Algar do Pena Traseira 4
São Bento, Porto de Mós
02 de Maio de 2018
Coordenação - Bruno Pais (NEL/AESDA)
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Bruno Pais (NEL/AESDA).
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Bruno Pais (NEL/AESDA).
Após várias saídas de exploração na zona da Pia Carneira, nomeadamente com a exploração dos Algares da Pia Carneira 12 e 14 (esta ainda em curso), aproveitámos para mudar um pouco de cenário esta semana e ir analisar o Algar do Pena Traseira 4. O objectivo era identificar um possível ponto de progressão junto da base do último poço, um suposto P24.
A informação que havia era vaga e imprecisa, sabíamos apenas que havia menção de relatos de uma corrente de ar fresco nesta zona terminal e que haveria uma possível desobstrução a fazer.
Como havia estado a preparar material para uma cavidade "algo maior", com potencial para ter o segundo maior poço de Portugal, com cerca de 110m, a actividade no PT4 fez-se sem problemas de maior ao nível da equipagem, uma vez que esta cavidade veio a demonstrar ser bastante mais exigente do que o esperado, nomeadamente em termos da quantidade de material necessário, devido às suas características, com vários ressaltos, plataformas, e passagens verticais estreitas.
Perdemos ainda algum tempo a tentar localizar a cavidade procurada, uma vez que o ponto que o Bruno tinha assinalado como o PT4 correspondia a uma outra cavidade, com uma abertura bastante mais reduzida, mas com um pouco mais de trabalho lá o localizámos.
Depois foi equipar o poço de entrada e descer, e aqui de assinalar que um dos parabolts que encontrámos estava algo periclitante. Encontra-se já bastante saído, com tendência para sair cada vez mais uma vez que ao apertar a porca (que também estava em falta) o parabolt ia, visivelmente, rodando e saindo. Por enquanto não estava crítico, e como segurança extra utilizei um spit que se encontrava (demasiado) perto do referido parabolt.
Uma equipa de dois exigiu o transporte de kitbags pesados, especialmente tendo em conta que tivemos que levar material de desobstrução, o que dificultou bastante a progressão nos pontos mais complicados, mas num excelente trabalho de equipa, com a equipagem e desequipagem a ser partilhada a coisa fez-se sem qualquer tipo de percalços.
Em vários pontos a presença de cascalho e blocos de dimensão já mais relevante fazia-se sentir de forma particularmente acutilante. Com arrojar dos kitbags o risco de queda de pedras era real pelo que se tentou limpar ao máximo nos pontos mais críticos. Um ponto em concreto mostrava-se particularmente perigoso, um bloco laminado com cerca de 40cm (na sua maior dimensão) que se encontrava sobranceiro a um vertical numa pequena plataforma. À primeira vista parecia estar "ligado" à parede mas um exame mais próximo revelou estar completamente solto. Com muito cuidado, uma vez que cerca de 10m mais abaixo, e sem possibilidade de fuga, estava o Bruno, conseguiu colocar aquela lâmina em local seguro e continuar a progressão.
O poço terminal, de pedra limpa e por vezes laminada, de forma globalmente elíptica e dimensão reduzidas no eixo mais pequeno, apresentava várias plataformas e/ou ressaltos bem como alguns pontos de passagem mais complicada atendendo à sua dimensão. Tal facto exigiu vários fracionamentos e um desviador. No ponto mais confinante, que se pode ver nestas imagens (esquerda e infra), foi decidido deixar o kitbag de desobstrução, bem como o grosso do material de equipagem ainda não utilizado, na corda por forma a não dificultar mais a passagem. Caso se mostrasse necessário era só uma questão de subir para o ir buscar.
O resultado, porém, não foi o mais animador.
De facto sente-se um ligeiro ar fresco na zona da base do P30 (julgo ser mais perto dos 30m do que dos 24m mencionados na topo existente).
Não efectivamente na base mas cerca de 4m acima, num dos sentidos na grande fractura vertical que acompanha o poço. O problema é que a fractura tem uma largura muito pequena e não permite tirar qualquer tipo de conclusões sobre a possibilidade de progressão no seu seguimento, tanto horizontal como vertical, e estende-se, pelo menos, por 2 ou 3m de rocha sólida.
Neste ponto qualquer trabalho de desobstrução seria um tiro no escuro, e realizado em condições muito complicadas, duras e morosas.
A base em si parece, de facto, estar completamente entulhada com material que foi progressivamente enviado para lá quer pela água que por abatimentos. Atento ao espaço muito confinado e há inexistência de qualquer indicação sobre a espessura de um potencial "tampão" de pedra, não vejo como viável.
No sentido contrário da fractura visualizada na foto supra, a fractura era um pouco mais larga mas não parecia dar acesso a um qualquer espaço que permitisse progressão. Com efeito parecia até apresentar alguns blocos tombados que confinavam o espaço e estar entulhada a um nível semelhante ao da base do poço.
É possível, no entanto, e por mais estranho que pareça num espaço tão pequeno, que nos tenha escapado algum ponto relevante. Parece, aliás, que haverá uma passagem exactamente no sentido contrário ao da fotografia que permite progredir um pouco até uma sala, ponto em que efectivamente haveria alguma esperança de continuação de acordo com o relato de quem passou esse ponto.
Em qualquer dos casos era perceptível o som constante de goteiras a pingar algures abaixo de nós...
Deixamos a cavidade mantendo um ponto de interrogação em "toda" aquela zona até uma segunda avaliação.
Depois, foi subir, desequipar, regressar ao carro e discutir não só os trabalhos acabados de decorrer como possíveis saídas a executar.
Um abraço espeleológico
Alexandre Leal
O poço terminal, de pedra limpa e por vezes laminada, de forma globalmente elíptica e dimensão reduzidas no eixo mais pequeno, apresentava várias plataformas e/ou ressaltos bem como alguns pontos de passagem mais complicada atendendo à sua dimensão. Tal facto exigiu vários fracionamentos e um desviador. No ponto mais confinante, que se pode ver nestas imagens (esquerda e infra), foi decidido deixar o kitbag de desobstrução, bem como o grosso do material de equipagem ainda não utilizado, na corda por forma a não dificultar mais a passagem. Caso se mostrasse necessário era só uma questão de subir para o ir buscar. 










