sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Sumidouro S1 (Toca do Coelho) 

Chão das Pias, Planalto de Santo António

17 de Outubro de 2018




Coordenação - Alexandre Leal
Equipa - Alexandre Leal, Filipe Santos






Mais uma semana, mais uma saída de insistência no S1, desta vez acompanhado pelo Filipe Santos, que já há vários meses estava ausentes destas andanças (mas tinha reservado uma surpresa para mais tarde).




















O plano era avançar até ao ponto onde tinha sido localizada na saída anterior uma lata de coca-cola, cerca de 1,5m mais à frente e um pouco mais abaixo, lata essa que deixara de estar visível.  Presumivelmente terá sido levada pela chuva que havia  caído nos dias anteriores, que não obstante ter sido diminuta terá sido toda encaminhada para este que se tornou o sumidouro principal da área.

Mas com lata ou sem lata o objectivo estava traçado, pelo que metemos mãos à obra e começamos a partir pedra e tirar substrato para afundar, e permitir ir progredindo lentamente...

... e lentamente é mesmo o termo mais acertado. 

A pedra, tanto na parede esquerda como na parede direita (alvo principal da desobstrução), não facilitava em nada os trabalhos, e a determinado ponto nenhuma das técnicas de desobstrução utilizada estava a surtir qualquer tipo de efeito, não obstante as tentativas.

Esse empasse foi ultrapassado com o recurso ao "Diabo", que não obstante necessitar de ser afiado, permitiu retirar uns blocos chave, que fez "ruir o castelo de cartas" e abrir o caminho até pedra com características mais adequadas a uma progressão mais eficiente.

Acabou por ser a única situação onde se mostrou eficaz mas foi uma intervenção decisiva. Com o ponteiro mais afiado tem o potencial para ser uma ferramenta da maior utilidade.



Após este ponto fomos conseguindo alargar a passagem com intervenção na parede da direita (a parede da esquerda continuava bastante renitente em ceder) até ao ponto assinalado a verde na foto supra. Com efeito a pedra abaixo do circulo vermelho, junto à "base" da passagem bem como círculo amarelo, e parte inferior do vermelho, foram removidas posteriormente o ponto verde foi significativamente reduzido. Na verdade, após o último bloco que removemos, apenas uma "ponta solta" ficou a obstruir a visão direta da continuação da fenda.





Como é fácil de imaginar esta descrição esconde a dureza dos trabalhos, em particular de remoção dos blocos de maior dimensão da ponta, que exigia posições muito pouco ortodoxas (ou confortáveis) numa ginástica complicada para criar espaço suficiente para conseguir para puxar/arrastar ao mesmo tempo que tínhamos que recuar... e que resultaram em diversas nódoas negras espalhadas por todo o corpo.

No final dos trabalhos esta era a visão para além da ponta de exploração, com fotografias tiradas com o meu iPhone no limite do meu alcance.
































































Nesta última foto é possível ver o que pode ser o limite da vertical, ou pelo menos de mais um ressalto que permite ganhar profundidade. Quanto ainda não sabemos, mas não deixa de ser um grande incentivo para manter a chama acesa, não obstante as dificuldades que esta imagem deixa bem claro. A fenda continua apertada, muito apertada... esperemos que com tendência para alargar à medida que consigamos ir ganhando profundidade. 

E com isto eram 14h e qualquer coisa.... Enquanto ponderávamos onde íamos comer o Filipe começou a mencionar uma cavidade muito interessante, com uma bonitas formações, no Alto de Alvados, que tinha um ponto muito apertada que para além do qual se conseguia ver uma sala.

Vai não vai, tudo ponderado, lá nos pusemos a caminho... e posso afirmar com segurança que foi uma decisão muito acertada. Não contávamos fazer propriamente uma exploração preliminar da cavidade, até porque nem tínhamos levado qualquer tipo de material, nem mesmo um capacete (com a tão necessária luz) mas acabámos por entrar e ver o ponto que o Filipe havia referido, fazendo uso de uma pequena lanterna que o Filipe tinha com ele (sim, e a luz "ofuscante" do meu iPhone). A entrada do algar acabou por ser feita em oposição, cerca de 3m, e após uma "vistoria" rápida da zona mais perto da entrada fomos para a zona mais funda onde se encontrava essa obstrução e a subsequente sala, e onde a luz do sol já não chegava. 

