terça-feira, 21 de março de 2017

Algar da Laje 

Patelo , São Bento

18 de Março de 2017





Coordenação - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Filipe Santos


A grande laje "suspensa" que dá nome à cavidade.


Uma semana depois e lá estávamos nós de novo ao ataque. A curiosidade, o desejo de explorar a cavidade descoberta, era forte e não permitia veleidades... tínhamos que perceber os exactos contornos das vias de desenvolvimento que havíamos identificado na semana anterior. 

A expectativa era grande, embora bem no fundo temesse que iríamos andar "em círculo", e qualquer via de progressão para baixo obstruída, tapada por uma espessa camada de rocha caída. Certo, certo, que sem lá voltarmos os segredos ficariam por desvendar, e essa era uma premissa inaceitável.

Já no interior, e atento às características e as possibilidades que o sector do poço 2 apresentava, a opção para descer ao nível inferior recaiu exactamente por esta zona. Utilizando a corda que vinha de cima, utilizando uma proteção nos pontos mais críticos, desci até à plataforma  constituída por blocos caídos entalados na parede da estreita passagem que liga o poço propriamente dito e o pequeno nicho  situado por baixo da sala superior.  E foi para este pequeno espaço que equipei a descida, com a colocação de um fracionamento que exigiu um esforço redobrado na "limpeza" e saneamento da zona onde ia ser colocado o spit, atento à extensão da camada de calcite. 

Na base tínhamos uma primeira visão da passagem (Via Partida) que havíamos identificado e filmado na saída anterior. 

A base apresentava-se fracturada, e indiciando um espaço ou uma passagem inferior, coberta a espaços com blocos e cascalho de dimensão variada.

As paredes apresentavam-se repletas de formações epigenéticas,
testamentos de uma era anterior, bem diferente da fase fóssil que a cavidade atingiu, na extensão que nos foi possível explorar.

Percorrendo a passagem rapidamente se confirmou o que "temia". Cerca de 6 ou 7 metros à frente, após uma curva à direita, lá me deparei com uma abertura superior que dava acesso à base do Poço 1.

Os indícios assim o apontavam mas não deixa de ser uma "configuração" algo estranha, compreensível, no entanto, atendendo à forma como as várias fracturas se acumulam num espaço algo limitado. 

A passagem terminava cerca de um metro mais à frente, afunilando ligeiramente em sentido descendente. Na base terra bloqueava qualquer forma de progressão.

Em sentido contrário dirigimo-nos para a base do Poço 2, que se encontrava coberto por blocos caídos, e que posteriormente verificámos obstruírem inclusive um acesso a uma passagem inferior pelo lado de entrada.




Ao fundo confirmámos a existência de uma abertura na zona em que as paredes estreitavam, uma pequena vertical destrepada em oposição, numa zona em que a rocha assumia uma tonalidade alaranjada, motivada certamente por camadas de lama seca. 





A passagem inferior a que se acedeu, contudo, não oferecia qualquer via de progressão, terminando cerca de 3 metros mais à frente numa "derrocada" de blocos que obstruía qualquer possível ou potencial continuação. Creio aliás que a única via obstruída era em sentido ascendente, de volta à base do poço. 

Foi efectuado um pequeno esforço de desobstrução de uma zona perto de uma das paredes laterais, por forma a perceber a extensão da camada obstrutora e a natureza da camada inferior, constituída por uma pequena "capa" de argila seguida de rocha aparentemente sólida. Não se pode afastar a existência de uma qualquer passagem subterrada mas qualquer trabalho de desobstrução mais sistemático afigura-se um pouco extemporâneo atento à falta de indícios relevantes. 


Aliás, tal foi a conclusão a que chegámos num esforço (muito afincado) desenvolvido pelo Filipe na zona do nicho onde descemos vindos da sala inicial, enquanto eu arregaçava as mangas no "meandro" (a passagem inferior que espelhava a "Via Partida"), atacando um rolhão de argila que identifiquei junto à obstrução que bloqueava a progressão no sentido do Poço 2.

De referir que foi necessário proceder a uma intervenção preliminar de alargamento de um dos espaços fracturados, assinalado na fotografia à direita. Para o efeito utilizamos inclusive alguns blocos de maior dimensão que nos auxiliaram de forma particularmente eficaz, apesar de ainda assim ter sido necessário tirar o arnês por forma a facilitar a passagem para o interior.

