O regresso ao X4, encontrado na saída anterior, não se fez esperar. Apesar de um amanhecer cinzento a Serra cedo clareou e o sol vingou-se da afronta matinal fazendo-se sentir com força.
A subida pela cumeada, passando pelos 4 moinhos e seguindo o trilho, foi relativamente rápida. A distância também não era grande, diga-se em abono da verdade. Mas a temperatura que já se fazia sentir, e o facto de ter mantido o meu set-up habitual em termos de roupa, cedo começaram a causar problemas.
A equipagem, na realidade, nem era necessária para a descida do pequeno poço. Na verdade fazia-se facilmente em oposição. O único senão era mesmo, do ângulo que tinha à boca, a base do poço que se apresentava em rampa com uma inclinação relevante e constituída por terra solta. Não sabendo o que poderia estar na base da rampa nem a sua estabilidade preferi apostar na colocação de um spit e a aplicação de uma amarração natural num bloco a cerca de 5 ou 6 metros de distância. Por esta altura já o sol batia tão forte quanto o Magnús Ver Magnússon (googlem o nome se não conhecerem) e a meio da colocação, que pareceu ter demorado uma eternidade, já tinha feito meio strip para benefício da fauna local. Escorria água a um ritmo tão elevado que temia que se abrisse um algar por debaixo dos meus pés... Entre a desidratação, uma bolha num polegar e o tentar baixar a temperatura do meu Iphone, que pela primeira vez se recusou a trabalhar por estar com a temperatura demasiado elevada, foi um alívio quando finalmente desci.
Não que tivesse muito para descer, ou, depois, muito para andar, afinal de contas haveriam pedras para retirar, um caminho para desobstruir. Sempre um caminho para desobstruir. Juro que se encontrar uma cavidade "limpa" do principio ao fim mando enterra-la para a desobstruir a seguir...
A desobstrução em si foi muito rápida. Apenas o bloco de maiores dimensões teve que ser empurrado para baixo, para um pequeno nicho à direita na base, que não parecia obstaculizar a passagem. Ao fundo um bloco na horizontal cortava o espaço a meio. O espaço, esse, era limitado, e no fundo de uma rampa com -30º de inclinação e alguma instabilidade (sobretudo pequenas pedras a resvalar) a possibilidade de trabalho era reduzida. Descendo com os pés para baixo não permitia perceber ou visualizar nem o espaço acima do bloco, e muito menos o espaço por baixo deste. A solução teria que passar por ir de cabeça para baixo, não obstante as dificuldades que tal manobra colocaria.
Esta abordagem permitiu primeiro verificar o espaço inferior, que não aparentava qualquer saída à excepção de uma muito pequena fractura na parede por onde as águas certamente se escoam. Por cima do bloco uma apertada passagem, num ângulo de cerca de 90º à esquerda, dava para uma pequena sala. A dimensão e o apertado ângulo de ataque à passagem mostrou-se tão restrito que apenas tive possibilidade de tirar o capacete e com um braço colocá-lo do outro lado para filmar a pequena sala, na esperança de perceber se haveria alguma passagem ou forma de progressão. No que a este ponto diz respeito tenho que assinalar uma falha, uma vez que não ficou captado a base da sala, pelo que permanece um ponto de interrogação. Não que na realidade espere surpresas, até porque não se fazia sentir qualquer sopro ou passagem de ar, nem o posicionamento do algar na cumeada da elevação, numa altitude perto do valor mais elevado transmitam permita perspectivar algo mais, mas nestas coisas temos que ser o mais exaustivos possíveis. Ficará para uma outra oportunidade certamente.
Houve ainda tempo para fazer o levantamento dos dados topográficos (dos quais resultou já um croqui provisório) antes de aproveitarmos para "bater" a encosta superior este entre o ponto do algar e o regresso aos carros. Mesmo com o sol lá no alto lá vasculhamos o sector, mas sem qualquer resultado. Por breves instantes a esperança ainda renasceu quando vislumbrei uma depressão no meio de um mar de vegetação verde. Durou 5 minutos até se desfazer, o tempo que demorei a negociar o terreno e a vegetação até ao seu perímetro. Uma pequena cova que por alguma razão não aparente não continha vegetação alguma para além de uma pequena e ressequida planta.
