Algar Pena de Chão das Pias
Chão das Pias, Planalto de Santo António
04 de Fevereiro de 2020
Coordenação - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - Alexandre Leal (NEL)

Os esforços prosseguiram por cerca de 30 minutos mais, retirando pedra para o exterior, mas atento a esta nova realidade, agora confirmada, e com o foco já bem definido, o passo seguinte passaria por colocar dois pontos de segurança para nos permitir atacar com força redobrada e em total segurança, é que o objectivo seguinte é fazer desabar o chão debaixo dos nossos pés... Mas isso ficará para a próxima saída.
Também por uma questão de segurança e protecção da fauna local acabei por utilizar as pedras retiradas para bloquear o acesso à cavidade através da criação de um pequeno muro.
Com a corta nos 487m de altitude, este pequeno buraca num afloramento rochoso perto da cumeada pode não parecer muito.. Na verdade no local até pareceu mais insignificante, quando o voltei a rever no dia de hoje. Mas as aparências podem iludir... a localização é particularmente privilegiada, e o potencial está lá. Resta saber se temos sorte e conseguimos encontrar o caminho rocha abaixo até ao nível freático, e zonas fósseis.
Mas lá está, quando o revi não passava disso mesmo, um buraco... um buraco que urgia alargar, uma armadilha que era necessário desarmar, um puzzle que era preciso resolver. Com calma, paciência mas determinação.
O primeiro objectivo era conseguir atingir a "cabeceira" do pequeno poço que via metro e meio mais à frente e perceber os seus contornos, possíveis continuações ou aberturas, o que o estaria a bloquear.
E para isso era preciso alargar a abertura e a passagem inicial. A referida armadilha ao estilho de um bom filme do Indiana Jones. Puxas a pedra errada, no momento errado, no sítio errado e o teu dia não acabaria tão sorridente. Com o pé-de-cabra (AKA Big Mike) e o martelo, com umas ajudas reforçadas aqui e ali, fui conseguindo avançar paulatinamente.

... até que finalmente consegui abrir E estabilizar a passagem o suficiente para me permitir espreitar pela primeira vez para o interior do poço.
... também aqui nada de extraordinário. Nenhuma janela para um abismo natural por onde se ouvia o rio a correr. Um simples P1,5 ( mais coisa menos coisa), atafulhado com pedra, cascalho e terra, o maior bloco dos quais (visível na foto) acabar de cair, parte da última pedra que parti para aqui conseguir chegar.
Um pequeno, banal, buraco... mas ainda assim o potencial estava lá.
Poderia ser simples teimosia, obstinação, mas por um lado ainda era cedo, com muito tempo para trabalhar, por outro, bem, o instituto não me deixava parar, e lá pus as mãos à obra, literalmente.
Foi "saltar" para dentro do poço e compra a testar as "águas" com o "Big Mike", sondando a estabilidade, a profundidade da camada, e depois a tirar pedra para fora, muita pedra, ao longo de várias etapas.
![]() |
| ...e rapidamente a pedra tirada era o dobro desta. |
E sempre testando o chão. Ora junto à parede de fundo, ora de lado, ora um pouco mais acima, por baixo da zona onde descia... aí fazia-se notar um pouco mais uma camada de terra, que de um momento para o outro cedeu à pressão do Big Mike, permitindo que este se enterrasse na sua totalidade. Com ele no buraco fui rodando por forma a alargar um pouco mais, e entre as pancadas do capacete e da GoPro na parede ouço uma pedra a escorregar dentro do buraco e cair... 3m, 4m, não consigo dizer, mas caiu. Havia mesmo um vazio ali por baixo, o local exacto para centrar o esforço de desobstrução.
Também por uma questão de segurança e protecção da fauna local acabei por utilizar as pedras retiradas para bloquear o acesso à cavidade através da criação de um pequeno muro.
Grande abraço esperançoso,
Alexandre Leal