Também esta pequena passagem não permitia qualquer tipo de progressão. Na direcção do Poço 1 terminava cerca de 2 ou 3 metros mais à frente. Em sentido contrário, como referi acima, encontrava-se obstruída por blocos caídos. E foi ao analisar esta zona, retirando as pedras num local em que a camada acumulada era mais superficial, que me apercebi da existência de um rolhão de argila que  potencialmente poderá estar a bloquear uma passagem vertical para um nível inferior, ainda que de dimensão bastante estreita.

Com a ajuda inestimável do "Big Mike" comecei a testar o rolhão e retirar argila com o objectivo de tentar determinar a dimensão potencial desta camada acumulada de argila. O Big Mike afundava-se na sua totalidade, facto que continuava a verificar-se independentemente dos esforços desenvolvidos na abertura de um pequeno buraco na argila. A cerca de 60cm de profundidade (e muito esforço e paciência atendendo às características do espaço de trabalho) a argila mostrava-se cada vez menos compacta mas o "Big Mike" continuava a enterrar-se sem indícios de encontrar vazio do outro lado ou, ao invés, o choque contra rocha sólida.  




Qualquer esforço continuado e sistemático de desobstrução do rolhão de argila
terá que passar, necessariamente,  pela "ablação" dos pontos de rocha que
afunilam e impedem a continuação dos trabalhos.  


Restava, por fim, analisarmos o Poço 1, para tal acedendo à sua base pela abertura superior encontrada no fim da "Via Partida" tal como referido anteriormente. 

Deste ponto de vista, olhando para cima, o poço ganha uma nova dimensão, parecendo extender-se até muito perto da superfície. Creio aliás que num determinado ponto apenas uma laje o separa da superfície.

Uma análise da perímetro da base não revelou qualquer abertura de sentido descendente, tendo sido, no entanto, encontrada uma passagem na parede do poço exactamente por  cima da abertura utilizada para aceder a esta zona. 

A passagem em causa desenvolve-se em sentido sensivelmente ascendente, terminando cerca de 4 metros mais à frente. Na parede terminal, perto do seu limite superior, encontrámos uma apertada passagem que não foi possível ultrapassar. Exigiria um trabalho de desobstrução e alargamento que não se mostrava exequível no momento, sobretudo sem se avaliar da sua relevância. Do outro lado era visível uma pequena área, mas o ângulo e a dimensão da abertura não permitia grandes leituras. 

A abertura permitiu, no entanto, introduzir o capacete e assim obter imagens do seu interior, que vieram a revelar uma possível passagem e via de progressão, não obstante aparentar ser de dimensão bastante diminuta. Uma realidade a confirmar numa saída futura. 



Estavam assim esgotadas todas as opções viáveis de progressão. A verdade é que a enorme quantidade de depósitos detríticos (blocos e cascalho) que se foram acumulando resultante de processos complexos de desmoronamento e abatimento  constituem um sério impedimento à descoberta de "novas" vias de progressão. Não se podem descartar mas resulta serem improváveis. 


Restava-nos dar por terminado o dia e regressar à superfície, para descontrair  e hidratar no "Cantinho", enquanto analisávamos os trabalhos.

Para a semana há mais. Há sempre mais...

Um grande abraço,
Alexandre  Leal





quarta-feira, 15 de março de 2017

Algar da Laje e Algar do Patelo

Patelo , São Bento

12 de Março de 2017





Coordenação - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Filipe Santos, Rodrigo Leal



Algar da Laje



Chegara, finalmente, o dia marcado a exploração preliminar de duas cavidades que me foram referenciadas por Samuel da Costa e Filipe Santos, que as identificaram numa das suas constantes deambulações e caminhadas pelas serras e vales da região.

O dia ameaçava chover, mas creio que até a chuva se amedrontou perante as saraivadas incessantes de um vento que fustigava tudo e todos. As nuvens a baixa altitude pareciam bólides de formula um, tal era a velocidade com que passavam por cima de nós.


Em primeiro lugar apontámos a mira ao Algar da Laje, que se desenvolve sequência de uma grande diacláse, que tem numa grande laje (já bastante fracturada no seu lado inferior) a sua "pedra angular".


Equipada em regime de exploração, foi colocado um spit como ponto de amarração principal, tendo sido colocado uma natural de aproximação e ponto secundário num tronco próximo. 