E foi assim até à estrada. A subir e descer pedras, inspecionar recantos e navegar por vegetação... No horizonte próximo uma bifana no Bigodes e mais uma desgraça da Seleção para ver em casa.
Um abraço,
Alexandre Leal
segunda-feira, 20 de junho de 2016
Prospecção
Cabeço a Este da Rua Principal
entre Portela do Vale de Espinho e Serro Ventoso
Serra dos Candeeiros
18 de Junho de 2016
Equipa: Alexandre Leal
O dia nasceu quente, bem mais quente e seco do que antecipava. O programa traçado consistia numa primeira abordagem ao cabeço a Este da zona da Rua Principal, a Este da Cabeça Gorda, que tem vindo a ser o alvo da minha intervenção. Com os músculos das costas e braços presos por arames aproveitei para dar testar as pernas e a condição física em geral e percorrer a cumeada deste cabeço em busca de "buracos", ou, pelo menos, indícios ou pistas.
Não é uma zona fácil mas sobretudo mostrou-se evidente não só o erro na minha abordagem à prospecção em locais com estas características como a dificuldade acrescida que estas encerram na localização de algares. Com efeito centrei o foco das minhas atenções nos afloramentos e penedos rochosos da encosta superior, perto da cumeada, tanto nos de maior dimensão como os pequenos aglomerados de blocos e pedras. Não foi, manifestamente, um exame exaustivo atento à dimensão da área e ao facto de estar a trabalhar a solo, até porque grandes áreas encontravam-se cobertas por vegetação, que apesar de ser na sua maioria de baixa estatura era, as mais das vezes, bastante densa.
E este é de facto o grande problema. Se é verdade que aberturas de grande dimensão são relativamente fáceis de identificar no meio da vegetação com aquelas características, nem que seja pelo vazio que criam num mar verde, pequenas aberturas passam completamente despercebidas por baixo da flora. À excepção de uma pequena lapa que descobri não consegui identificar outros pontos de interesse, por mais pequenos que fossem, junto ou entre blocos ou afloramentos. Ao invés, o único algar que consegui identificar, um misto de atenção ao detalhe e sorte de principiante, apresentava-se escondido no meio da vegetação, a cerca de 1,5m de um pequeno trilho que segui, a espaços, ao longo do cume. Da ponderação deste facto resulta a necessidade de uma maior atenção a estes espaços cobertos por vegetação, em particular na busca de pequenas bocas que possam, facilmente, passar despercebidas a um olhar mas desatento, ou, como no meu caso, focado noutros elementos da paisagem serrana.
Focando-nos agora no consegui efectivamente encontrar temos em primeiro lugar o único algar identificado. Situado numa cota bastante alta, a cerca dos 585 metros de altitude, apresentava-se refundido no meio da vegetação. Uma pequena abertura, com cerca de 90 cm na sua dimensão maior, com uma profundidade vertical de 2,70m medida para uma base em rampa. A luz do sol e as sombras por esse efeito criadas, bem como a pequena dimensão da abertura dificultavam a percepção do espaço vazio. A base, como referido, era claramente em rampa, apresentando um volume de terra e matéria orgânica que fora caindo pela abertura. Do que era visível e passível de ser medido pelo DistoX a profundidade máxima verificada mais abaixo na rampa situava-se nos cerca de 3,5m, não se visualizando qualquer parede nesse sentido.
Este pequeno algar será objecto de exploração ainda esta semana.
Cerca de 520m mais à frente, na base, este sim, de um afloramento rochoso, uma reentrância um pouco mais "afundada" e escura, e que apresentava uma vegetação cerrada que denotava uma forma com contornos interessantes chamou-me a atenção. Contornando por uma das laterais facilmente me apercebi que a área mais escura escondia o acesso a uma cavidade na parede rochosa. O caminho não foi fácil (até porque ia de t-shirt) mas com a ajuda de um pequeno bastão que adoptei logo nos primeiros metros de caminhada lá consegui abrir caminho entre vegetação, embora as silvas, algumas de dimensão "titânica", não cedência a passagem sem luta. A cavidade, uma pequena lapa de dimensão não superior a 2,5m2, e que não apresentava sinais visíveis de utilização por qualquer animal para além dos "omnipresentes" troglófilos que habitam a zona de penumbra (pequenos artrópodes e insectos), não apresentava qualquer possibilidade de progressão viável, não obstante ter, duas pequenas passagens, perpendiculares à entrada, com não mais de 1,5m de comprimento.
