Algar do Cabeço Renhal 3
Bezerra, Serro Ventoso
03 de Maio de 2019
Coordenação - Alexandre Leal.
Equipa - Alexandre Leal
Após uma saída preliminar de prospecção, levada a cabo no domingo anterior com a ajuda da espeleóloga Alexandra Leal (não, não é erro, é mesmo a minha cara-metade), onde foram identificadas três cavidades (e um outro ponto que necessita ser examinado com mais atenção), bem como uma primeira abordagem ao já explorado "Algar do Cabeço Renhal 1" (CEAE), para futura descida até à base para registo vídeo, o regresso neste dia estava marcado para a exploração do Algar da Bezerra Alexandre 2, re-designado "Algar do Cabeço Renhal 3", a última das cavidades identificadas.
Não obstante os muitos kilos de equipamento às costas, e o dia seco e muito quente, com um sol a "apertar", decidi optar por percorrer um "trilho" diferente até à cavidade.
O objectivo era cobrir mais terreno, em regime de prospecção... Nunca se sabe o que se vai encontrar do outro lado de um pequeno arbusto, ou no centro de uma pequena depressão. E não muito longe do Cabeço Renhal 3 ali estava outro "buraco", rapidamente baptizado "Cabeço Renhal 4", e registado para futura exploração, que se veio a realizar já no final do dia, em contra-relógio.
Três minutos depois estava a colocar no chão os dois sacos de material, a colocar o arnês e a colocar uma cinta para uma equipagem natural para a corda como elemento segurança para os trabalhos de desobstrução a executar. Era uma precaução que se exigia desconhecendo eu a real abrangência e localização certa do poço, bem como a integridade da zona da cabeceira.
Bem, e depois foi partir pedra, tirar pedra, tirar terra, e mais pedra, e mais terra. Alguns dos blocos eram de dimensão relevante que colocaram alguma dificuldade (e muito esforço) para conseguir retirar de dentro da passagem sobranceira ao que posteriormente se veio a revelar o poço de entrada. Um pouco de ginástica e "algum" desgaste físico e os trabalhos iam avançando.
Alguns dos blocos finais acabaram por ser enviados para baixo atendendo à sua colocação e dimensão, apesar de alguns necessitarem de ser previamente "quebrados".
Com o poço aberto e estabilizado/saneado coloquei um parabolt no ponto que me oferecia mais segurança, com a expectativa de colocar um outro, mais abaixo, para permitir uma descida sem qualquer tipo de roço.
A verdade é que a pedra não era muito boa, por um lado, e por outro, estando em regime de exploração, e o facto da descida não oferecer qualquer tipo de problema, não obstante a existência de um roço cerca de 2m abaixo (mas que não apresentava uma natureza minimamente crítica), acabei por descer logo até à base do poço, um espaço relativamente pequeno, coberto com muitos blocos caídos, que descia em rampa cerca de 2 metros mais.
No total a cavidade, para além desta zona inicial, tinha 3 nichos de pequena dimensão, dois dos quais adjacentes à zona de descida, e o terceiro, de maior dimensão ( em termos relativos), a que se acedia, via oposição, através de uma janela numa das paredes no fundo da rampa.
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| Zona terminal da cavidade, no fim do nicho encontrado na base da rampa. Acesso via oposição por janela so |
Não foram identificadas quaisquer vias de progressão pelo que se procedeu de seguida ao levantamento dos dados topográficos com vista à realização da topografia da cavidade...

... findo o qual utilizei os blocos de maior dimensão que havia retirado durante a desobstrução do acesso à cavidade/ cabeceira do poço para, de alguma forma, protegermos o acesso ao poço, e evitar quedas acidentais, em particular de animais.
Depois de uma pequena pausa para hidratação e recolher e arrumar o equipamento utilizado, e porque o tempo já se fazia curto, reverti os passos até à cavidade que havia encontrado no caminho até aqui para uma rápida exploração preliminar. O objectivo era simples. Tentar perceber se havia forma de progressão da sala que se via na base do pequeno poço.
Tinha tudo para ser uma visita rápida, mas o raio da pedra não ajudou nada à equipagem da cabeceira. Não encontrei forma de usar uma natural na cabeceira, que acabei por colocar a cerca de 3m, como ponto de aproximação, e a pedra apresentava algumas fragilidades. Na verdade alguns dos blocos visíveis na imagem eram algo manhosos, não conseguindo perceber o quão resistentes e sólidos eles eram. Apresentavam várias fracturas, algumas das quais obscurecidas por terras e musgos, e uma martelada não muito forte fez soltar um lasca grande de uma das faces. Por outro lado, as faces que pareciam mais resistentes ou tinham uma pequena dimensão ou apresentavam dificuldades no ataque à vertical e iriam exigir um outro ponto ou desviador.
Acabei por colocar por improvisar uma equipagem flexível, colocando um parabolt numa face horizontal, para a colocação de um anel onde apliquei uma cinta de dyneema e assim equipar a corda já na vertical, funcionando, basicamente, como uma AS.
Sem grandes surpresas a cavidade não oferecia forma de progressão para além de uma rampa que terminava cerca de 2 metros mais à frente.
Estava na altura de subir, arrumar tudo e fazer-me à estrada, cansado mas com a alma cheia, pronto mais mais.
Grande abraço,
Alexandre Leal