A descida faz-se rápida num poço de entrada que deverá ter cerca de 6m (profundidade a conferir numa próxima saída), dando acesso a uma sala com uma base ligeiramente inclinada, coberta de blocos de pequenas e médias dimensões.  No final, a inclinação acentua-se à medida que a sala vai afunilando até ao seu terminus. 




No lado oposto, na zona mais elevada da sala de entrada, por detrás de uma grande laje que se desprendeu do teto, encontrámos um poço (designado Poço 1) com cerca de 6 a 7 metros de profundidade (P3+P3), que terá que ser descido e explorado, em particular atendendo ao facto de que parte dele se encontra fora do ângulo de visão da sua cabeceira ao cimo da sala.

Poço 1

Desobstrução em curso...
Na parede da esquerda (atendendo ao sentido da equipagem na boca do algar), ligeiramente abaixo do local de descida, verificámos a existência de uma fenda junto à base, que se encontrava parcialmente obstruída por vários blocos, e que dava acesso a um outro poço (designado Poço 2).

Após uma breve desobstrução e saneamento da passagem, por forma a evitar deslizamentos "indesejados" de blocos e facilitar o ingresso, mas sobretudo, a saída, utilizei a corda que vinha de cima, assegurando que o roço era menor e perfeitamente irrelevante, desci até uma pequena plataforma, composta por blocos que haviam caído e aí se encravado, cerca de 2m mais abaixo.

Deste ponto foi possível não só verificar com mais acuidade o poço que era visível pela abertura superior como também perceber que este se estendia, através de uma pequena passagem, para uma zona situada sobre a sala superior. Zona esta, aliás, que seria a zona de acesso directo a este nível inferior antes da passagem ser obstruída por grandes blocos que terão caído e rolado até aí se fixarem, momento partir do qual a passagem possível passou a ser feita pela fenda na parede, tal como descrito acima.   




Uma vez que se tratava de uma exploração preliminar, e havia ainda uma outra cavidade para ser observada, optei por descer o capacete na ponta da corda por forma a captar, através da GoPro, imagens do interior deste nicho, o que veio a revelar a existência de uma passagem que se desenvolvia, sensivelmente (e impressão que terá que ser confirmada posteriormente), no sentido do Poço 1.

Sem elementos de escala que permitam fazer uma análise mais consubstanciada, as imagens parecem apontar para uma fenda vertical relativamente alta e estreita, que ainda assim não deverá constituir obstáculo para a progressão.

Com três pontos de interesse identificados, que terão que ser explorados numa saída subsequente (Poços 1 e 2, bem como a passagem supra referida), demos por terminados os trabalhos, prontos a rumar à cavidade seguinte, o Algar do Patelo, "já ali à frente".




E o vento não dava tréguas... a sorte é que num instante nos colocámos lá, e dentro da cavidade estávamos abrigados.

O Algar do Patelo estava referenciado (pelo Samuel e pelo Filipe) como uma pequena cavidade, colocada a descoberto pelas obras no Caminho do Patelo. Aquando da sua identificação tinham inclusive entrado e explorado até a uma passagem estreita que dava acesso a uma sala via destrepe com cerca de 2 metros. 

Atendendo à especificação do destrepe, uma vez que não era possível visualizar a zona imediatamente por baixo da passagem, e uma vez que esta, atendendo às suas dimensões, não permitiria uma saída sem a colocação de uma corda, esta sala ficou por ser vista, e era esse o objectivo da exploração de hoje.

A entrada do Algar é algo apertada, e uma vez que a base fica a não mais de 2m, sendo facilmente descido em oposição, optámos logo à partida por retirar o arnês. Todo o material foi colocado no interior, na base do poço de entrada. Não que o "buraco" fosse muito maior. A base do P2 dá acesso a uma pequena rampa, no fundo da qual, no sentido inverso, encontrámos a passagem referida.

Com umas tentativas preliminares verificou-se que era efectivamente possível transpor este ponto para o outro lado, embora levantasse muitas dificuldades, uma vez que apenas era possível passar de forma oblíqua. O caminho inverso seria particularmente difícil de fazer, razão pela qual se optou por alargar ligeiramente a base desta pequena "janela", por forma a ser possível a sua passagem com o corpo na horizontal. 

Ainda assim, o destrepe mostrava-se complicado pela forma arredondada da rocha e pela ausência de "presas" suficientes que possibilitassem a sua descida. A solução encontrada, para evitar "desperdiçar" spit, e uma vez que não se vislumbrava alguma possibilidade de amarração natural, foi improvisar um ponto de amarração humano, colocando um cabo preso ao arnês (via "demiround") do Filipe, por forma a auxiliar a descida. 


