Algar da Laje
Patelo , São Bento
18 de Março de 2017
Coordenação - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Filipe Santos
Já no interior, e atento às características e as possibilidades que o sector do poço 2 apresentava, a opção para descer ao nível inferior recaiu exactamente por esta zona. Utilizando a corda que vinha de cima, utilizando uma proteção nos pontos mais críticos, desci até à plataforma constituída por blocos caídos entalados na parede da estreita passagem que liga o poço propriamente dito e o pequeno nicho situado por baixo da sala superior. E foi para este pequeno espaço que equipei a descida, com a colocação de um fracionamento que exigiu um esforço redobrado na "limpeza" e saneamento da zona onde ia ser colocado o spit, atento à extensão da camada de calcite.
Percorrendo a passagem rapidamente se confirmou o que "temia". Cerca de 6 ou 7 metros à frente, após uma curva à direita, lá me deparei com uma abertura superior que dava acesso à base do Poço 1.
Aliás, tal foi a conclusão a que chegámos num esforço (muito afincado) desenvolvido pelo Filipe na zona do nicho onde descemos vindos da sala inicial, enquanto eu arregaçava as mangas no "meandro" (a passagem inferior que espelhava a "Via Partida"), atacando um rolhão de argila que identifiquei junto à obstrução que bloqueava a progressão no sentido do Poço 2.
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Filipe Santos
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| A grande laje "suspensa" que dá nome à cavidade. |
Uma semana depois e lá estávamos nós de novo ao ataque. A curiosidade, o desejo de explorar a cavidade descoberta, era forte e não permitia veleidades... tínhamos que perceber os exactos contornos das vias de desenvolvimento que havíamos identificado na semana anterior.
A expectativa era grande, embora bem no fundo temesse que iríamos andar "em círculo", e qualquer via de progressão para baixo obstruída, tapada por uma espessa camada de rocha caída. Certo, certo, que sem lá voltarmos os segredos ficariam por desvendar, e essa era uma premissa inaceitável.
Já no interior, e atento às características e as possibilidades que o sector do poço 2 apresentava, a opção para descer ao nível inferior recaiu exactamente por esta zona. Utilizando a corda que vinha de cima, utilizando uma proteção nos pontos mais críticos, desci até à plataforma constituída por blocos caídos entalados na parede da estreita passagem que liga o poço propriamente dito e o pequeno nicho situado por baixo da sala superior. E foi para este pequeno espaço que equipei a descida, com a colocação de um fracionamento que exigiu um esforço redobrado na "limpeza" e saneamento da zona onde ia ser colocado o spit, atento à extensão da camada de calcite.
Na base tínhamos uma primeira visão da passagem (Via Partida) que havíamos identificado e filmado na saída anterior.
A base apresentava-se fracturada, e indiciando um espaço ou uma passagem inferior, coberta a espaços com blocos e cascalho de dimensão variada.
As paredes apresentavam-se repletas de formações epigenéticas,
testamentos de uma era anterior, bem diferente da fase fóssil que a cavidade atingiu, na extensão que nos foi possível explorar.
Percorrendo a passagem rapidamente se confirmou o que "temia". Cerca de 6 ou 7 metros à frente, após uma curva à direita, lá me deparei com uma abertura superior que dava acesso à base do Poço 1.
Os indícios assim o apontavam mas não deixa de ser uma "configuração" algo estranha, compreensível, no entanto, atendendo à forma como as várias fracturas se acumulam num espaço algo limitado.
A passagem terminava cerca de um metro mais à frente, afunilando ligeiramente em sentido descendente. Na base terra bloqueava qualquer forma de progressão.
Em sentido contrário dirigimo-nos para a base do Poço 2, que se encontrava coberto por blocos caídos, e que posteriormente verificámos obstruírem inclusive um acesso a uma passagem inferior pelo lado de entrada.
Ao fundo confirmámos a existência de uma abertura na zona em que as paredes estreitavam, uma pequena vertical destrepada em oposição, numa zona em que a rocha assumia uma tonalidade alaranjada, motivada certamente por camadas de lama seca.
A passagem inferior a que se acedeu, contudo, não oferecia qualquer via de progressão, terminando cerca de 3 metros mais à frente numa "derrocada" de blocos que obstruía qualquer possível ou potencial continuação. Creio aliás que a única via obstruída era em sentido ascendente, de volta à base do poço.