Entrada já desobstruída de vegetação
Vista mais afastada, e após caminho aberto pela vegetação
Esta foi a segunda, e última, cavidade encontrada, à excepção de um pequeno nicho mais à frente, mas sem qualquer relevância atento à sua muito pequena dimensão. Deste ponto em diante só deu mesmo para apreciar as maravilhosas vistas da serra e puxar pelo "cabedal" de mala às costas. Mas também por isso valeu a pena mais este dia no campo.
Vista para Oeste, sobre a localidade de Vale da Portela.
Panorâmica sobre o Vale da Portela.
Em pausa para o almoço com uma vista deslumbrante.
Para Este, uma monstruosa pedreira vai devorando a serra.
Exemplar juvenil de Hemorrhois (Couber) hippocrepis?
Foto mais aproximada.
Vista para Oeste, já perto da descida para o Serro Ventoso
Foto retirada ao interior do nicho descoberto na base do um penedo.
Foram 9,7km de caminhada sobre um sol forte, o que aliás motivou um valente escaldão nos braços e pescoço (não estava devidamente protegido por protector solar), com um desnível acumulado de quase 1000m, e que, para além dos dois pontos identificados, contribuiu para que, lentamente, passo a passo, vá compreendendo um pouco melhor esta serra.
Um abraço,
Alexandre Leal
quinta-feira, 16 de junho de 2016
Exploração Gruta da Pedreira 1
Cabeça Gorda, Serra dos Candeeiros, Alqueidão
15 de Junho de 2016
Equipa - Alexandre Leal, Rodrigo Leal
A Serra amanheceu cinzenta e fria, uma neblina cobria a vegetação ao longe e o vento fazia sentir a sua presença. Não que isso nos desanimasse, afinal de contas dentro da gruta estaria certamente melhor do que cá fora.
O primeiro objectivo era continuar a desobstrução do poço situado no fundo da rampa de entrada. Conseguiu-se, com algum esforço reposicionar os blocos de maior dimensão (o maior dos quais precisa de ser estabilizado) e retirar outros de menor dimensão. O local de maior interesse encontra-se ainda obstruído por um bloco que necessita ser retirado (foi já em certa medida delapidado mas tem ainda uma dimensão que não permite, atento ao espaço de manobra, ser retirado pela força dos braços) através da utilização de fitas. Quando finalmente fôr retirado permitirá atacar o resto do "entulho" que aí se foi depositando e perceber se existe alguma forma de progressão ou se, por outro lado, termina mesmo aí.
Antes de passar para a fase seguinte dos trabalhos houve ainda oportunidade de tirar umas fotos das pequenas e sensíveis formações que encontramos ao longo de toda a cavidade.
E como desobstruir um poço não é suficiente lá fomos nós tentar abrir caminho numa pequena conduta apertada e ver o que dava. Confesso que, atento às características da conduta, tinha bastantes esperanças em vir a revelar, por qualquer forma, uma via de progressão.
Como vimos na saída anterior esta conduta, situada na base de um pequeno poço (P2) a que se acede via passagem desobstruída a partir do poço anterior, apresentam-se completamente limpa e polida pela passagem de água. Os trabalhos de desobstrução começaram nessa saída e hoje pretendia-se alargar a passagem o suficiente para permitir a sua descida e análise da "base".