De salientar que enquanto se procedia ao alargamento deste ponto era sentido, de forma itermitente, um ligeiro, muito ligeiro, sopro.

Do outro lado, no entanto, a sala parecia ter muito pouco para oferecer. Foram identificadas várias chaminés de muito pequena dimensão, que podem explicar o sopro, promovendo  uma ligeira circulação de ar, bem como dois pontos que me chamaram a atenção e levantaram algum interesse.

Do ponto de vista da imagem acima, à direita da corda junto à base, encontrava-se um nicho de muito pequenas dimensões, colmatado por uma camada de argila. Estranhamente também aí senti um pequeno sopro, mas que pode ser explicado pela existência de pequenas condutas que terão transportado a argila e água que aí se encontravam. Efectuei alguns testes, em particular com o Big Mike (pé de cabra), e embora não possa descartar definitivamente a possibilidade de alguma pequena passagem obstruída, não creio que haja algo minimamente relevante aí "escondido".

Desobstrução em curso.
Directamente oposta à entrada identifiquei um pequeno buraco na parede, a cerca de 70cm de altura, numa zona de calcite bastante "seca" e estalada. Em poucos minutos consegui alargar o suficiente para perceber que havia uma pequena sala, mais um pequeno nicho, do outro lado ligeiramente para baixo. Pouco depois conseguia colocar o capacete por forma a captar imagens do interior para serem posteriormente analisadas.

Confesso que neste caso não guardava ilusões e, de facto, as imagens vieram a confirmar a inexistência de qualquer via de progressão no interior deste pequeno espaço.

Foram registadas algumas formações, em vários casos observando-se o mesmo tipo de calcite "seco" e estalado, muito frágil, verificado na zona desobstruída, mas sem qualquer tipo de via aberta ou, ainda que obstruída, se mostrasse minimamente relevante. Um beco sem saída.

Tínhamos chegado ao fim deste pequeno "buraco" à beira da estrada, e estava na altura de saírmos, pegar no material e rumar ao carro para uma refeição merecida.



De referir que já na parte da tarde houve ainda tempo para marcar várias cavidades na zona do Ladoeiro, uma das quais se veio a confirmar posteriormente estar muito bem entregue e em plena exploração, com um potencial "doido" de progressão.

O regresso ao Algar da Laje está prometido, e talvez para muito breve.

Até lá um abraço,
Alexandre Leal












segunda-feira, 6 de março de 2017

Algar Marradinhas I

Serra de Santo António

5 de Março de 2017





Coordenação - Orlando Elias (NEL)
Equipa - Orlando Elias (NEL), Alexandre Leal (NEL), Hugo Costa (NEL),  João Paulo (NEL),        
                Leonel Lavos (NEL), Filipe Cruz (NEL), Emiliana Oliveira (NEL).


Um pequeno buraco que dá acesso a todo um mundo. Chega aos -110m (por enquanto)...


De regresso aos "buracos" cá estamos nós para mais uma acção de formação inserida no curso de nível II do NEL, desta vez com uma visita ao Algar Marradinhas I, com o objectivo de chegar aos -78 (a base do algar teria que ficar para outro dia) e dar oportunidade aos formandos de treinar e desenvolver as suas técnicas de progressão em cavidade, tanto no seu aspecto mais técnico como de análise e desenvolvimento das suas aptidões de leitura em contexto de "exploração".

Neste campo, e com a data de exame (Celso não nos esquecemos de ti) a aproximar-se, creio que estão bastante bem encaminhados, mas sobretudo apraz-me salientar não só o grande à vontade mas sobretudo a atenção e interesse demonstrado em todos os momentos, mesmo nos momentos mais relaxados.

Espeleólogos em formação quase prontos para se juntarem aos nossos trabalhos como colegas de pleno direito, aptos e determinados.

Cá vos espero, avisando já que há muito trabalho pela frente, e sim, envolve lama (esta é para ti João Paulo).
Leonel Lavos
João Paulo


Hugo Costa

Emiliana Oliveira

Filipe Cruz
Claro está nós estamos sempre com um olho no burro e outro no cigano (Don´t even start it...), e deixámos passar a oportunidade para dar uma olhadela na zona envolvente ao grande poço, entre os  -65 e -78, de acordo com a topografia publicada na obra "Grottes et Algares du Portugal", do Christian Thomas.