Foi efectuado um pequeno esforço de desobstrução de uma zona perto de uma das paredes laterais, por forma a perceber a extensão da camada obstrutora e a natureza da camada inferior, constituída por uma pequena "capa" de argila seguida de rocha aparentemente sólida. Não se pode afastar a existência de uma qualquer passagem subterrada mas qualquer trabalho de desobstrução mais sistemático afigura-se um pouco extemporâneo atento à falta de indícios relevantes.
Aliás, tal foi a conclusão a que chegámos num esforço (muito afincado) desenvolvido pelo Filipe na zona do nicho onde descemos vindos da sala inicial, enquanto eu arregaçava as mangas no "meandro" (a passagem inferior que espelhava a "Via Partida"), atacando um rolhão de argila que identifiquei junto à obstrução que bloqueava a progressão no sentido do Poço 2.
De referir que foi necessário proceder a uma intervenção preliminar de alargamento de um dos espaços fracturados, assinalado na fotografia à direita. Para o efeito utilizamos inclusive alguns blocos de maior dimensão que nos auxiliaram de forma particularmente eficaz, apesar de ainda assim ter sido necessário tirar o arnês por forma a facilitar a passagem para o interior.
Também esta pequena passagem não permitia qualquer tipo de progressão. Na direcção do Poço 1 terminava cerca de 2 ou 3 metros mais à frente. Em sentido contrário, como referi acima, encontrava-se obstruída por blocos caídos. E foi ao analisar esta zona, retirando as pedras num local em que a camada acumulada era mais superficial, que me apercebi da existência de um rolhão de argila que potencialmente poderá estar a bloquear uma passagem vertical para um nível inferior, ainda que de dimensão bastante estreita.
Com a ajuda inestimável do "Big Mike" comecei a testar o rolhão e retirar argila com o objectivo de tentar determinar a dimensão potencial desta camada acumulada de argila. O Big Mike afundava-se na sua totalidade, facto que continuava a verificar-se independentemente dos esforços desenvolvidos na abertura de um pequeno buraco na argila. A cerca de 60cm de profundidade (e muito esforço e paciência atendendo às características do espaço de trabalho) a argila mostrava-se cada vez menos compacta mas o "Big Mike" continuava a enterrar-se sem indícios de encontrar vazio do outro lado ou, ao invés, o choque contra rocha sólida.
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| Qualquer esforço continuado e sistemático de desobstrução do rolhão de argila terá que passar, necessariamente, pela "ablação" dos pontos de rocha que afunilam e impedem a continuação dos trabalhos. |
Restava, por fim, analisarmos o Poço 1, para tal acedendo à sua base pela abertura superior encontrada no fim da "Via Partida" tal como referido anteriormente.
Deste ponto de vista, olhando para cima, o poço ganha uma nova dimensão, parecendo extender-se até muito perto da superfície. Creio aliás que num determinado ponto apenas uma laje o separa da superfície.
Uma análise da perímetro da base não revelou qualquer abertura de sentido descendente, tendo sido, no entanto, encontrada uma passagem na parede do poço exactamente por cima da abertura utilizada para aceder a esta zona.
A passagem em causa desenvolve-se em sentido sensivelmente ascendente, terminando cerca de 4 metros mais à frente. Na parede terminal, perto do seu limite superior, encontrámos uma apertada passagem que não foi possível ultrapassar. Exigiria um trabalho de desobstrução e alargamento que não se mostrava exequível no momento, sobretudo sem se avaliar da sua relevância. Do outro lado era visível uma pequena área, mas o ângulo e a dimensão da abertura não permitia grandes leituras.
A abertura permitiu, no entanto, introduzir o capacete e assim obter imagens do seu interior, que vieram a revelar uma possível passagem e via de progressão, não obstante aparentar ser de dimensão bastante diminuta. Uma realidade a confirmar numa saída futura.
Estavam assim esgotadas todas as opções viáveis de progressão. A verdade é que a enorme quantidade de depósitos detríticos (blocos e cascalho) que se foram acumulando resultante de processos complexos de desmoronamento e abatimento constituem um sério impedimento à descoberta de "novas" vias de progressão. Não se podem descartar mas resulta serem improváveis.
Restava-nos dar por terminado o dia e regressar à superfície, para descontrair e hidratar no "Cantinho", enquanto analisávamos os trabalhos.
Para a semana há mais. Há sempre mais...
Um grande abraço,
Alexandre Leal









































