sábado, 26 de dezembro de 2015

Algar do Lobo

Bezerra, Candeeiros

Saída de campo, 26 de Dezembro de 2016


Equipa - Alexandre Leal (em regime de prospecção e primeira análise)

Antes de apresentar o relatório de actividade de exploração, desobstrução e topografia do Algar da Toca e Alecrineiros 5, realizada no passado dia de 13 de Dezembro, aqui fica o breve relato da busca, frustrada, pelo elusivo Algar do Lobo, na zona da Bezerra.


Com as coordenadas do local lá fui eu a caminho, convicto que iria dar facilmente com o buraco, ainda que fosse possível que este se encontrasse algo tapado por vegetação. Não podia estar mais enganado... Percorri a zona, que contem, como relatado por um local, uma "pia escavada" (que aliás é visível em algumas fotos de satélite - e.g. do "Maps"), e uma pequena buraco, com cerca de 1m de profundidade, com vegetação a ocultar parte do fundo), mas nada do "Algar do Lobo". 

O factor decisivo no falhanço da operação de reconhecimento prende-se com uma pressuposição errada da minha parte, face ao relato de quem teve um encontro imediato com o buraco. Pensava eu que o buraco se situava atrás do muro e não dentro dos muros. Na verdade ainda saltei o muro e dei uma vista de olhos muito rápida, tendo abortado os esforços devido à cerrada vegetação do local e o facto de não vislumbrar qualquer abertura, aliado à convicção que estaria um pouco mais acima e do outro lado do muro. Acabei no entanto por fotografar a zona onde deve, efectivamente, estar, e a que regressarei numa próxima saída, para finalmente o explorar e topografar.


Como estava na zona, e tinha mais uns quantos pontos para verificar, rumei em seguida ao Algar do Cabeço Renhal, uma cavidade explorada e topografada(https://nalga.wordpress.com/2015/10/15/para-alem-do-parque-muito-trabalho-no-reguengo/ , topografia no final da publicação) no âmbito do projecto "Para além do Parque" por uma equipa do CEAE (e no âmbito do qual participei numa das actividades de exploração), para tirar uma foto da entrada e marcar o ponto para o cadastro do Portugal Subterrâneo.



De regresso ao carro, adjacente ao trilho que seguia, deparei-me com um pequeno algar obstruído à superfície por um bloco de pedra, com uma profundidade estimada (teste da pedra) de 5 metros. A zona, no entanto, é bastante interessante e com um potencial grande. A confirmar se não terá já sido explorado e topografado, caso contrário será objecto de actividade próxima.



Já no carro apontei as atenções para o próximo ponto a verificar e puz-me a caminho, e, bem... a partir deste momento as coisas tornaram-se radicais... fazer TT com um Prius na Serra dos Candeeiros é harcore. Ainda deu para percorrer um longo percurso mas a "emoção" foi de mais e tive que inverter (e encher os pneus para verificar se estavam ou não furados).

Não foi propriamente um dia coroado com grande sucesso mas nesta actividade tal não é, de todo, garantido. Para a próxima o Lobo não escapa...




Alexandre Leal



domingo, 13 de dezembro de 2015

Algar do Cogumelo

Zona da Giesteira, Ourém, Fátima

Saída de Campo, 01 de Dezembro de 2015 


Equipa - Alexandre Leal (G.E.M.), José Ribeiro (agora G.E.M), Samuel Lopes (WIND, G.E.M.)

Suporte - José Leal

Regressando ao Algar do Cogumelo, descoberto numa anterior acção de prospecção pelos cabeços da zona, com uma missão bem definida. Penetrar, explorar, analisar possíveis formas de progressão e desobstruções a realizar, bem como topografar a cavidade.

De realçar a triste realidade das Serras naquela zona do Maciço. Rodeadas pedreiras, que implacavelmente vão devorando tudo à sua passagem.


Depois de um começo algo atribulado, em que nos vimos forçados a improvisar uma forma de todos podermos descer, lá no colocámos a caminho encosta acima, por afloramentos calcários e vegetação, até ao local onde, de forma inexplicável, o Zé conseguiu encontrar uma pequena abertura no meio de uma vegetação, à altura, cerrada. E bem à sua frente um cogumelo, elemento que acabou por dar nome à cavidade.

O Assistente Operacional José Leal na sua primeira saída de campo.

Imagem do local no momento da descoberta, com José Ribeiro (G.E.M.) e André Reis (C.E.A.E.), que integrou, à altura, a
actividade e esforço de prospecção.
Em boa verdade o Algar apresentava, de uma forma mais visível, uma pequena janela através da qual se conseguia ter uma visão parcial do interior do cavidade, mas detectamos nesta saída um segundo meio de ingresso, de dimensões bastante mais adequadas, e que evitou assim um trabalho de desobstrução, que seria sempre necessária caso tivéssemos que penetrar pela abertura identificada no primeiro momento.

