quarta-feira, 11 de maio de 2016

Algar da Cheira

Vale Florido, São Bento

11 de Maio de 2016



Equipa - Alexandre Leal





De volta ao Algar da Cheira, e se a memória não me atraiçoa pela quarta vez, focando os esforços, mais uma vez, na desobstrução do segundo poço e no sector das estreitezas.


O dia estava particularmente cinzento, e o termómetro do carro marcava 5º à saída de casa. A chegada a Vale Florido confirmou as previsões meteorológicas. Embora o termómetro marcasse já 11º o céu apresentava-se carregado, cinzento e com uma nebulosidade bem baixa, ameaçando abrir as "comportas". E de facto não tardou muito, ainda que de forma mais suave do que esperava... O suficiente para molhar.


Equipada a cavidade, a descida fez-se rapidamente e sem percalços.  Foi colocado um roçador na zona terminal da parede onde o rappel passa a suspenso, para evitar danos evitáveis na corda. Já na base estava na altura de retirar o arnês que, com o backpack de equipagem, ficou para traz seguindo apenas o backpack com as ferramentas e mantimentos.

O primeiro objectivo do dia era analisar o poço intervencionado na saída anterior. Em concreto passar a zona desobstruída descendo em oposição para o pequeno nicho revelado na sequência do pequeno poço. 

Uma manobra relativamente fácil apesar de a ter feito com alguma apreensão (e muito cuidado) uma vez que não era possível, em absoluto, ver onde os pés eram colocados e em que faziam pressão, e não sabia a consistência/resistência da base, uma vez que estava convencido que esta era apenas mais uma secção entulhada com pedra caída e relativamente consolidada com a ajuda da omnipresente argila. Por azar a gravação ficou inutilizada uma vez que a lente da GoPro se encontrava completamente embaciada (facto que só me apercebi aquando da visualização das imagens). 

Formação sobre a zona do poço 
As primeiras impressões confirmaram-se de forma particularmente feliz. Com efeito, parte relevante da base do nicho era constituída por blocos e pedras caídas que criaram, com a ajuda da argila, mais um tampão sobre uma área vertical, que após ser parcialmente desobstruída se revelou ter cerca de 150cm. Mas também aqui a profundidade não deve ser vista como definitiva. Todos os indícios, as terras e pedras caídas visíveis na "base", mas sobretudo o pequeno espaço negro  visível junto à base de uma reentrância na parede, indicando um vazio, apontam para a continuação da vertical, exigindo mais trabalho de desobstrução, que não se afigura fácil atento às condições de trabalho e a atenção necessária a possíveis movimentações indesejadas devidas à instabilidade  do local.

O esforço exercido para a remoção de três "grandes" blocos, em particular atento à posição em que a força era exercida exigiu uma interrupção da desobstrução nesta zona. Alguns músculos foram particularmente massacrados, pelo que estava na altura (após hidratação e um rápido "repasto") de dirigir a minha atenção para o outro sector, não menos exigente mas que definitivamente massacra outras áreas corporais... Era tempo de voltar ao sector das estreitezas.

Neste sector o objectivo estava identificado. Continuar a desobstrução da passagem mais promissora (e é de facto muito promissora), que parte da parede da direita e dará acesso a uma zona ampla, ainda que em termos relativos uma vez que mantém uma altura bastante reduzia na área que é visível, em que parte desta vai em sentido descendente, em rampa. São visíveis várias formações, inclusive colunas, o que aliás ajuda a criar bastantes ângulos mortos. Certo é o sopro que se sente. Não que seja particularmente impressionante mas é indesmentível. A barreira é uma zona mais estreita, com pequenas formações, e que exigiu uma desobstrução de grande quantidade de argila na zona imediatamente anterior, por forma a permitir uma melhor colocação do corpo e a sua transposição. Estou confiante que na próxima saída poderei passar esse ponto e aceder à área seguinte. 



E agora que sentia todos os músculos do corpo estava na altura de regressar à superfície e repor as forças e o calor (a lama e a água não perdoam)... As paragens no "Bigodes" já se tornaram obrigatórias. Aquela sopa de pedra faz milagres.





   

 Um abraço e até à próxima,
Alexandre Leal









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