Algar da Moita dos Javalis 1
Mira de Aire, Moinhos Joguinhos
24 de Julho de 2020
Coordenação - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Pedro Bernardes
Puxando a fita do tempo para o dia de ontem, após duas saídas à cavidade em que se equipou e limpou/saneou (embora alguns pontos tenham ainda que ser objecto de intervenção pontual) o poço de entrada, o objectivo desta saída estava bem presente nas nossas mentes. Atacar o segundo poço no troço que designámos como principal e ver onde nos levaria...
Tendo em conta as primeiras observações da base do poço de entrada neste lado da parede que separa os dois poços paralelos em que este primeiro poço se transforma cerca de 8m acima da sua base, base esta que se apresentava em rampa descendente no sentido da cabeceira do segundo poço, e cheia de cascalho, esperávamos uma tarefa cuidada de limpeza de toda esta zona envolvente para mitigar ao máximo a hipótese de incidente com pedras a rolar pelo poço abaixo. especialmente tendo em conta a existência de uma outra plataforma cerca de 1,5m mais abaixo que também acumulava muita pedra caída.Em termos de equipagem tivemos que nos restringir um pouco ao que as paredes nos ofereciam tendo em conta os constrangimentos habituais numa saída de exploração. Eventualmente alguns dos fracionamentos serão reforçados a inclusão de um segundo ponto de segurança quando se julgar necessário.
A cabeceira e a parte superior do segundo poço em particular exigiu um esforço de limpeza muito atento, tendo sido enviado para baixo um volume relevante (incluíndo um bloco de dimensões razoáveis, mas a este voltaremos mais tarde pois encerra um "certo" mistério) de pedra que se "aninhava" em vários nichos periclitantes ao longo da vertical, um poço com uma profundidade estimada de cerca de 20m.
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| Visão a partir do meio do segundo poço (para cima). |
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| Chegada à base do segundo poço. |
E as boas notícias não paravam. Não só a base apresentava sinais claros de que estaria seria um mero tampão a obstruir a continuação natural do poço que acabávamos de descer, com uma pequeno buraco por onde facilmente pedras enviadas caíam vários metros, como era visível, através de uma estreita abertura numa das paredes do poço cerca de 160cm acima da sua base, um acesso a uma vertical. Restava saber se estes dois acessos (um aberto e outro por desobstruir) dariam acesso ao mesmo poço ou se efectivamente seriam duas verticais independentes.
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| Visão para dentro do terceiro poço pela abertura na parede do segundo poço. |
O acesso a este terceiro poço que se mostrava minimamente viável sem um trabalho de desobstrução mais demorado era através da abertura na parede, ainda que sem material de desobstrução mais pesado para alargar este acesso a entrada seria sempre algo constrangida, ainda que com recurso ao martelo de equipagem tivesse conseguido alargar um pouco através da ablação de uma parte da camada de calcite que cobria as "abas" da abertura. Não foi muito mas o suficiente para facilitar um pouco.
Utilizando o corpo como desviador móvel e um pouco de ginástica do Pedro para conseguir aceder ao seu interior, lá acabámos por conseguir colocar um fracionamento na cabeceira do terceiro poço, que apresentava um diâmetro bastante mais reduzido que os anteriores ainda que sem constrangimentos de maior. Este menor diâmetro complica um pouco a avaliação da sua profundidade, dando a ideia de que poderia ser maior do que na realidade é mas diria que terá cerca de 12/15m.
E lá de baixo reportava o Pedro, em tom cabisbaixo, que aquilo não tinha continuação. Uma pequena fenda rampeada que parecia não ter continuação, apesar de sair para fora do ângulo de visão. Estava claramente desanimado. Eu não estava convencido.... algo me dizia que as coisas não seriam assim tão claras.
Após subir desci para analisar a situação e tentar identificar qualquer forma de progressão ou pelo menos indício dessa possibilidade.
A base deste terceiro poço de facto é relativamente apertada, como podemos ver na foto supra, mas não é fechada. A parede que se pode ver à minha frente esconde por trás um espaço também ele de forma arredondada (um tubo de pressão por onde escorria água vinda da superfície, carreada pelas muitas chaminés que fomos vendo), que afunila numa pequena fenda rampeada, cheia de cascalho que para ali foi caindo ou levado pelas águas, que vira ligeiramente para a esquerda para fora do nosso apertado ângulo de visão.
As primeiras pedras de teste não foram muito animadoras, mas a tarefa não era fácil. Na verdade acabavam por ficar presas nas que já lá estavam e sem nuca resultarem pela curva abaixo... até que uma saltou, e ressaltou, e caiu talvez uns 7 ou 8m até atingir a base com um som algo grave, como se tivesse coberto por argila.