Imagem retirada na altura da descoberta pela pequena janela.
  Procedeu-se à limpeza e saneamento desta segunda via de ingresso, tendo o Samuel Lopes, em seguida, procedido à equipagem do acesso e poço, com suporte logístico do exterior.

Samuel Lopes em plena acção na equipagem do poço.

Concluída a equipagem coube-me a mim o privilégio de descer e fazer uma primeira análise do interior, que acabou por se revelar relativamente fácil não obstante uma tentativa realizada de desobstruir uma pequena passagem bloqueada por uma laje, encaixada na obliqua, que dava para um pequeno nicho, mas que devido à sua dimensão, não nos foi, na altura, possível levar a bom porte. 

Esse é, pois, um ponto ainda em aberto. A forma como a laje estava posicionada e a dimensão da abertura criava um ângulo morto, que, independentemente da forma como nos tentávamos colocar e "espremer" pelo entre a laje e a parede, não conseguimos vencer. 

Um ponto de interrogação que impõe uma nova ida ao local.

O algar em si é bastante simples e linear, como aliás de pode ver pela topografia, e que basicamente consiste no poço, com 14m, que dá na sua base para uma rampa em argila e pedra, que vai afunilando, e que termina num pequeno buraco no chão, que ainda chegou a criar alguma expectativa, e motivou uma pequena desobstrução, mas que rapidamente se mostrou infrutífera. Um pouco atrás, e na parede esquerda (Oeste), uma pequena fenda afundava, permitindo também por sua via escoar águas, mas com uma dimensão insignificante. Um pouco mais acima na rampa, e desta vez à direita (virado para Este), o pequeno nicho supra referido.

Mas melhor que esta breve descrição aqui ficam as imagens retiradas no momento da descida.


Por último, mas com toda a certeza um elemento da maior relevância para esta nossa actividade e para o conhecimento das cavidades, aqui fica topografia do Algar do Cogumelo, conduzida, como não poderia deixar de ser, pelo José Ribeiro, bem como a respectiva ficha de equipagem.

 

 
Alexandre Leal

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015


Prospecção e Exploração I

Um dia na Serra de São Bento

08 de Dezembro de 2016


Equipa- Alexandre Leal (GEM), Alexandra Leal (GEM)

A serra acordou fria e sob um manto branco de nevoeiro que nos acompanhou durante os primeiros 30 minutos de caminhada, mas que não resistiu ao sol que teimava impôr-se e que nos ajudou não só a encontrar o caminho, bem, com a ajuda imprescindível do gps, como a aquecer o corpo (e a alma) e afastar o vento que por vezes se fazia sentir.

A zona a cobrir apresentava-nos vários pontos já referenciados e cadastrados, que importava ver e analisar, e se possível explorar e fotografa. A progressão, ao contrario de outras zonas nas serras do Maciço Calcário Estremenho, não foi particularmente dificultada pela existência de muita vegetação, que aqui se apresentava esparsa e de pequeno volume, com vários trilhos a entre-cruzar os pontos que tínhamos fixado como objectivo.

A paisagem, um pouco austera mas pessoalmente de uma beleza e personalidade muito própria, prometia um dia emocionante...



Com o plano de ataque traçado, com uma equipa de exploração mínima, dirigimo-nos ao Curral das Éguas, que tinha identificado na minha lista como Algar das Éguas. 

O ponto estava um pouco afastado das coordenadas que tinha mas a Alexandra conseguiu rapidamente identificar a boca do algar, que se apresentava obstruída com lajes e pedras de dimensão bastante relevante. Bem visíveis estavam dois conjuntos de dois spits, já algo corroídos (um deles partido), numa das pedras de maior volume que ladeava a boca (na fotografia a rocha maior à direita, canto superior).


A  dimensão e colocação das pedras não favorecia a sua retirada, com base no equipamento disponível, pelo que fotografámos, por entre as pedras, o interior do poço e seguimos em frente.



Um pouco mais à frente, ladeando um pequeno trilho que passa ao longo de um dos muitos muros de pedra que  compartimentam o terreno, encontramos o ponto A111, um pequeno algar de não mais de 5 metros, que apresentava um parabolt de 12mm (o que impediu a sua descida por falta de elementos de equipagem com essa medida). Fotografámos e referenciámos para uma segunda saída, no sentido de garantir que não existe, como parece do exterior, qualquer possibilidade de progressão. 


