Prospecção
Alqueidão, Serra dos Candeeiros
29 de Maio de 2016
Equipa - Alexandre Leal, com 3 "guias" locais
Hoje tinha planeado o regresso ao Algar da Cheira para continuar os trabalhos. Tudo preparado, inclusive as anilhas a aplicar nos spits da cabeceira no sentido de lhes conferir um pouco mais de estabilidade (sobretudo impedir as plaquetas de rodar e dar-lhe maior superfície de contacto), na esperança de recuperar durante a noite os níveis de operacionalidade física que me exijo para acções desta natureza. Tal não se verificou, pelo que, e em especial atento à exigência física dos objectivos traçados e à necessária capacidade exigida para reagir a imprevistos, os planos foram alterados e inverti o caminho para o Alqueidão, em busca da "prometida" indicação para o Algar do Cabeço da Pedreira.
Identificado o ponto de "encontro", o café local, rapidamente se estabeleceu uma interessantíssima conversa e partilha de histórias sobre a serra e vistas locais. As gentes com quem tive o prazer de contactar foram de uma simpatia e abertura extrema (ficou prometido a minha participação na caminhada do próximo ano até às Lapas - ver publicação anterior), e enquanto o nosso guia acaba os seus afazeres, foi-me mostrado as entradas para as minas de carvão da localidade, já desactivadas, e votadas ao abandono. Foi-me contado que o carvão extraído do Alqueidão era posteriormente transportado por carros de bois até à Bezerra para aí ser transportado pelo comboio cuja linha servia as minas dessa Localidade.
Um regresso muito breve ao Alqueidão para apanhar o resto da equipa, e lá fomos nós serra acima, seguindo as direcções do nosso guia.
O objectivo estava traçado. Marcar o designado Algar do Cabeço da Pedreira que, entretanto me foi dito teria sido já descido por membros de uma corporação de bombeiros, embora se se desconhecesse se teria sido alcançado o seu ponto mais profundo. Um pequeno trekking após termos descido do Jipe e lá estávamos nós perante a abertura para o algar, num afloramento rochoso bem interessante.
O interesse crescia à medida que ia destrepando a passagem, com o cuidado que se exigia para reduzir ao mínimo o impacto da minha passagem nas muitas, e sensíveis, formações a que tenho por hábito designar de "dentes de cão". Não sei se foram "eles" que me "morderam" ou uma qualquer aresta afiada, mas não saí sem uma lembrança na mão direita. E lembrança porque não me esquecerei na próxima de levar as luvas, ainda que seja por breves instantes.
A análise da cavidade, necessariamente rápida, permitiu identificar vários pontos de interesse que irão requerer uma atenção particular e trabalhos de desobstrução por forma a consolidar, ou por outro lado refutar, a sensação que me criaram de possível progressão.
Mas o tempo urgia e lá partimos para o "Algar das Figueiras" (que mais tarde confirmei fazer já parte do Cadastro de São Bento), que apresentava também um perna à cabeceira, e como tal presumimos que terá já sido descido. Apesar da entrada estar obstruída em grande parte pela figueira que lhe dá o nome era perceptível a dimensão bastante interessante da sala de entrada. Desconhece-se, nesta altura, o desenvolvimento deste Algar.
Antes de darmos por fim a saída houve ainda tempo para marcarmos o "Algar da Cabeça Gorda", "tapado" por uma chapa de zinco(?), "para evitar que algum animal caísse". Uma pequena boca mas ee uma profundidade considerável, diria perto ou superior a 40m (mas isso vale o que vale), apresentava dois spits à boca já muito oxidados e inutilizáveis.
A caminho deste Cabeça Gorda ainda marquei um ponto de interesse, a explorar numa próxima saída. Uma pequena abertura que descia em rampa cerca de 3 metros que que me parecia aí se encontrar obstruída com blocos.
Já de regresso a Alqueidão houve ainda tempo para uma breve paragem junto à Lagoa Grande situada ao longo da estrada que liga o Arrimal ao Alqueidão do Arrimal, para indicar a zona (genérica, no meio das oliveiras que se podem ver na fotografia) onde se situaria uma "buraco que engolia muita água e que nunca se engasgou". Um possível sumidouro. A confirmar.
E assim acabou. De volta ao Alqueidão ainda tempo para uma "rodada", mais um pézinho de conversa, e os meus agradecimentos pela inestimável ajuda na localização destes pontos, num muito agradável périplo pela serra. Depois de volta à estrada que ainda são uns valentes Km até casa ;)
Lentamente, paulatinamente, o mapa da Serra dos Candeeiros lá se vai compondo, e os seus segredos divulgados...
Um abraço cavernícola,
Alexandre Leal