Os trabalhos de desobstrução que permitiriam alargar a passagem e aceder a este novo poço apresentam algumas dificuldades atento ao muito reduzido espaço envolvente, nomeadamente por falta de espaço adequado para colocar a pedra partida mas creio que é exequível com uma gestão criteriosa dos trabalhos.
Durante a subida consegui identificar um pequeno buraco de forma triangular numa das paredes do algar, relativamente escondido por uma coluna de calcite que descia pela referida parede e aí terminava. Do outro lado escuridão... Tentando focar a luz pela pequeno orifício fiquei com a ideia de um espaço relevante (talvez um metro, mas é possível que seja uma estimativa motivada mais pela vontade do que pela razão). Por sorte consegui encontrar uma pedra entalada numa pequena reentrância do poço com o tamanho exacto para caber. Fiquei com a ideia clara que a pedra caiu num poço paralelo e independente e não por uma tubo que abriria mais abaixo para a deixar cair na base do poço onde estava. Foi a ideia com que fiquei mas precisa de ser confirmada.
O troço secundário que parte do poço paralelo no final do poço de entrada precisa também de ser analisado mais profundidade.
Temos, pois, ainda muito trabalho pela frente... por ora o panorama é algo como isto.
Ahhh, acerca da misteriosa pedra que mencionei acima. Bem, isso é uma história para um próximo acto. Pode ser que a venhamos a conseguir encontrar...
Utilizando o corpo como desviador móvel e um pouco de ginástica do Pedro para conseguir aceder ao seu interior, lá acabámos por conseguir colocar um fracionamento na cabeceira do terceiro poço, que apresentava um diâmetro bastante mais reduzido que os anteriores ainda que sem constrangimentos de maior. Este menor diâmetro complica um pouco a avaliação da sua profundidade, dando a ideia de que poderia ser maior do que na realidade é mas diria que terá cerca de 12/15m.
E lá de baixo reportava o Pedro, em tom cabisbaixo, que aquilo não tinha continuação. Uma pequena fenda rampeada que parecia não ter continuação, apesar de sair para fora do ângulo de visão. Estava claramente desanimado. Eu não estava convencido.... algo me dizia que as coisas não seriam assim tão claras.
Após subir desci para analisar a situação e tentar identificar qualquer forma de progressão ou pelo menos indício dessa possibilidade.
As primeiras pedras de teste não foram muito animadoras, mas a tarefa não era fácil. Na verdade acabavam por ficar presas nas que já lá estavam e sem nuca resultarem pela curva abaixo... até que uma saltou, e ressaltou, e caiu talvez uns 7 ou 8m até atingir a base com um som algo grave, como se tivesse coberto por argila.
Os trabalhos de desobstrução que permitiriam alargar a passagem e aceder a este novo poço apresentam algumas dificuldades atento ao muito reduzido espaço envolvente, nomeadamente por falta de espaço adequado para colocar a pedra partida mas creio que é exequível com uma gestão criteriosa dos trabalhos.
Durante a subida consegui identificar um pequeno buraco de forma triangular numa das paredes do algar, relativamente escondido por uma coluna de calcite que descia pela referida parede e aí terminava. Do outro lado escuridão... Tentando focar a luz pela pequeno orifício fiquei com a ideia de um espaço relevante (talvez um metro, mas é possível que seja uma estimativa motivada mais pela vontade do que pela razão). Por sorte consegui encontrar uma pedra entalada numa pequena reentrância do poço com o tamanho exacto para caber. Fiquei com a ideia clara que a pedra caiu num poço paralelo e independente e não por uma tubo que abriria mais abaixo para a deixar cair na base do poço onde estava. Foi a ideia com que fiquei mas precisa de ser confirmada.
O troço secundário que parte do poço paralelo no final do poço de entrada precisa também de ser analisado mais profundidade.
Temos, pois, ainda muito trabalho pela frente... por ora o panorama é algo como isto.
Ahhh, acerca da misteriosa pedra que mencionei acima. Bem, isso é uma história para um próximo acto. Pode ser que a venhamos a conseguir encontrar...
Depois foi desequipar e subir até a superfície... e para a próxima teremos que trazer mais material, nomeadamente o kit de desobstrução para começarmos a atacar os pontos de interrogação já identificados, com particular enfoque na ponta do terceiro poço.
Um abraço espeleológico.
Alexandre Leal