O espaço e margem de manobra não facilitavam, de todo, os trabalhos, mas, com calma e a ajuda das fiéis ferramentas (Big and Little Mike e o Mauler), lá fomos "moendo" a pedra. A pequena ponte que ligava os dois lados da conduta foi reduzida, e vários pontos foram retirados. O suficiente para permitir ao Diguinho, devidamente seguro por corda, descer até à base. Não foi uma tarefa fácil para ele, que se debatia com os seus medos (alturas é com ele mas espaços apertados....), mas com força de vontade e calma foi muito bem sucedido. As notícias, no entanto, não foram as melhores. Em toda a sua volta conseguia tocar com os pés na parede, em rocha sólida (a dimensão da conduta não lhe permitia fazer muito mais). Para confirmar foi colocada a GoPro na ponta de um cordino a que se acrescentou um frontal (demorou um certo tempo a conseguir um setup minimamente aceitável) e feita uma pequena filmagem. Posteriormente foi descida novamente mas desta vez com ligação e visualização em tempo real para o Iphone para confirmar a gravação feita, que num dos pontos levantava uma pequena dúvida, e nada. Nada de fracturas ou passagens horizontais.
É preciso ponderar os próximos passos, e a possibilidade de conseguir desobstruir a base, por forma a perceber se por baixo da terra existe rocha sólida ou alguma forma de progredir. O que não se afigura fácil. Existe sempre a possibilidade de deixar a natureza seguir o seu curso e as águas do próximo inverno limparem a conduta. O caminho está aberto.
Antes de saírmos houve ainda tempo para verificar uns pontos controvertidos e tirar umas fotos à zona mais baixa, ao designado "Corredor Cego".
Vista da base do P2, em sentido contrário ao da conduta.
Já à superfície, e com o objectivo de fixar um retrato mais compreensivo e sistemático da cavidade, aproveitei para tirar umas fotos ao que seria a entrada original para o então Algar, agora bloqueadas por grandes blocos, por acção directa do homem, aquando da exploração da pedreira. Pelo que consegue perceber tanto do exterior, mas sobretudo do interior, esta abertura era relativamente grande.
No final houve ainda tempo para uma breve análise à entrada para a Gruta da Pedreira 2, identificada e marcada na saída anterior, "descoberta" aquando da exploração do local como pedreira, e como no caso anterior também ela bloqueada por grandes blocos.
Pelo que conseguir perceber, e pelo que era visível entre os blocos que obstruíam a sua entrada, o espaço vazio era pequeno, sem grande progressão, tanto no sentido que se pode ver a foto supra, como no sentido contrário. Não se pode, no entanto, concluir de forma absoluta pela impossibilidade de progressão uma vez que os blocos bloqueiam grande parte da passagem, nomeadamente no seu centro.
E foi assim que concluímos mais uma saída pela Serra dos Candeeiros, com o Diguinho sempre ao mais alto nível.
Um abraço,
Alexandre Leal
domingo, 5 de junho de 2016
Exploração Gruta da Pedreira 1
Cabeça Gorda, Serra dos Candeeiros, Alqueidão
04 de Junho de 2016
Equipa - Alexandre Leal, José Leal
Com o sucesso na acção de prospecção da semana anterior ainda bem presente o Clã Leal (faltou o Rodrigo, que estava planeado acompanhar os trabalhos mas teve que faltar devido à convocatória para Torneio à última da hora)voltou à "Cabeça Gorda" para iniciar os trabalhos de exploração da Gruta da Pedreira 1 (1 porque foi, entretanto, descoberta uma segunda cavidade numa outra pedreira nas imediações), após a análise preliminar feita logo no momento da descoberta.
Equipados e com os Kit-bags guardados no interior da Gruta, o primeiro objectivo do dia era a exploração do troço secundário, que fora apenas identificado no saída anterior mas não efectivamente visto.
Primeira fenda. Ultrapassada.
Apresenta, efectivamente, um desenvolvimento muito menor que o troço principal. Na base da pequena rampa, que tem inicio por debaixo da entrada, em sentido oposto ao troço principal, encontra-se um pequeno obstáculo que facilmente se trepa para dar acesso a um pequeno poço, com uma profundidade que o colocará, aproximadamente, ao mesmo nível da passagem anterior. Na base encontramos uma pequena fenda que dá acesso a uma pequeno nicho, cerca de 1,5m abaixo, onde encontramos uma segunda fenda, esta mais pequena, que por sua vez dá a um segundo nicho. O ângulo não era o mais favorável mas a sensação clara é a de que não haverá forma de progressão, apenas muito pequenas fracturas e fissuras por onde a água escoará. Esta segunda abertura não foi, no entanto, ultrapassada. Exigiria um pequeno alargamento que iria afectar drasticamente as formações presentes no seu perímetro, o que, perante a avaliação efectuada, não se justificava à altura.
