Exploração em São Bento
São Bento, 23 de Janeiro de 2016
Equipa - Alexandre e Rodrigo Leal
Mais um sábado e o destino estava traçado, São Bento, por entre calcário, ora mole e branco, ora em agressivas e "duras" lâminas e dentes que rasgam impiedosamente a terra, e uma vegetação aguerrida.
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| Reparem na diferença entre a localização do B111 tal como consta do cadastro e a localização do Algar que identifiquei como B111a. Uma dúvida a dissipar numa próxima saída. |
O objectivo principal era passar a estreiteza no algar B111 (deveria dizer no possível algar B111 uma vez que o algar em causa se encontra a mais de 30metros da coordenada constante do Cadastro de São Bento, pelo que tenho ainda que confirmar se se trata do mesmo ou estamos perante um outro Algar), que nos barrou o caminho na saída anterior, e ver o que está para além...
Tinha em mente uma pequena desobstrução de uma "língua" de calcário que barrava a progressão na estreiteza situada ao fim da pequena passagem sobre a base do primeiro poço. Acabei por deparar-me com uma outra hipótese que me tinha escapado na primeira saída. Na verdade, desta passagem existem duas vias para alcançar o que me parecia uma rampa, e que na verdade é mesmo um poço. A estreiteza inferior, bloqueada pela referida "língua", que surge da parede esquerda, e uma passagem superior, de maior dimensão vertical, que se confundia com a passagem que vinha da base do poço de entrada, algo estreita mas sobretudo apresentando alguns constrangimentos de movimentação e ataque à mesma (o espaço de acesso é limitado, a fenda é horizontal mas de acesso na vertical e com uma pequena curva). 15 minutos depois (embora tenham parecido mais), uma câimbra na perna direita, e uma dor de costa pelo contorcionismo que exigiu, lá consegui passar e aceder a um estreito poço, cuja leitura deste ponto de vista não permite tirar conclusões absolutas.
O que é estreito e difícil para uns assume uma menor dificuldade para outros, e o Rodrigo lá se conseguiu encaixar ao pé de mim, preso entretanto ao fracionamento natural que tinha feito com via a uma fita.
Exige-se uma descida do poço para, com certeza, afirmar a impossibilidade de progressão.
Após uma rápida, e leve refeição, refeição (estávamos a guardarmos-nos para a Ti Maria dos Queijinhos), e antes de nos dirigir-mo-nos ao A115 para dissipar as dúvidas que tinha, houve tempo para fazer uma breve prospecção da área envolvente ao B111, tendo acabado por "descobrir" (não tinha passado para o Iphone pontos a sul do B111) um algar muito interessante, que não apresentava indícios de já ter sido explorado (sem spits ou parabolts e sem possibilidade para amarrações naturais na área envolvente). Atento à proximidade, mais tarde confirmada, com o A133 (13 ou 14 metros separam as duas marcações), deverá ser o mesmo "buraco".
Uma rápida análise mostrou-nos um poço com cerca de 10m de profundidade, apresentando no entanto uma pequena câmara adjacente ao poço, um pequeno nicho sobranceiro à continuação do poço, uns dois metros abaixo da entrada. O ângulo de visibilidade não permitia aferir a possibilidade de progressão tanto no fundo do poço como na pequena câmara.
Exige equipagem para uma descida.
Para acabar o dia dirigimo-nos para norte, ao encontro do A115, e pelo caminho uma muito agradável surpresa. Trilhando em sentido oposto lá vinha a Florbela e o Francisco Barros, acompanhados pelo Bruno. Sempre no terreno, pugnando pela protecção e defesa do nosso património natural. Por isso, também por isso, o meu agradecimento, o meu obrigado.
Numa breve troca de palavras, e indicação de uma área "intervencionada" no âmbito de um projecto projecto do GEM, concluímos que esta se situava a cerca de 8/10m do verdadeiro ponto marcado na cadastro, no seguimento da mesma diaclase.
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| Fotos (3) tiradas por Florbela. Obrigado ;) |
Este algar, definido no cadastro como "a fenda", não era de fácil identificação, até porque se encontrava coberta com alguma vegetação (embora muito menos do que tinha quando a encontrei pela primeira vez, completamente coberta por silvas). Uma pequena e estreita fenda que segue o afloramento na vertical, no enfiamento de uma fractura que se estende para a esquerda na fotografia (sensivelmente no sentido sudeste).
Tinha algumas dúvidas sobre a possibilidade de penetração atento ao confinamento do espaço mas sem tentar nunca se saberia. Foi o tempo de colocar um spit, "reforçado" com uma amarração natural, colocar a corda e.....pois, confirma-se. Era demasiado apertado para tentar forçar a passagem sem o backup adequado do lado de fora (por esta altura estava já só com o meu "aprendiz de feiticeiro").
A solução encontrada foi frender o capacete na corda, ligar a GoPro e filmar o interior, para confirmar a existência ou não de vias de progressão. Pelo que conseguia ver através de uma penetração de cabeça para baixo, tal não parecia viável, mas nunca fiando.
Tristemente veio a confirmar-se. Dead end... Basicamente 3.5m de profundidade, alargando um pouco numa das extremidades, formando um pequeno nicho.
Para acalmar os espíritos inquietos, e aconchegar a alma, contra a nossa vontade, como certamente conseguem compreender e mesmo simpatizar, lá fomos nós para a Ti Maria....
Alexandre Leal
