E mais uma vez com resultados muito promissores. Dito de outra forma, metemos as mãos (e o resto do corpo também) na lama e identificámos alguns pontos muito interessantes, na maioria dos casos no enfiamento directo de chaminés, e em alguns casos com sinais claros de estarmos perante condutas "forçadas". O "problema" aqui é mesmo presença massiva de argila que acaba por obstruir a passagem.

O primeiro dos casos, identificado pelo Orlando, é um caso paradigmático. Num pequeno nicho lateral (onde eu já ouvi isto?!?!) apontava o Orlando para uma pequena passagem descendente na parede da esquerda, de onde era sentido um pequeno sopro, na base do que parecia ser uma zona por onde a água havia passado com bastante pressão. Na verdade havia um segundo buraco, desta feita em frente, bem no fim da passagem, que estava obstruído por lama.

Pequena passagem à esquerda, de onde sopra ar fresco.
Pequeno "buraco" no fim da passagem


Imagem da parte superior da passagem. A faixa negra marca claramente
um nível, que estranhamente se vai encontrar numa outra zona perto mas
que nos parece estar um pouco mais abaixo.

Como aliás estava uma  pequena chaminé (será a única?) bem por cima da zona terminal da passagem, sobranceira ao pequeno "buraco". 


Antes de descer a rampa na zona final deste sector outras pequenas passagens chamaram-me a atenção e todas ao longo da mesma parede (onde é que eu já ouvi isto?!?). 

De facto, na sua maioria eram de dimensão reduzida, em pequenos nichos no enfiamento da parede, à excepção de uma passagem através da qual era visível uma continuação em sentido descendente com algum desenvolvimento. 


Atento à sua proximidade  com a zona inferior a que se acede pela lateral de uma rampa acentuada, e muito escorregadia, colocava-se a hipótese de lá ir ter (uma vez que não tinha ainda examinado essa zona). 

A verdade é que os testes que efectuámos não permitiram encontrar qualquer ligação entre essa zona, -78, e esta passagem. Não foi possível, em momento algum, visualizar a luz emitida para dentro da passagem através de nenhuma das aberturas encontradas no sector mais baixo, o que nos leva a concluir pela hipótese desta passagem permitir o acesso a uma zona paralela. Um ponto de interrogação que se impõe resolver.


Por fim a zona mais baixa deste sector, a -78, para onde tudo parece confluir, sobretudo barro e lama. 

Toda a zona apresentava-se coberta por uma densa camada, com uma pequena rampa que terminava na parede  "final", aí depositada e que aí foi acumulando.  Bem no limiar o que parecia ser um pequeno rebordo na parede (deja-vu de novo), indiciando uma abertura ou continuação.

Estava perante um rolhão de lama, restava saber se ocultava algo de interessante, possivelmente a(s) via(s) por onde toda a água que é canalizada para aquele ponto se escoa. E a verdade é que todos os indícios apontam para essa hipótese.

Ao fundo, junto do rebordo, o barro apresentava-se particularmente "encharcado", parecendo ondular com o choque de uma batida "seca".

Com uma pequena camada retirada as suspeitas confirmavam-se. O rebordo era isso mesmo, um rebordo do que pode ser uma pequena passagem horizontal, mas que com maior, muito maior, probabilidade será uma chaminé, que aliás será uma das responsáveis pelo depósito desta argila.


Na base da "rampa" , explorando um pequeno orifício que a água explorava para "desaparecer", fomos removendo mãos cheias de barro até ao limite que os nossos braços permitiam e a verdade é que este rolhão parece acompanhar a parede em sentido descendente. Não era, de todo, possível discernir a profundidade a que poderia ir, ou se estávamos mesmo perante um possível poço consolidada pelo barro, mas não só a sensação de oco era  perceptível como todos os sinais apontavam para isso.

Este é, definitivamente, um ponto que tem que ser explorado.

Mas isso terá que ficar para uma outra saída, com objectivos bem traçados e uma equipa pronta e equipada para lidar com os desafios que nos esperam.



Por hoje estava na altura de fazer o caminho inverso e subir à superfície para nos aquecermos um pouco e recuperar as energias. Quer dizer para alguns de nós recuperarem as energias que outros pareciam estar prontos para mais uma guerra, não é Orlando?!?!

"Isto tem que ficar bem tapado"


Um abraço lamacento,
Alexandre Leal out