Segunda fenda.
Com este troço visto centrámos os nossos esforços no troço principal. Ainda antes de nos focarmos na base do pequeno poço existente no final da rampa de entrada, faltava ver o pequeno nicho no topo da rampa que ascendia no outro lado do poço, que se revelou um beco sem saída, apesar da presença de várias pequenas fracturas na parede. Esta zona apresentava, uma vez que se situa por baixo de uma das aberturas no topo da cavidade (a cavidade aparenta ter sido uma algar, com as aberturas verticais superiores posteriormente obstruídas com um volume grande de blocos, que contudo permite ainda a entrada de alguma luz e sobretudo água, tendo as aberturas agora utilizadas no seu ingresso sido "criadas" pela exploração da pedreira, que as tornou como que portas para o exterior) um maior índice de humidade nas paredes, com a presença de um pequeno "gour" ainda com água, e uma presença ainda maior de formações hipogenéticas, povoando outras concreções de maior dimensão.
Pequeno fractura no términus do primeiro nível, por trás da uma formação, bem no fim do nicho.
Com este último ponto visto virámos as atenções para a base do pequeno poço, profusamente entulhado com blocos de variada dimensão, que terão caído tanto pela rampa como pelas várias entradas superiores aquando da sua obstrução. Era no entanto visível, em vários pontos no seu perímetro, que a base (abaixo do "entulho") parecia alargar sensivelmente. Após a remoção de alguns blocos foi também possível vislumbrar a possível existência de uma pequena passagem vertical/rampa junto à parede, aproximadamente do lado oposto à entrada. Os blocos que a obstruíam, no entanto, eram os de maior dimensão, Enquanto ponderava a abordagem adequada à resolução do problema o Leal (como é conhecido o meu Pai) chamou-me a atenção para um morcego que tinha saído de algures nas minhas costas.
Com efeito já tinha identificado uma pequena abertura na parede do poço, mesmo por baixo da rampa de acesso, mas com este novo "incentivo" peguei no Little Mike e no Mauler e tratei de desobstruir a passagem o suficiente para conseguir aceder a área visível no outro lado. Em menos de 5 minutos estava a tirar o capacete e "espremer-me" para aceder à pequena galeria, com o cuidado necessário para não escorregar pelo poço que se apresentava logo em frente à abertura. Desta pequena galeria, e para além do P2 (cerca de 2,5m), era visível uma passagem estreita (terminaria cerca de 4 metros mais à frente, embora tenha que fazer uma segunda avaliação, para despistar uma hipótese) e na parede oposta à entrada uma pequena passagem que não permitia a sua utilização como forma de progressão.
Restava o pequeno poço que foi descido em oposição, e que deu acesso a uma área que apresentava uma pequena conduta vertical numa das pontas, bem "polida e limpa" pela passagem de água, ainda que parcialmente obstruída com uns pequenos blocos, e, do lado oposto, o acesso, em rampa descendente, a uma galeria com cerca de 10m de comprimento, de dimensão muito interessante, e coberta das formações hipogenéticas omnipresentes nesta cavidade.
Atento à sensibilidade destas formações a progressão foi levada a cabo com o cuidado necessário por forma a reduzir ao mínimo o impacto da passagem. A galeria haveria de terminar de forma brusca, sem possibilidade de progressão, sendo visível apenas umas pequenas fissuras na parede que não aparentavam ter grande desenvolvimento vertical. Foram detectadas outras pequenas aberturas ao longo da galeria ao nível do chão, por onde as águas se escoam, mas nada de dimensões que permita levantar a hipótese de progressão.
Algo frustrante atento às expectativas que uma galeria daquelas dimensões criou.
