Algar da Arroteia
Chão das Pias, Planalto de Santo António
26 de Agosto de 2017
Coordenação-Alexandre Leal (NEL), Orlando Elias (NEL)
Equipa 1 - Alexandre Leal (NEL), João Ferreira (NEL) e Pedro Galvão (NEL);
Equipa 2- Orlando Elias (NEL) e António Fael (NEL)
Facto que se veio a revelar infundado após o João, acedendo à sala pela via superior, ter constatado que o nível da água situava-se ligeiramente abaixo da base deste espaço, havendo uma pequena poça de água na entrada para o Sifão1, que no entanto estava perfeitamente acessível e com um nível de água relativamente baixo.
Equipa 2- Orlando Elias (NEL) e António Fael (NEL)
Com o trabalho da semana anterior por concluir e com uma equipa reduzida de apenas 3 membros para levar o trabalho a bom porto, antecipava-se um duro e árduo dia na frente de exploração... Havia uma bobine com 100m de tubo que precisávamos levar desde a superfície até à sala que antecede o Sifão1, e desse ponto esticar até unir com o tubo já colocado desde o Sifão 2 até à zona parcialmente submergida antes da Passagem da Concertina, e posteriormente começar o processo de drenagem deste Sifão.
Na ponta oposta a Equipa 2 tinha como missão mais uma investida no sifão terminal da Galeria Fóssil. A possibilidade de progressão afigura-se-nos real ainda que bastante controvertida, mas nada que assuste o Orlando... Pena foi que se esquecera do berbequim em casa! Visto pelo lado positivo, na próxima saída já lá está o material de desobstrução quase todo, sendo necessário levar apenas a referida ferramenta para a linha da frente. Estou confiante que à terceira é de vez.
Com maior ou menor dificuldade lá conseguimos transportar a bobine até à zona do meandro que começa no seguimento da base do Poço da Cascata, e depois, com calma e persistência, até à antecâmara da sala que antecede o Sifão1, pela via inferior, momento em que nos apercebemos do elevadíssimo nível de água neste sector, bem acima do usual, e que temíamos que viesse a resultar no bloqueio deste ponto crítico (Sifão1).
Facto que se veio a revelar infundado após o João, acedendo à sala pela via superior, ter constatado que o nível da água situava-se ligeiramente abaixo da base deste espaço, havendo uma pequena poça de água na entrada para o Sifão1, que no entanto estava perfeitamente acessível e com um nível de água relativamente baixo.
Esta situação poderá ter duas causas imediatas, que concorreram para este resultado. Em primeiro lugar o facto da bomba2, situada na base da vertical de cerca 3m, o ponto mais baixo de todo este sifão, ter estado inoperante por um tempo indeterminado durante a semana que antecedeu esta saída, situação resolvida na quinta-feira anterior quando contactada durante uma saída intercalar levada a cabo pela Equipa do Sifão da Galeria Fóssil.
Por outro lado verificámos que a água que estava a ser bombeada para a superfície estava a infiltrar-se em grandes quantidades muito perto do poço de entrada uma vez que a cisterna que estava a ser utilizada para colectar a água tinha sido deixada com a válvula aberta, situação resolvida pelo Orlando assim que chegou ao local de concentração.
Restava ver como estaria a passagem após a "Pedra do Demo". Claro está importava, em primeiro lugar, que lá chegar com o tubo e para o efeito (e após ter retirado o arnês e vestido o Neoprene) estabelecemos um plano de ataque. O Pedro ficaria na sala a desbobinar o tubo por forma a acompanhar a nossa progressão. À frente lá fui levando o tubo primeiro até à bomba2, e depois pela passagem superior até à Pedra do Demo, onde de facto constatei o elevado nível da água na passagem seguinte... Elevada mas que não parecia ser impeditiva de progressão.
No sentido de confirmar esta minha avaliação provisória chamei o João (que se encontrava junto da Bomba2) para este ponto enquanto me "aventurava" pela água dentro. Para o nosso alívio esta minha previsão confirmou-se e lentamente avancei primeiro até à curva à esquerda seguinte (ponto de desobstrução da campanha de 2016, aberto exactamente pela equipa que se encontrava na passagem, ou seja Alexandre Leal e João Ferreira), e posteriormente até ao espaço a seco anterior à Passagem da Concertina. O nosso objectivo, a ponta do tubo colocada na semana anterior, encontrava-se cerca de 6 ou 7 metros mais à frente, já dentro de água, a meio caminho para a Concertina.
Importava cortar uma parte desse tubo para corrigir uns vincos que colocavam em causa o processo de drenagem, tendo o João avançado para a ponta para efectuar essa tarefa e colocar a união que permitiria ligar as duas secções de tubo, a que já lá se encontrava e a que acabáramos de levar.
Com os níveis de água tão elevados, que elevaria (no pun intended) o risco em termos de segurança no que toca à implementação da estratégia pre-definida, ou seja, utilizar a bomba de 12v já colocada no Sifão2 para ferra o tubo, o que implicaria estarmos na frente até ao momento em que este sifão começaria a bombear para o Sifão1, optámos por recuar até à bomba2, para aí ligar a ponta do tubo ,que cortámos no ponto relativo aos 56m.
A utilização desta bomba oferecia as mesmas garantias de sucesso na operação eliminando os riscos associados à utilização da bomba junto do Sifão2. Com a ajuda do Orlando, que entretanto se juntara (com o Fael) à equipa 1 na sala que antecede o Sifão1, ligámos o tubo à bomba, que começou a drenar água em sentido contrário, necessário para encher completamente o tubo e posteriormente possibilitar o retorna da água e assim ferrar e permitir drenar por efeito da gravidade. Operação coroada de sucesso e executada num curto espaço de tempo.
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| Foto retirada do topo da vertical. Em baixo situa-se a Bomba2 que envia água para a represa na base do Poço da Cascata. Captada durante a Campanha de 2016. |
Retirado o tubo da bomba (a que se voltou a ligar o tubo que envia a água desta zona para a represa na base do poço da cascata) a água começava a fluir directamente da frente, e o processo de drenagem do Sifão2 tinha início.
Aproveitou-se a oportunidade para avaliar a altura relativa do Sifão2 face a esta posição específica, através de um teste simples (mais uma técnica importante aprendida no contexto de exploração).
Elevando-se lentamente o tubo ferrado o objectivo era identificar a altura a que este deixaria de bombear água, em virtude de se encontrar numa posição superior ao sifão de onde se estava a "chupar" a água. Como se antecipava, este ponto encontrava-se cerca de 3m acima da base, bem perto dos meus pés se atendermos à fotografia acima, o que garantia uma boa margem de manobra na drenagem das águas, esperando apenas que a ponta do tubo colocada no extremo oposto, por alguma razão, não venha a inviabilizar o processo.
Atendendo ao enorme volume de água que se pensa estar ligado ao sifão2 é provável que não seja possível qualquer progressão ou mesmo uma avaliação desse possibilidade já neste fim-de-semana, mas talvez na próxima quinta-feira possamos já ter uma ideia mais clara sobre este ponto.
Em qualquer dos casos devo dizer que estou bastante confiante sobre a margem de progressão neste sector. O objectivo principal é, neste momento, encontrar o ponto em que este nível suspenso, completamente atípico, dá acesso a maiores profundidades, afinal de contas temos ainda um grande desnível para vencer até as águas atingirem a profundidade em que vão, no final, originar ou alimentar as exsurgências do Lena.
Com a tarefa concluída, quer dizer estava na altura de regressarmos à superfície e começar a preparar a próxima saída. O trabalho não para e nós também não.
Abraço cansado,
Alexandre Leal




































