Algar da Sombra das Pombas
Cabeça das Pombas, São Bento
14 de Janeiro de 2018
Coordenação - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Hugo Costa (NEL) e posteriormente Filipe Santos.
A solução era mesmo tentar partir a pequena aba inferior que impedia a passagem para o outro lado, por mais incómodo e difícil que fosse a posição para lá chegar, e para este trabalho o Hugo adequava-se bastante melhor, tomando ele a dianteira.
Antes de começar a limpar a janela para a "Sala dos Blocos Rolantes" coloquei um spit, a meio caminho entre a "Passagem do Triângulo" e a janela, como ponto de aproximação, por forma a dar não só uma maior segurança no trabalhos como permitir, posteriormente, equipar a vertical já no outro lado da janela, suspenso sobre o vazio. Depois foi "partir pedra" e esbater arestas.
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Hugo Costa (NEL) e posteriormente Filipe Santos.
Após algumas semanas a explorar e topografar cavidades na zona da Pia Carneira, e área a sul da Curraleira, algumas das quais ainda em exploração, proporcionou-se finalmente o regresso, oito meses depois da primeira abordagem à cavidade, aos trabalhos no Algar da Sombra das Pombas.
Não posso, no entanto, deixar de colocar aqui algumas fotografias a ilustrar os trabalhos realizados nas semanas anteriores, antes de partir para a descrição da exploração deste domingo.
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| Algar da Sala Grande da Pia Carneira |
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| Algar da Sala Grande da Pia Carneira |
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| Algar do Samuel 2 |
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| Algar do Samuel 2 - Terminus do Algar |
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| Fraga da Pia Carneira |
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| Fraga da Pia Carneira |
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| Fraga da Pia Carneira |
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| Fraga da Pia Carneira |
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| Fraga da Pia Carneira |
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| Fraga da Pia Carneira |
De regresso ao presente tenho que confessar que já há muito esperava por este regresso. Mais do que confiantes tínhamos a certeza que do outro lado da passagem que havíamos começado a desobstruir e alargar, a "Passagem do Triângulo" (devido à forma que tinha quando fora descoberta), iríamos encontrar um qualquer tipo de poço. Não sabíamos a sua forma ou dimensão mas sabíamos que estava lá.
Mas para além de confiantes estávamos também decididos a concluir o trabalho. Não ponderávamos outro cenário que não a abertura da passagem e a descoberta e exploração do espaço seguinte. Esse era o nosso espírito à partida, mesmo com um frio de rachar que se fazia sentir enquanto nos equipávamos e preparávamos o material para levar. A nossa sorte é que o céu se apresentava, àquela hora, limpo... cenário que se veio a alterar perto das 15h, mas já lá chegaremos.
Com o poço de entrada equipado e descido o plano traçado sofreu logo uma ligeiríssima alteração. O primeiro objectivo passou a ser o resgate de 5 salamandras e 2 tritões que encontrei na zona imediato local de descida, por entre pedras e algum lixo humano para lá mandado. Para o efeito o Hugo desceu com um saco, onde foram depositados os espécimes, alguns dos quais bastante magros, para voltar a subir à superfície e proceder à sua libertação em zona afastada da entrada do algar.
Enquanto isso fui levanto o material para a zona de intervenção para preparar o começo dos trabalhos, que não tardou a estar em pleno desenvolvimento.
O cenário não era o mais fácil. O espaço era diminuto, sem amplitude de movimentos, e a pedra rija, difícil de partir. Ao som do martelo a vibração e o toque parecia, a dados momentos, chegar a ser metálico.
No sentido de aumentar o espaço e assim permitir atacar a parte mais apertada da passagem tentámos em primeiro lugar alargar um pouco mais logo no início, mas sem grande sucesso. A pedra recusava-se a partir de forma minimamente significativa.
A solução era mesmo tentar partir a pequena aba inferior que impedia a passagem para o outro lado, por mais incómodo e difícil que fosse a posição para lá chegar, e para este trabalho o Hugo adequava-se bastante melhor, tomando ele a dianteira.
A pouco e pouco, utilizando uma série de recursos e técnicas diferentes mas complementares lá fomos enfraquecendo a pedra até que a dado momento a sentimos rachar... estava para breve o momento que tanto ansiávamos.
Com o pé-de-cabra (Big Mike) e o martelo (Mauler) conseguimos finalmente forçar vencer o desafio. Parte da pedra que constituía aquele bloqueio foi enviado para o outro lado, outra parte trazida para traz. Maior, bastante maior, mas ainda não o suficiente para passar. Foi necessário mais uns 20m de trabalhos a partir umas quinas aqui e uns altos ali até que nos pareceu ser possível a sua passagem. E a verdade é que o Hugo, avançando lentamente, lá conseguiu passar para o lado de lá, para um pequeno nicho cujo a base se situava cerca de 1,70m abaixo da passagem...
...e o regozijo não se fez esperar. Do outro lado o Hugo gritava de contentamento. Aparentemente haveria uma sala enorme do outro lado, e o eco das suas palavras parecia confirmar as suas observações.
