segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Prospecção/ Exploração Lapa da Galinha

 Cortiçal, Santarém (encosta sobranceira)/Vila Moreira, Alcanena

19 de Setembro de 2019





Coordenação - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Pedro Bernardes (GEM)





 Hoje era dia para prospecção. Aliás, hoje era dia para encontrar o "famoso" algar de que o Ângelo já me havia falado mais de uma vez, e que na última saída nos fora mostrar, in loco, a zona genérica onde o poderíamos encontrar, uma área balizada entre dois pequenos eucaliptais. Munidos de algumas indicações mais específicas (mas não muitas) que nos poderiam ajudar a identificar o local em concreto.

Optámos poe estacionar o carro numa zona de "ataque" superior e ir varrendo a área em sentido descendente, em direcção ao Cortiçal. O problema é que toda a zona estava coberta por uma denso manto de vegetação rasteira (e alguma menos rasteira), com algumas zonas de mato pelo meio. Os carrascos eram omnipresentes e dificultavam não só a progressão mas principalmente a identificação de possíveis pontos de interesse.

Durante cerca de três horas, três longas horas, fizemos várias passagens por toda a zona identificada e pela sua periferia. Não obstante termos identificado várias zonas com características diferenciadas a verdade é que nem um pequeno algarucho de 1 metro conseguimos encontrar. O Algar que procurávamos permanece por identificar, carecendo de uma informação mais detalhada para permitir a sua localização, especialmente tendo em conta toda a vegetação que dificulta, em muito, qualquer acção de prospecção na zona.

Os planos para a tarde foram reavaliados durante uma merecida pausa para o almoço, tendo sido ajustados após contactos levados a cabo pelo Pedro, que culminaram numa visita a uma Lapa em Vila Moreira. 

Uma verdadeira surpresa não só em termos de desenvolvimento como pela beleza das suas formações, não obstante apresentar alguma degradação, com várias formações danificadas ou partidas desnecessariamente, motivada sem dúvida pelo seu fácil acesso e progressão sem necessidade de recorrer a técnicas de progressão vertical em corda.

Com uma câmara de entrada relativamente ampla o desenvolvimento traduz-se numa sequência de pequenos nichos ou salas interligados por pequenas passagens, mais ou menos estreitas, apresentando-se de forma relativamente labiríntica, o que explica os vários sinais de orientação encontrados no interior, até porque em alguns casos as passagens não são evidentes.

























     


Na câmara final, a que se chega após uma passagem um pouco mais estreita e comprida do que as restantes, verificámos a presença não só de um pequeno morcego, que esvoaçou para fora da sala à minha chegada como de formações tipo "couve-flor" ou "dentes de cão" na zona terminal e mais baixa desta sala, que parece formar um pequeno gour, ainda que menos definido que o gourmet identificado no início da passagem que iria dar a esta sala (visível em fotografia mais acima).

Ainda nos foi mostrado uma outra pequena cavidade, localmente conhecido como Lapa do Galo, não mais do que uma pequena sala promovido por abatimento, actualmente em estado fóssil. 


Não obstante a área se situar numa zona de cota baixa, com a entrada para a Lapa da Galinha situada aos cerca de 120m de altitude, a sua implantação e área envolvente, em particular para Norte, apresenta grande interesse.

E por hoje estava terminado mais um dia de trabalho pelas serras do nosso Maciço Calcário Estremenho.

Um grande abraço,
Alexandre Leal























quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Algar do Muro 3

 Paiã, São Bento

03 de Setembro de 2019





Coordenação - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Pedro Bernardes (GEM)








A semana passada, em regime "solo", os trabalhos de desobstrução da passagem sofreram um avanço significativo. Estava quase... O caminho estava traçado e numa próxima saída a descida era garantida.









