Algar das Fontainhas 1
Fontainha, São Bento
6 de Novembro de 2019
Coordenação - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - Alexandre Leal (NEL)
Numa saída realizada na semana passada, mais concretamente no dia 30 de Outubro, havia estabelecido como objectivos fazer uma segunda abordagem à Lapa das Fontainhas, no sentido de se analisar e explorar alguns pontos identificados e designados como pontos de interrogação aquando da primeira visita (sobretudo por à altura estarmos já sem qualquer tipo de equipamento, nomeadamente luz adequada), e aproveitar o tempo remanescente para fazer uma prospecção na zona circundante.
No que à Lapa das Fontainhas diz respeito, a sua exploração não veio a revelar qualquer possibilidade de progressão ou ponto que necessitasse qualquer tipo de intervenção ou análise posterior. Basicamente os pontos que tinham ficado por analisar eram pontos terminais.
Já a prospecção veio a revelar um algar situado não muito longe da Lapa, diria não mais de 40/45m de distância. No meio da vegetação rasteira/baixa e numa zona com bastante musgo alguns afloramentos rochosos chamara-me a atenção... e no meio de algumas desilusões lá estava ela, uma abertura para as profundezas... rasteira como a vegetação, desenvolvendo-se por baixo de alguns blocos que tapavam o perímetro do poço, lá estava ela a chamar por mim, a sussurrar "Vem, atreve-te! Aventura-te... desce-me"
E assim fiz!
Não havia muito a decidir. Esta semana, entre dois dias passados em audiências de julgamento em três tribunais diferentes, e num dia que se veio a revelar mais cinzento do que havia antecipado, o objectivo era claro: explorar o "buraco" que designei como Algar das Fontainhas 1.
Pelo que tinha visto aquando da sua identificação tinha pensado na colocação de uma natural, uma cinta colocada numa ponte de pedra localizada na zona central por cima da abertura, que com um parabolt iria permitir colocar a corda o mais centrada e afastada possível das paredes do poço. O problema é que a realidade as mais das vezes não se conforma com as nossas expectativas.
A ponte de pedra não oferecia os mínimos de segurança. Na verdade não era sólida, apresentando uma fissura (de dimensão variada e "obscurecida" por musgos e terra) junto ao bloco da direita. A acrescer, a qualidade da pedra, de toda a pedra, era muito fraca. Partia muito facilmente, apresentava múltiplas fissuras, era muito irregular, e sem zonas com amplitude, dimensão suficiente, em local adequado, para aguentar a pressão causada pela colocação de um parabolt, até porque havia sempre um oco por trás ou por baixo.
A opção foi a colocação de uma cinta à volta do bloco de maior dimensão, à esquerda da abertura, como primeiro ponto de segurança, e utilizar um pequeno "furo" nesse mesmo bloco em zona já sobranceira ao poço para colocar uma segunda cinta, desta feita de dyneema (até porque era a única que conseguia fazer passar no orifício, e que mesmo assim requereu muita paciência e trabalho, fazendo uso de pequenos galhos para o efeito) e que iria permitir uma maior flexibilidade na descida.
E depois era descer e ver o que a cavidade nos revelaria... O poço em si era um pouco mais profundo do que havia antecipado na saída anterior, cerca de 10 ou 12m, e que alargava para a direita (da perspectiva em que atacamos o poço).
A sua base, coberta por muita pedra partida, fruto de múltiplos abatimentos, assumia uma forma longitudinal, com uma das pontas afunilando e fechando pouco mais de um metro à minha frente (zona 1), enquanto que o lado oposto apresentava um pouco mais de desenvolvimento, em sentido ligeiramente descendente, com duas zonas que se vieram a revelar terminais, uma directamente em frente (onde confluíam duas pequenas passagens laterais/chaminés, que não permitiam qualquer progressão, designada por zona 2), e uma segunda, um pequeno nicho, na parede da direita, onde encontrei ossadas de animal (zona 3).

Todas as pequenas aberturas encontradas ao longo da base e nas várias zonas terminais não revelou qualquer possibilidade de progressão ou dimensão minimamente relevante.
Ao rever o vídeo, no entanto, facto que reforça a mais valia da documentação por vídeo das saídas de exploração, verifiquei a presença de um ponto que confesso não me lembrar de ter testado e que poderá ter algum interesse analisar, até porque fica na base da zona 2, por onde que se infiltra pela cavidade parece ser canalizada.
Um ponto de ? a resolver numa futura saída.
De realçar a presença de algumas formações e mantos calcíticos de uma certa beleza.
De volta à superfície, depois de desequipar o algar, foi colocar o equipamento às costas e continuar o esforço de prospecção daquele ponto para Oeste Noroeste., para além do cruzamento do moinho, esforço esse que continuou após o almoço, mas já desequipado, estendendo-se até à zona de confluência com o sector do Cabeço as Pombas... sem sucesso.
Havia já regressado ao carro, determinado a regressar a casa quando acabei por decidir para estacionar um pouco mais à frente, perto do local onde o Calhorda efectuou o seu furo de água, para fazer uma primeira abordagem à zona da encosta oposta à da Lapa e Algar das Fontainhas 1, mais perto da povoação propriamente dita... decisão essa acompanhada pelo início da chuva, o que me fez acelerar o passo, mas que não me impediu de identificar uma nova cavidade,, o Algar das Fontainhas 2, escondida, tapada por chapa e pedras para evitar algum incidente com animais que utilizam o chouso em causa, a julgar pelos muitos dejectos encontrados.
Com a falta de tempo, a chuva, pelo facto de estar já desequipado, pelas dificuldades inerentes às características da abertura (instabilidade, falta de solidez e rocha de dimensão e estabilidade suficiente para permitir colocar ancoragens), até porque o poço era pequeno, um P3/P4 e não parecia dar acesso a uma sala com qualquer forma de progressão, a opção tomada foi voltar ao carro para pegar no capacete e numa corda para o fazer descer e captar imagens que permitissem dissipar qualquer dúvida existente.