Mas primeiro, e antes que tudo, seria necessário alargar um pouco mais a "Passagem do Triângulo", não só para permitir que eu alcançasse o outro lado como para "simplificar" a passagem de volta, tarefa que se mostrava agora bastante mais facilitada, uma vez que do outro lado a liberdade de movimento e espaço de trabalho era completamente diferente, ainda que o raio da pedra, rija como aço, se recusasse a ceder facilmente. A vontade, essa, era indomável e mais esforço menos esforço, lá se alargou o suficiente para tentar a minha sorte.... mas só a segunda consegui passar. Foi preciso ajustar o equipamento e tentar virado de outra forma para, com calma, me juntar ao Hugo e vislumbrar, pela primeira vez, o que o havia deixado tão entusiasmado.
Menos de um metro para a direita da passagem a parede estreita, formando uma janela irregular e cheio de "dentes-de-cão" para uma sala de dimensões assinaláveis, cuja base ficaria uns 8 metros mais abaixo, formando uma rampa que se "precipitava" para uma zona dominada por 4 (os que eram visíveis) grandes blocos que haviam caído do tecto. Toda aquela zona havia sofrido vários e massivos abatimentos, com estratos horizontais relativamente bem definidos nas paredes e com alguns blocos "em lista de espera".
Era fácil perceber a excitação do Hugo, especialmente depois de perceber-mos que por debaixo dos blocos no final da sala havia uma outra vertical. As pedras a rolar assim o indicavam de forma clara e inequívoca.
Era preciso equipar pontos de segurança para permitir iniciar o alargamento da passagem de acesso ao poço, mas com as baterias da minha torna no nível zero, após os trabalhos de desobstrução da "Passagem do Triângulo", e atendendo também às horas, foi decidido interromper os trabalhos para almoço bem como para possibilitar que o Hugo fosse buscar um berbequim e baterias para fazer face os trabalhos que se seguiam.
No regresso à superfície encontrámos o Filipe à nossa espera à boca do algar, que se juntou à equipa após uma passagem rápida pelo "Cantinho do Francisco" para uma moelas quentinhas...
O céu limpo da manhã deu lugar a um céu carrancudo e pesado que viria a abrir as comportas quando saímos voltávamos ao buraco. Mais um incentivo para descermos às profundezas da terra.
Com berbequim e carga suficiente (três baterias disponíveis dava muita margem de manobra) começamos por equipar um ponto de segurança logo antes da passagem, para permitir descer em segurança para o nicho inferior mesmo quando tivéssemos aberto a janela para a sala seguinte.
Em seguida o Hugo, já do outro lado, terminou de alargar a "Passagem do Triângulo", que agora mais parece uma auto-estrada.
Antes de começar a limpar a janela para a "Sala dos Blocos Rolantes" coloquei um spit, a meio caminho entre a "Passagem do Triângulo" e a janela, como ponto de aproximação, por forma a dar não só uma maior segurança no trabalhos como permitir, posteriormente, equipar a vertical já no outro lado da janela, suspenso sobre o vazio. Depois foi "partir pedra" e esbater arestas.
Não concluímos esta parte dos trabalhos mas foi aberto o suficiente para conseguir encontrar um ponto minimamente adequado à colocação de um fracionamento (em modo de exploração, que será reforçado com um outro na próxima saída) sobre a vertical, por forma a permitir descer até à base da sala, e ficarmos com uma melhor ideia do que nos espera na próxima saída.
Parte das pedras que constituem a rampa descendente apresenta-se já relativamente "estabilizada" por uma pequena camada de calcite cinzenta escura. Teremos no entanto que sanear o resto da rampa, em particular a zona perto da cabeceira do terceiro poço, por forma a reduzir ao mínimo o risco da queda de pedras enquanto descemos a próxima vertical.
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| Visão o tecto da sala, bem lá em cima- Visíveis alguns dos blocos "em lista de espera". |
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| Grandes blocos que bloqueiam parcialmente o acesso ao terceiro poço. |
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| Visível o pequeno espaço (à direita da sombra na rocha) entre o bloco e a berma da rampa por onde as pedras rolam e caiem. |
Em princípio, com base nos dados até agora recolhidos e que terão que ser confirmados na próxima saída, a opção para a equipagem deste terceiro poço será na parede oposta, para além dos blocos caídos, uma vez que se nos afigura, até prova em contrário, ser essa a via mais directa, muito ao jeito do segundo poço no Algar do Maroiço.
Para o efeito deveremos equipar um pequeno corrimão de segurança, que permita alcançar o local sem perigo de queda, mas vamos deixar esses pormenores para a próxima actividade.
Com o sentido de trabalho concluído com êxito, e até porque a hora tardia já se fazia sentir, estava na altura de ir subindo e desequipando.
Agora é preparar a próxima saída e ver onde o terceiro poço nos leva. A zona (Cabeça das Pombas) é propícia a algares de média profundidade. Pode ser que este nos surpreenda, ainda mais, quero dizer.
Um abraço,
Alexandre Leal




