Lado "solarengo" da cavidade
























"Dark Side of the Cave"




























As formações nesta zona apresentavam uma tonalidade algo diferente, fruto da maior humidade e escuridão. E enquanto fotografava uma "Barbatana de Tubarão" fracturada a meio que saltava do escuro à minha frente acabei por identificar um segundo ponto de interesse, de muito interesse, bem ao meu lado... um poço estreito, meio refundido entre os contornos irregulares da parede à minha direita.



Poço com cerca de 7 a 8m de profundidade, que parece desembocar numa sala ou espaço mais amplo.

Ponto de interesse original. Estreiteza que parece permitir aceder a uma sala situada por debaixo
da sala on se encontra o poço na parede oposta, mas que não parece ter qualquer ligação com este.

Não muito longe deste algar uma estreita entrada para uma outra cavidade, a fazer lembrar o "Calvário", a longa estreiteza na sequência da "Boca do Inferno" no Algar da Cheira.



Com o trabalho de reconhecimento feito, e com a curiosidade muito aguçada, acabei por decidir fazer uma semana de pausa nos trabalhos do S1 e atacar os pontos de interrogação neste algar, em particular o poço, já na próxima saída, com data ainda a confirmar (uma questão de agendas profissionais).




















Um grande abraço entusiasmado ,
Alexandre  Leal

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Sumidouro S1 (Toca do Coelho) 

Chão das Pias, Planalto de Santo António

12 de Outubro de 2018




Coordenação - Alexandre Leal
Equipa - Alexandre Leal






A quarta saída de trabalhos no S1 em Chão das Pias, veio a revelar-se a saída mais dura e prolongada até à data, com início por volta das 9h15 da manhã e término por volta das 17h00, apenas com umas pausas mínimas para hidratação e relaxar dos músculos tensos do trabalho em posições pouco ortodoxas.

Por forma a permitir atacar a zona posterior comecei por alargar a zona de entrada. Era necessário criar espaço para me conseguir colocar de forma minimamente adequada por forma a possibilitar colocar e usar as ferramentas nas zonas mais apertadas da ponta, e assim ir progredindo, ainda que lentamente. Concomitantemente com este trabalho fui retirando uma camada de terra seca, presa entre as duas paredes laterais sobre a ponta de exploração, reforçadas pelas várias raízes das plantas que rodeiam a abertura por forma a facilitar os trabalhos e também ir revelando o que me esperava mais a frente.

A vermelho as zonas de pedra que foram retiradas
no início, por forma a facilitar os trabalhos.
A laranja, a zona de terra que foi sendo, progressivamente,
retirada para permitir a progressão.
"Ponta de Exploração" no início dos
trabalhos.

Aqui vemos já as zonas supra assinaladas removidas,
bem como a base aprofundada, com a retirada de
uma camada relevante de terra, gravilha e
pequenas pedras. 


"Lasca" retirada da parede esquerda.



Os trabalhos posteriores adquiriram uma certa dinâmica repetitiva. Retirar "substrato" e afundar, sendo para tal usado uma ferramenta "altamente especializada" (Saco do Lidl), que pela sua maleabilidade conseguia estrategicamente colocar, e ir corrigindo o posicionamento, para assim ir enchendo de terra e pedra, e posteriormente ser trazido para a superfície  e aí despejado. Perdi conta ao número de vezes que subi e desci aquele buraco. Depois partir um pouco mais de pedra, retirar e colocar à superfície, e voltar à carga em relação ao substrato... ad aeternum parecia passado algumas horas!

E à medida que ia progredindo ficava cada vez mais claro a tendência cia descendente da fenda, sem que nunca fosse possível perceber exactamente qual a sua dimensão imediata. À minha frente o contorno irregular das paredes escondia, defendia, esse segredo com garra e ganas.

E lá "bati", de novo, em pedra pouco dura, que independentemente do quanto "batia", pelas suas características e par muito paradoxal que pareça, não furava nem partia.  Aquela rocha complica de facto, e muito, a progressão.

No lado contrário, na parede esquerda, ia conseguindo tirar umas lascas, o que me permitia ir ganhando um pouco mais de espaço, mas que ainda assim não me permitiu ter sucesso na ablação da parede direita...


A amarelo está sinalizado a camada exterior, calcite/pedra podre. A vermelho a zona
secundária que terá que ser também removida. Entre as duas zonas uma camada arenosa/esfarinhada
que complica os trabalho, dissipando energia.