   
Continuando, no sentido sul, chegámos a um campo de lapiás onde estava referenciado o ponto A112. Um lapiás muito interessante, com zonas de grandes afloramentos e pedra muito fracturada, e que uma análise mais apurada permitiu ficar com a ideia de que existe um espaço oco, por baixo, algo relevante.

Se na maioria dos casos o "teste da pedra" não revelava mais do que 2 ou 3 metros de profundidade, neste ponto A112, e no ponto que descobrimos cerca de 15m para sul, o ponto L1, apontava para profundidades mais significativas, uns 8 a 9 metros, um pouco menos no L1. A dificuldade reside no facto de, até ao momento, não se ter encontrado qualquer fractura de dimensão suficiente para permitir um ingresso e progressão, por mínima que fosse.





A exploração desta zona irá exigir trabalho de desobstrução duro e uma equipa operacional pronta para o seu ataque.

O ponto seguinte, que erradamente tinha identificado como Alecrineiros 3, e que na realidade seria o Alecrineiros 5, apresentou a primeira oportunidade de exploração efectiva.

Visíveis estavam dois spits colocados à boca do algar, num setup vertical. 


Com uma corda para fazer uma aproximação e equipagem em segurança, apliquei duas plaquetas e um cabo de 40m, que, pela análise do ponto de vista exterior, facilmente cobria a profundidade visível. Estas perspectivas iludem, e já na corda, uns 6 ou 7 metros abaixo, apercebi-me que o "fundo" era apenas uma pequena plataforma em rampa, e que o poço continuava bastante mais para baixo. Não era fácil perceber exactamente quanto, mas diria uns 15 ou 20 metros mais. Mas melhor do que palavras aqui fica o vídeo.


Escusado será dizer que este Algar irá merecer uma nova visitada para exploração e topografia. 

O ponto seguinte, o Alecrineiros 3 (que tinha identificado como Alecrineiros 2), não apresentava qualquer sinal de equipagem fixa, e confesso que não me senti muito confortável com a colocação de equipagem natural na rocha envolvente depois de ter conseguido a proeza de partir uma rocha com uns 30cm de espessura pela simples facto de ter colocado, sem grande força, o pé em cima... Foi aproximar-me da boca do algar para um fotografia para registo e seguir em frente. Posteriormente, e em conversa com o Pedro Robalo, confirmou-se a verdadeira identificação do ponto (Alecrineiros 3), que tem já topografia realizada.



Muito perto encontra-se o Algar da Toca. Uma pequena fractura pela qual se vê um apertado poço com uns 7 ou 8 metros de profundidade.
Procedemos à limpeza da zona envolvente, a colocação de um spit sobranceiro à abertura, e de uma linha de segurança e aproximação (que funcionava como segundo ponto de segurança no ataque ao poço, em regime de exploração). A dimensão reduzida da abertura, no entanto, não permitiu o ingresso, não obstante o trabalho de desobstrução, e alargamento da boca, realizado. O poço em si, apertado, irá necessitar de algum trabalho de "saneamento" de pedras instáveis e terra.

Uma próxima saída poderá trazer novidades.





Porque a luz fugia a passo acelerado e o frio acumulado já se fazia sentir tivemos tempo para a verificação de apenas mais um ponto, o A111 (ponto NT8 na imagem do google earth supra), um pequeno algar de cerca de 2,5m/3m, que desci em oposição e que se verificou não ter passagens ou forma de progressão, visíveis. De ressalvar, no entanto que um pequeno nicho redondo na base do poço, cujo substrato visível era terra/lama, parecia, pelo som do impacto por pedra, oco.


E, já com a luz muito reduzida, pusemos-nos a caminho do carro e um descanso merecido...


Alexandre Leal


            Um novo projecto,

                      Uma nova Aventura,

                                     Trazendo luz à escuridão...


Trazendo para a luz do dia a beleza soturna e misteriosa, por vezes fria, gélida, mas sempre majestosa  e impiedosa, do Portugal profundo, do Portugal Subterrâneo, do Portugal que "vive" e se transforma debaixo de nós.

É um local de encontro para trocar experiências, para dar a conhecer o que poucos têm o privilégio de viver e partilhar informação sobre espeleologia e o vasto património subterrâneo deste nosso Portugal.

É um local dedicado à exploração e aos exploradores. Aqueles que desbravam e conquistam novos territórios... aqueles que, com coragem, abnegação e paixão vão mais além, por caminhos nunca antes trilhados. Uma das últimas fronteiras a conquistar!

Outrora poderia ler-se "Here be dragons...", ou "Voltem para trás. Monstros e dragões", agora luzes iluminam paisagens de uma beleza sem igual.