Algar Eureka
Vale Florido, São Bento
28 de Janeiro de 2017
Coordenação - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Alexandra Leal (apoio à superfície )
Mini-equipa de exploração do espaço envolvente- Rodrigo Leal, João Diogo Leal
Como o trabalho não para e os vários pontos de exploração não dão descanso, decidi virar as atenções para o Algar Eureka, descoberto por Florbela Silva, situado a 6 metros do Algar das Raízes, e atacar a pequena e estreita passagem que separa a base do primeiro poço e o acesso ao segundo poço.
Em teoria a desobstrução/alargamento da passagem, atento às condições de trabalho e às dimensões da mesma, não representaria um esforço de maior. Paciência e um pouco de tenacidade, mas nada de muito complicado, em particular se os furos surtissem efeito...
... Pois bem, não foram tremendamente eficazes. Apenas o suficiente para quebrar e rachar a pedra em alguns dos casos, tendo exigindo depois um trabalho mais demorado com o "Mauler", Big e Small Mike. O "Mauler" em particular não teve descanso... foi sempre a bater. Com a mão direita, com a mão esquerda, com as duas no cabo, com uma no cabo e outra na cabeça. Enfim, como dava mais jeito a cada momento e o esforço ia permitindo.

Sem bateria, com os músculos cansados, e com o principal objectivo concluído, estava na altura do "apoio de superfície", com a minha ajuda, puxar o kitbag com o equipamento (o que não é de todo muito fácil atento à dimensão reduzida do poço cerca de 2m abaixo da abertura).
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Alexandra Leal (apoio à superfície )
Mini-equipa de exploração do espaço envolvente- Rodrigo Leal, João Diogo Leal
É o destino... Qual exploração atribulada de Howard Carter, em torno da qual se conjuraram histórias e mitos, O Poço do Enxofra continua a manter a salvo os seus mistérios. Desta vez problemas de última hora ditaram uma alteração de planos (e provavelmente um ajustamento nos calendários da exploração), o que acabou por permitir levar a família para a serra e aproveitarem um dia ao ar livre, e talvez até conhecerem o Unicórnio e o resto da manada.
Como o trabalho não para e os vários pontos de exploração não dão descanso, decidi virar as atenções para o Algar Eureka, descoberto por Florbela Silva, situado a 6 metros do Algar das Raízes, e atacar a pequena e estreita passagem que separa a base do primeiro poço e o acesso ao segundo poço.
Mas até nisto as forças conspiravam. O dia apresentava-se negro como breu, os céus fechados e cinzentos, e uma neblina cobria tudo o que era possível avistar. E se era suposto não chover, a verdade é que até as previsões do WindGuru, saíram goradas. Foram frequentes os aguaceiros que se fizeram sentir, o que dificultou o apoio à superfície.

A pouco e pouco lá fui retirando pedra e alargando a passagem até ao momento que me foi possível pela primeira vez colocar a cabeça "no outro lado", e vislumbrar a base do poço. Devo dizer que aquilo que vi deu-me alguma esperança. Nada de concreto, mas num dos lados da base, por baixo de uma pequena protuberância, a parede lateral não era visível, dando a sensação da existência de espaço "extra". Poderia ser apenas um pequeno nicho mas não era de excluir a existência de uma passagem inferior.
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| Em sentido contrário, o tecto do poço é bem definido. |
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| "Entalado" na passagem, enquanto puxava o capacete para cima, após ter obtido as primeiras imagens da base. |
Apesar de "aberta", a passagem permanecia, no entanto, bastante estreita, dificultando a progressão.
Com efeito, atento ao facto de estar a operar a solo no interior da cavidade, e também ao facto das baterias da torna se terem entretanto esgotado, o que dificultava de sobremaneira a equipagem de um pequeno corrimão de segurança e abordagem à cabeceira do segundo poço, não foi possível possível passar na totalidade para o outro lado e aí equipar e preparar a descida.
Em abono da verdade podemos dizer que os trabalhos de desobstrução não estão concluídos, sendo desejável alargar um pouco mais tanto o início da passagem como o fim, a saída que dá acesso à vertical, por forma a facilitar os trabalhos seguintes, algo que deverá ser relativamente fácil e rápido de executar, salvo alguma situação anómala ou imprevista.
Basicamente foi necessário subir o poço em oposição até à zona de maior constrangimento e aí guiar o kitbag pelo aperto, para só depois me colocar na corda e com alguma paciência (que ia por essa altura fraquejando) me esgueirar pelo "buraco" acima.
Cansado, molhado e com muita lama à mistura, mas com o sentido de dever cumprido. Avançou-se um pouco mais, com a certeza que na próxima saída a este algar conseguiremos descer o segundo poço.
O filme é um exercício um pouco à Manoel De Oliveira...
Muita pedra partida em planos apertados.
Estava na altura de desequipar e arrumar todo o equipamento, voltar a tapar a abertura, e levar os pequenos exploradores a provarem as moelas do Cantinho do Francisco... sim, porque não tinha ilusões quanto ao sucesso dos Molhinhos entre o resto da família Leal.
Um abraço,
Alexandre Leal






