 O alargamento desta parede será essencial para a progressão, e permitir atacar o ponto estratégico seguinte, identificado a verde na foto supra.

Cá fora os dois  montes iam crescendo...





Resta saber se o tempo nos permitirá continuar os trabalhos este ano. Para a próxima quarta-feira está previsto a continuação dos trabalhos, isto se a chuva nos permitir... Veremos.


Grande abraço,
Alexandre Leal 









domingo, 14 de outubro de 2018

Algar das Vacas

Curraleira (Sul), São Bento

06 de Outubro de 2018




Coordenação - Alexandre Leal

Equipa - Alexandre Leal, José Leal (apoio à superfície)








Muitas foram as vezes que me falaram do Algar das Vacas, tanto o Filipe Santos como o Samuel da Costa, que é aliás um profundo conhecedor de toda a zona (entre um sem número de temáticas variadas), e no passado sábado, munidos de umas coordenadas aproximadas, lá fomos para a encosta, (muito perto dos algares da Curraleira Sul 1, 2 e 3) com o objectivo de o identificar, explorar e topografia.

O primeiro objectivo, do qual dependiam os restantes dois, mostrou-se mais complicado do que o antecipado. As coordenadas eram meramente aproximadas (dadas pelo Samuel, de memória, tendo em conta que a última vez que lá tinha ido tinha sido há 15 anos atrás) e a vegetação havia mudado de forma particularmente intensa.

Com uma nova indicação pelo meio, e não menos sorte, passados uns bons 45m,  perscrutando uma zona de vegetação particularmente densa, do qual se destacava a presença sempre auspiciosa de uma figueira, lá consegui identificar uma área mais negra, que se veio a revelar a abertura de um algar, que o Sam me confirmou ser o que buscava via uma foto que lhe enviei.



A aproximação era tudo menos simples atendendo aos muitos ramos, troncos e silvas que tinha que vencer, e que dificultavam todas as tarefas. Tudo prendia... as fitas, a corda, o fato, o kit-bag.

Com calma e paciência coloquei uma primeiro ponto de segurança numa zona mais resistente de um dos troncos da figueira que "sobrevoava" o buraco para o meu lado, e um segundo já perto da cabeceira do poço enquanto falava com o Samuel (que entretanto havia chegado) sobre a situação dos bombeiros e do posto de São Bento (uma realidade que urge resolver, a bem da população). 

Por uma questão de segurança, e uma vez que os troncos e ramos disponíveis apresentavam em alguns pontos alguma fragilidade, não obstante a sua aparente robustez, coloquei um parabolt na parede oposta, sobranceira à vertical (enquanto o Sam me indicava uma Espargueira mesmo ali ao lado), o que facilitaria também o ingresso e saída do pequeno poço de entrada (cerca de 6m de profundidade).

Lá em baixo foi a surpresa total. Estava à espera de uma cavidade de pequenas dimensões, com uma pequena rampa que conduziria ao término um pouco mais à frente. Ao invés a cavidade desenvolvia-se não só no sentido que esperava ainda que com uma dimensão e volumetria bastante maior do que o antecipado...


 ... como também no sentido contrário, em sentido tendencialmente ascendente, com umas zonas um pouco mais profundas, incluíndo um P4 "algo" estreito que tem que ser descido resolver as dúvidas que ainda restam sobre a possibilidade de desenvolvimento. Por ora ficou um ?.






























Com a exploração feita passei para a fase seguinte, o levantamento topográfico, que demora sempre um pouco mais feito na totalidade por uma só pessoa, mas com calma a coisa lá se vai fazendo, mesmo com a minha tendência natural para complicar, entre comunicações para o exterior a responder à chamada para confirmar que estava tudo OK.

Começando pela zona mais baixa e progredindo para a zona anterior, em direcção ao Nor-Noroeste, lá fui tirando os pontos com o DistoX, que ia passando para o PDA para o croqui. Convenhamos, demorou mais do que o esperado, pelo que já não deu tempo para o levantamento topográfico da outra cavidade que tinha em mente, o Algar da Cobra, A.K.A, Algar da Pia Carneira 4, que terá que ficar para outra actividade.





Com os trabalhos concluídos estava (mais do que) na altura de subir.... Tínhamos uma mão de vaca com grão deliciosa à nossa espera no Cantinho, e já estávamos bem atrasados.



Já em casa, o trabalho arrastou-se durante mais dois dias para concluir a topografia e fazer a arte final.




Um abraço topográfico
Alexandre Leal