Esta semana não havia como falhar. Sob um sol escaldante, com uma temperatura que mais tarde chegou a marcar os 48º no carro que havia sido deixado ao sol enquanto fomos fazer prospeção numa zona de inferno.... hrmmmm, quero dizer, terreno densamente arborizado com espécies particularmente agrestes,  preparámos o material, reabrimos a cavidade, e colocámos as mãos ao trabalho.

A confiança era grande, e na verdade os trabalhos foram particularmente rápidos. Conseguimos enfraquecer e retirar uma parte da pedra por baixo do manto calcítico, durante o qual os esforço empregues acabaram por enfraquecer e rachar uma parte significativa do referido manto na zona que impedia o acesso. Tentei quebrar esta grande lasca por forma a ser possível retirar para a superfície em múltiplos blocos de menor dimensão, o que se veio a revelar ser quase impossível atento à sua localização. Foi ainda retirada a parte superior, que representaria cerca de 25% do volume em causa, mas o resto acabou por ser enviado para baixo, uma vez que não se antecipava impossibilidade ou bloquear a passagem e subsequente descida.

E de um momento para o outro a passagem estava aberta.



 Depois era preciso apenas reajustar a equipagem,  nomeadamente equipando o fracionamento colocada em saída anterior, e implementar um desviador "natural" com a colocação estratégica de um elemento por forma a, fazendo uso do mosquito de tratamento, desviar a corda da parede e permitir o ataque à passagem, em conjunção com a utilização de uma manga de protecção. Uma equipagem "flexível" de exploração, com o objectivo de permitir a descida e verificação da possibilidade de progressão antes da colocação de uma equipagem fixa mais permanente.



Para nossa tristeza (mas não grande surpresa) a cavidade terminaria pouco mais à frente, numa pequena rampa que se desenvolve na base do poço. O chão encontrava-se coberto e consolidado por uma camada de terra argilosa, com algumas pequenas/micro passagens de orientação horizontal sem qualquer tipo de relevância ou possibilidade de progressão.


Depois de subir, e assegurar a posição antes ocupada pelo Pedro enquanto desviador adaptado, coube-lhe a ele descer e fazer uma segunda análise que veio confirmar a primeira ideia. Não haveria muito mais para fazer a não ser subir, guardar o equipamento e fechar a abertura por forma a salvaguardar qualquer incidente com animais.





Esboço aproximado do alçado da cavidade.

Para variar um pouco acabámos por concluir os trabalhos a horas decentes para ir almoçar ao Cantinho. Tendo em conta a temperatura altíssima alterei os planos que pensado para tarde e acabámos por ir fazer prospecção que para além de "alguns" arranhões e sangue não revelou absolutamente nada. Zero. 

Eu SEI que eles estão lá, como aliás comprova o Algar que identifiquei e já explorei mesmo ao longo de um dos trilhos, mas a ultra-densa vegetação, que deriva também da presença de uma grande humidade e água no sub-solo, impedia qualquer descoberta que não por mero acaso ou extrema sorte.

Para acabar o dia e re-hidratar regressámos "à base" para uma cola bem geladinha e três dedos de conversa... quer dizer, foram mais trinta e três dedos de conversa animada, com um périplo pela encosta sobranceira onde o Ângelo nos foi indicar a localização aproximada de um algar aí existente, com pormenores deliciosos, como a presença de uma marca de ferradura deixada na pedra pelo cavalo de Dom Afonso Henriques, algar esse que merecerá a nossa atenção nos próximos tempos.

De referir um outro elemento da maior importância para esta (ou qualquer outra) actividade, acabámos por receber a informação enquanto saboreávamos o repasto ao almoço, que o Treinador do Sporting iria abandonar o cargo.... facto que reputo da maior importância, não só para nós Portugueses como arriscaria dizer mesmo, para as nações europeias (os americanos ou brasileiros não que têm os seus problemas para resolver sob a forma de Trump e Bolsonaro, por isso aguentem-se). E tenho dito.


Grande abraço,
Alexandre Leal