alteração de profundidade, que tanto poderia ser um pequeno ressalto de 2 ou 3 metros ou um verdadeiro poço de dimensões bastante mais relevantes.
Seria pois nesta zona mais profunda que teríamos que colocar a bomba, por forma a maximizar o seu rendimento entre saídas. Este reposicionamento exigia, no entanto, a extensão da tubagem existente através da colocação de um novo troço. Enquanto o Fael e o Pedro foram buscar o necessário tubo à zona da Pedra do Demo (uma secção do tubo utilizado para ajudar a drenar toda aquela passagem entre a Pedra e a Passagem da Concertina) continuei a análise deste novo espaço, em particular da zona superior junto à parede da direita que exibia uma diacláse de pedra polida pela circulação da água.
Com efeito esta zona encontrava-se situada a uma altura superior ao nível máximo do sifão, bem demarcado pela presença, diria mesmo omnipresença, das formações de lama a que todos já tivemos que nos habituar. Esta seria, pelo menos, mais uma via de canalização de águas (e lamas) para o sifão, engrossando o caudal de água.
Notável é também a presença de um número significativo de marmitas de tecto nesta secção da sala, testemunho silencioso da velocidade de circulação da água durante os períodos de carga.
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| Visão do tecto no limite da zona baixa, contígua à zona mais alta da sala (zona da diacláse). A marmita no centro da imagem é particularmente funda e de uma "linha" perfeita. |
Depois foi "voar" para a Concertina para ajudar no esforço de transporte da tubagem extra.
Enquanto ajustava a dimensão da tubagem às necessidades e limitação de espaço, e procedia à colocação da união e subsequente ligação à bomba, o Fael procedia à colocação do varão roscado, à falta de um ponto adequado de amarração natural, que serviria de ponto de fixação da bomba sensivelmente a meio da sala junto à parede da direita.
Em oposição e sobre a água do sifão, numa posição pouco confortável, especialmente tendo em conta a quantidade de lama presente neste espaço, recebeu então a bomba que lhe passei, já devidamente preparada para ser ligada.
Segurando o cordino na mão (na verdade dois ligados por um nó) foi lentamente submergindo a bomba até que a sentiu tocar na "base", cerca de 3m abaixo da superfície.
Uma profundidade que nos surpreendeu mas com a qual tínhamos que lidar. E estávamos plenamente confiantes que não era este facto que nos iria complicar a operação.
Se ao menos esta profundidade estimada com base no local preciso em que se colocou a bomba fosse a profundidade máxima desta secção do Sifão2, mas nada, à altura, nos faria pensar outra coisa...
... até que neste passado domingo, dia 08 de Outubro, o Sifão nos veio novamente surpreender.
A saída estava até preparada para sábado, dia 07, mas atendendo ao volume de água que encontrámos decidimos adiar para o referido domingo, dando assim mais um dia à bomba para tentar "abrir-nos o caminho".
A questão primordial é que esta operação encerra uma incógnita da maior relevância. Desconhecendo nós a extensão deste troço do sifão é de facto complicado prever o tempo necessário para efectivamente o drena, mesmo que seja apenas e tão só até ao limite possibilitado pela colocação em concreto da bomba em cada momento.
E se é verdade que de quinta-feira para domingo o nível dá água baixou de forma bastante significativa não é menos verdade que a bomba continuava ainda submersa, não obstante ser já visível a bóia, de uma cor verde vivo, uns 20cm abaixo da superfície.
Visível estava também o limite do ressalto além do qual a água se precipitava para as "profundezas.
Para dentro da água saltou o Hugo, um tipo bailhão, que se sente à vontade dentro de água, com o objectivo de fazer um novo reconhecimento do perímetro da zona ainda submergida e sobretudo da profundidade na zona da bomba e junto à parede do fundo e da esquerda.
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| Hugo Costa identifica pequeno buraco na parede do fundo. |
Confesso que tinha esperança que "buraco negro" não fosse mais fundo do que a indicação que nos havia sido dada pela bomba ao tocar no "chão" na saída anterior.
Mas uma vez mais a Arroteia teima em testar a nossa resiliência. Mesmo com o nível 170cm mais baixo desde o nível encontrado na saída anterior o Hugo relatava que não tinha pé à excepção do preciso ponto onde, por mero acaso, a bomba tinha sido colocada. E mesmo aqui era no limite.
Mais, tinha a clara sensação que a base caía para a esquerda, local onde a parede parecia afastar-se progressivamente debaixo de água. Seria, pois, neste direcção que o sifão continuaria, ao arrepio do que era a nossa expectativa.
Ao fundo identificou, bem junto à linha de água, um buraco de pequenas dimensões, que parece estar no enfiamento da fractura dominante da diacláse. Obviamente necessita de ser visto com atenção mas o enfoque voltou-se, de um momento para o outro, para a parede esquerda, o que determinou o reposicionamento da bomba para esse local.
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Por sorte o Hugo conseguiu encontrar um pequeno buraco nessa parede, bem perto da superfície da água, para servir como ponto de fixação da bomba, que lentamente foi baixando. E baixando até ao limite de extensão do cordino sem que, de forma clara e evidente, tenha chegado a tocar a base. A certo ponto deu-lhe a sensação de que a teria alcançado para de seguida continuar a resvalar pela água até que ficou suspensa pela amarração. Uma leitura possível, e aliás a tese com que estamos a trabalhar, é que estamos perante um poço que termina numa rampa acentuada ou então com vários ressaltos.
Certo, certo, é que neste momento não conseguimos determinar a profundidade do sifão neste ponto, e que no máximo, atendendo ao comprimento do cordino utilizado, a bomba poderá drenar cerca de 3m mais de água (em termos de profundidade) até à próxima saída, altura em que reavaliaremos a situação e se necessário reposicionar a bomba.
De salientar que foi levado para a frente de exploração a torna e 20 metros de corda, que lá deixámos antecipando a necessidade de equipagem da vertical que estamos para descobrir em toda a sua glória.
E se é verdade que a cavidade nos testa a cada saída não é menos verdade que a resposta que a equipa (leia-se todos quantos contribuem para fazer desta campanha o sucesso que está a ser) dá não é menos impressionante. A insofismável e indomável vontade de ir mais além, de nos superarmos física e mentalmente, de conquistarmos um algar que tem guardado, a sete chaves, os seus segredos ao longo de várias décadas de exploração, tem estado presente em toda e cada saída efectuada, sempre com um sorriso nos lábios e o "pai-de-todos" bem esticado de forma particularmente impertinente num claro desafio que queremos vencer.
Não tem sido fácil mas as sinergias criadas entre todos têm sido fundamentais, determinantes, para o sucesso da campanha. A boa disposição impera e isso faz toda a diferença.
Para dar o trabalho por terminado, e por uma questão de segurança, restava colocar uma manga retrátil no ponto de ligação entre o cabo da bomba e o cabo estendido até ao quadro eléctrico instalado no fundo da cascata, por forma a proteger do possível contacto com a água.
Depois, bem, depois restava-nos fazer o penoso caminho de volta (algo mais leves pelo material que deixámos junto ao sifão), tirar o neoprene, equipar os EPI´s e jumar até à superfície, onde fomos saudados por um sol estranhamente forte e "viçoso".
As expectativas são altas. Estamos confiantes que poderemos terminar a Campanha de 2017 com a descoberta de uma nova passagem, quiçá mesmo o limite do estranho nível suspenso que mantém o caudal de água bem acima da sua cota normal nesta região... O futuro próximo nos dirá.
Um grande abraço,
Alexandre Leal










