quinta-feira, 14 de junho de 2018

Algar do Muro

Paiã, São Bento

14 de Junho de 2018




Coordenação - Alexandre Leal (NEL)

Equipa -Alexandre Leal (NEL).
Suporte exterior - Alexandra Leal.






Após várias saídas na zona da Pia Carneira, nomeadamente no Algar da Pia Carneira 14, com avanços significativos após uma desobstrução com sucesso no acesso ao segundo poço, aproveitei uma melhoria do tempo para rumar até à Paiã para uma primeira abordagem ao Algar do Muro (designação dada ao algar no Cadastro da FPE), uma cavidade que me havia sido referenciada pelo dono do terreno aquando dos trabalhos de exploração no Algar da Ponta (agora designado "Algar do Muro 2"), e que incluía, aliás, outras cavidades/aberturas nas imediações.

A entrada mostra-se algo apertada e com apenas um ponto de segurança, um spit. Com um primeiro ponto colocado numa árvore a cerca de 2 ou 3 metros, a falta de um segundo ponto na cabeceira do poço, em particular atendendo à pouco profundidade do primeiro troço do poço (não mais de 2 ou 2,5m), não se mostra minimamente preocupante.

A forma estranha do poço, especialmente tendo em conta a localização do spit, dificultou a primeira descida, mas na segunda, após ter vindo à superfície buscar o kitbag de desobstrução, a descida foi feita de forma um pouco mais graciosa... um pouco.

O pequeno poço, P7?, em si desenvolve-se numa espiral parcial, com troço verticais e outros em rampa de inclinação média a elevada, o que origina alguns pontos de roço, que, no entanto, não se mostram particularmente relevantes ou significativos, não só atendendo ao ângulo como também à forma arredondada da rocha nos locais de contacto. Por outro lado, com as paredes a permitirem alguma progressão em oposição, é relativamente fácil aliviar a pressão nesses pontos de roço em determinantes momentos chave.

A terra marca presença ao longo de todo o poço, tanto nas rampas, onde se acumulava em determinados pontos, como nas próprias paredes, escondendo a rocha por trás de uma película castanha.

Foram efectuadas pequenas acções de desobstrução e limpeza em dois pontos por forma a garantir a segurança e evitar deslizamentos ou queda acidental de pedra/troncos.





Um dos pontos que teve de ser desobstruído.















O poço termina numa pequena sala cuja base se encontra coberta com uma generosa camada de terra castanha e muito solta, e que pode, em abstrato, estar a encobrir alguma pequena passagem, embora não creio ser esse o caso.

Na ponta mais perto do local de entrada via rappel um pequeno buraco junto à parede parecia dar acesso a uma passagem muito estreita, cujas verdadeiras dimensões não se conseguiam avaliar atendendo ao ângulo de visão e à reduzida dimensão. Alarguei a abertura um pouco mais, o que na prática não se veio a traduzir num grande ganho em termos de informação, pelo que continuei a analisar o perímetro da sala.




 Na mesma parede embora na ponta oposta da sala deparei-me com uma estreita passagem que daria acesso a um espaço mais alargado, uma segunda sala.

A sua dimensão não só não permitia a passagem (sobretudo com o arnês) como não impossibilitava saber efectivamente o que me esperaria no outro lado, em particular a existência ou não de poços ou a que profundidade se encontrava a base desta nova sala.

Não havia grande escolha se não começar a trabalhar para desobstruir e alargar, sendo que para tal tive que subir à superfície para pegar o kit de desobstrução.

Os trabalhos foram particularmente lentos atendendo às condições de trabalhos mas sobretudo pelo facto de por baixo de uma pequena camada de terra semi-seca estar um manto calcítico com alguma espessura, de difícil intervenção pela restrito espaço de trabalho, e pelas suas próprias características, que limitam em muito a eficácia de algumas técnicas.




Esta nova sala apresenta uma altura ainda considerável.
Com alguma paciência lá fui avançando tendo logrado alargar o suficiente para conseguir espreitar e captar algumas imagens do outro lado, que veio a revelar uma área mais do que esta primeira sala, com uma base um pouco abaixo desta passagem mas com uma zona mais funda para a esquerda, bem como 2 outros pontos escuros que apontavam para um espaço vazio mais abaixo.

Para a direita a sala parecia estreitar mas ficou a dúvida sobre a possibilidade de uma passagem permitir a progressão por esse lado.





Tendo em conta que estava em modo "solo" conjugado com a existência de zonas mais fundas na sala a passage sem corda não se mostrava ajuizada, razão pela qual, não conseguindo ainda passar com o respectivo arnês colocado e preso à corda, dei por terminada a actividade... para logo perceber que ao lado desta passagem havia uma outra, visível de um determinado ângulo, bem mais larga, mas sobretudo bem mais fácil de desobstruir, ainda que dê acesso directo a um ponto mais alto da referida segunda sala. Um verdadeiro murro do estômago.

Depois foi arrumar o equipamento e subir para a superfície, tarefa de dificuldade bastante superior ao que a distância a percorrer faria supor sobretudo por causa do pesado saco.

Obviamente uma cavidade a merecer a nossa atenção em próximas saídas.

Em cima, a desfrutar do sol e dar um avanço na leitura, lá me esperava a minha cara-metade que tirou algumas fotos ao "indígena" de pele laranja.




Grande abraço,
Alexandre Leal