"Restava" a pequena conduta vertical, e umas outras fracturas contíguas. Estas últimas não me ofereceram grande interesse, ao contrário da conduta, que claramente evidenciava a passage de um volume considerável de água. A sua dimensão, no entanto, não possibilita a sua passagem, necessitando de ser, de alguma forma, alargada. Em primeiro lugar foram retirados/ enviados para baixo os blocos que parcialmente a obstruíam, o que permitiu verificar que a sua "base" se encontra não mais que dois metros abaixo. O ponto mais fraco afigurava-se um dos lados, cuja base ao meu nível era constituído à superfície por terra e pequenas pedras. Com uma limpeza rápida, e a utilização do Big Mike, deu para perceber que na realidade conduta era algo mais alargada, estando "dividida" a meio por uma pequena ponte de rocha. No final do vídeo pode-se claramente esta "ponte"exposta e já intervencionada e reduzida. Creio que na próxima saída conseguirei alargar a entrada o suficiente para se conseguir, pelo menos, baixar o capacete com a GoPro e verificar a possibilidade de progressão. Esta desobstrução resultou no envio de terras e pedras para baixo, o que, de alguma forma, pode ter contribuído para obstruir uma eventual passagem. A verdade é que foi sentido, no início dos trabalhos, um ligeiro sopro, que, a determinada altura, desapareceu.
Os trabalhos na Pedreira 1 chegavam assim ao fim, mas antes do regresso tinha em mente verificar o ponto X2, identificado na saída anterior. Com os kit-bags às costas lá nos colocámos a caminho, e em boa hora o fizemos. Pelo meio identificámos a entrada para mais uma cavidade numa outra pedreira, das muitas existentes na zona. Esta fora, no entanto, completamente tapada com grandes blocos, presumivelmente por quem estaria a explorar o local. Diga-se, em abono da verdade, que a análise foi muito circunstancial e leve, limitando-me basicamente a marcar o ponto no GPS, para futura exploração.
O ponto X2 veio a revelar-se uma grande incógnita. Visível da pequena entrada era uma rampa, que desceria não mais que 3metros, menos talvez. O ingresso era apertado, mas nada que não se fizesse sem grandes problemas (não obstante o grande espanto do "Leal", que apostaria que ninguém caberia num buraco de tão reduzida dimensão). A progressão ia fazendo com que se fossem soltando pequenas pedras, que rolavam rampa abaixo. No início sem grandes surpresa. Já quase perto da "base" primeiro uma pequena pedra, depois um bloco ligeiramente maior, soltaram-se devido à pressão exercida pelo meu peito ao descer. Aliviei um pouco o peso e deixei-os rolar também.... o problema é que caíram bem mais do que as restantes, bem mais do que aparentava ser possível, até porque eu, ao "escorregar" um pouco mais, estava a tocar já na base.
Devo dizer que fiquei um pouco atónito e algo apreensivo, pelo que decidi subir imediatamente e re-avaliar a situação. A verdade é que visto de cima o panorama era o mesmo. Visível era a "base", agora com mais pedras, e nada mais. Atirei pedras de variada dimensão e nada de extraordinário. Todas ficam retidas na "base". Como possibilidades mais plausíveis vejo apenas duas hipóteses. A) Antes da "base", e no final da rampa, fora do ângulo visível, uma pequena abertura com acesso a uma vertical; B) no seguimento da "base" fora do ângulo" a existência de uma passagem vertical.
O som, esse, era inequívoco. As duas pedras percorreram uma distância, em queda vertical, certamente superior a 5 ou 6 metros, embora confesse não conseguir ser muito exacto pois fora apanhado totalmente de surpresa.
A exploração exige assim uma abordagem que requer a utilização de corda e equipamento de segurança para verticais, o que não será fácil atento às dimensões da passagem.
De regresso, mas ainda nas imediações do X2, foi detectado um outro ponto, designado X3. Uma pequena abertura entre rochas, através da qual era visível um poço com uma profundidade aproximada de 4 metros, não sendo possível no entanto ter noção da sua dimensão em termos de perímetro ou a existência de passagens laterais junto à base.
Como referido na anterior saída. Lentamente, paulatinamente, com dedicação, os mistérios da Serra dos Candeeiros vão sendo desvendados...