E de facto as imagens captadas, apesar de não serem 100% esclarecedoras, não revelaram qualquer passagem ou forma de progressão a partir da pequena sala que encontramos na base do poço de entrada. Mas a existência do algar em si naquela zona não deixa de ser prometedor, e reforça a necessidade de continuar a prospecção.
Mas isso fica já para outro dia...
E assim fiz!
Não havia muito a decidir. Esta semana, entre dois dias passados em audiências de julgamento em três tribunais diferentes, e num dia que se veio a revelar mais cinzento do que havia antecipado, o objectivo era claro: explorar o "buraco" que designei como Algar das Fontainhas 1.
Pelo que tinha visto aquando da sua identificação tinha pensado na colocação de uma natural, uma cinta colocada numa ponte de pedra localizada na zona central por cima da abertura, que com um parabolt iria permitir colocar a corda o mais centrada e afastada possível das paredes do poço. O problema é que a realidade as mais das vezes não se conforma com as nossas expectativas.
A ponte de pedra não oferecia os mínimos de segurança. Na verdade não era sólida, apresentando uma fissura (de dimensão variada e "obscurecida" por musgos e terra) junto ao bloco da direita. A acrescer, a qualidade da pedra, de toda a pedra, era muito fraca. Partia muito facilmente, apresentava múltiplas fissuras, era muito irregular, e sem zonas com amplitude, dimensão suficiente, em local adequado, para aguentar a pressão causada pela colocação de um parabolt, até porque havia sempre um oco por trás ou por baixo.
A opção foi a colocação de uma cinta à volta do bloco de maior dimensão, à esquerda da abertura, como primeiro ponto de segurança, e utilizar um pequeno "furo" nesse mesmo bloco em zona já sobranceira ao poço para colocar uma segunda cinta, desta feita de dyneema (até porque era a única que conseguia fazer passar no orifício, e que mesmo assim requereu muita paciência e trabalho, fazendo uso de pequenos galhos para o efeito) e que iria permitir uma maior flexibilidade na descida.
E depois era descer e ver o que a cavidade nos revelaria... O poço em si era um pouco mais profundo do que havia antecipado na saída anterior, cerca de 10 ou 12m, e que alargava para a direita (da perspectiva em que atacamos o poço).
A sua base, coberta por muita pedra partida, fruto de múltiplos abatimentos, assumia uma forma longitudinal, com uma das pontas afunilando e fechando pouco mais de um metro à minha frente (zona 1), enquanto que o lado oposto apresentava um pouco mais de desenvolvimento, em sentido ligeiramente descendente, com duas zonas que se vieram a revelar terminais, uma directamente em frente (onde confluíam duas pequenas passagens laterais/chaminés, que não permitiam qualquer progressão, designada por zona 2), e uma segunda, um pequeno nicho, na parede da direita, onde encontrei ossadas de animal (zona 3).
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| Zona 1 |
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| Base do nicho, Zona 3. |
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| Uma das pequenas passagens encontrada na Zona 2 |
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| Base da Zona 2. |

Todas as pequenas aberturas encontradas ao longo da base e nas várias zonas terminais não revelou qualquer possibilidade de progressão ou dimensão minimamente relevante.
Ao rever o vídeo, no entanto, facto que reforça a mais valia da documentação por vídeo das saídas de exploração, verifiquei a presença de um ponto que confesso não me lembrar de ter testado e que poderá ter algum interesse analisar, até porque fica na base da zona 2, por onde que se infiltra pela cavidade parece ser canalizada.
Um ponto de ? a resolver numa futura saída.
De realçar a presença de algumas formações e mantos calcíticos de uma certa beleza.
De volta à superfície, depois de desequipar o algar, foi colocar o equipamento às costas e continuar o esforço de prospecção daquele ponto para Oeste Noroeste., para além do cruzamento do moinho, esforço esse que continuou após o almoço, mas já desequipado, estendendo-se até à zona de confluência com o sector do Cabeço as Pombas... sem sucesso.
Havia já regressado ao carro, determinado a regressar a casa quando acabei por decidir para estacionar um pouco mais à frente, perto do local onde o Calhorda efectuou o seu furo de água, para fazer uma primeira abordagem à zona da encosta oposta à da Lapa e Algar das Fontainhas 1, mais perto da povoação propriamente dita... decisão essa acompanhada pelo início da chuva, o que me fez acelerar o passo, mas que não me impediu de identificar uma nova cavidade,, o Algar das Fontainhas 2, escondida, tapada por chapa e pedras para evitar algum incidente com animais que utilizam o chouso em causa, a julgar pelos muitos dejectos encontrados.
Com a falta de tempo, a chuva, pelo facto de estar já desequipado, pelas dificuldades inerentes às características da abertura (instabilidade, falta de solidez e rocha de dimensão e estabilidade suficiente para permitir colocar ancoragens), até porque o poço era pequeno, um P3/P4 e não parecia dar acesso a uma sala com qualquer forma de progressão, a opção tomada foi voltar ao carro para pegar no capacete e numa corda para o fazer descer e captar imagens que permitissem dissipar qualquer dúvida existente.
E de facto as imagens captadas, apesar de não serem 100% esclarecedoras, não revelaram qualquer passagem ou forma de progressão a partir da pequena sala que encontramos na base do poço de entrada. Mas a existência do algar em si naquela zona não deixa de ser prometedor, e reforça a necessidade de continuar a prospecção.
Mas isso fica já para outro dia...
Grande abraço,
Alexandre Leal















