terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Algares da Lajoeira e Bajanca

Actividade de Monitorização de Morcegos - GEM

13 e 20 de Fevereiro

PNSAC


Equipas - Alexandre Leal (GEM), Vitor Amendoeira (GEM) e Ulisses Lopes (GEM) - Dia 13 de        
                 Fevereiro, Algar da Lajoeira;
               
               - Alexandre Leal /GEM), Pedro Aguiar (GEM) e Pedro Ferreira (GEM) - Dia 20 de
                  Fevereiro, Algar da Bajanca. 



Inseridas no âmbito de acções de monitorização de morcegos, que assumem particular importância em zonas de maior sensibilidade, e sobretudo dentro das designadas Buffer Zones, foram efectuadas várias actividades de campo nos fins de semana de 13/14 e 20/21 de Fevereiro pelo GEM - Grupo de Espeleologia e Montanhismo, destaco aqui as duas em que tive participação directa, em ambos os casos um regresso.

Comecemos então pelo passado dia 13 de Fevereiro, um sábado particularmente frio, com muito vento e chuva (tempo esse que piorou no domingo seguinte), onde a equipa de 3 membros operacionais, que contou também com a presença do experiente Paulo Rodrigues, ainda afastado da "acção" por motivos de ordem física (e que esperamos estar de regresso nos próximos tempos), se fez à serra e onde após alguns contratempos, de ordem "técnica" (pronto, a verdade é que tivemos alguma dificuldade em dar com o trilho certo que nos levasse até ao Algar, mas não digam nada a ninguém), e uma rápida equipagem, descemos e começámos a busca e registo pelos seus habitantes alados. Neste ponto uma nota apenas. Não obstante estar classificado como abrigo de importância nacional a Lajoeira apresentava, na ocasião,  um reduzido número de exemplares.


Fotografia de Vitor Amendoeira - GEM

Fotografia de Vitor Amendoeira - GEM. Permite ter uma noção da dimensão da sala de entrada.



Aproveitando a ocasião, e após uma rápida avaliação de alguns pontos mais apertados no sentido de verificar a possibilidade de progressão, procedeu-se em seguida à topografia da cavidade, marcada pela sala inicial de dimensões consideráveis e pela complexidade gerada por um relevante caos de blocos no parte posterior e mais baixa da gruta que gera um grande número de possibilidades, mas que, e até ao momento, não se materializou em efectivas formas de ingresso ou progressão para níveis inferiores.

Uma actividade pautada por uma grande eficiência, sob a batuta do Mestre Amendoeira.

O dia seguinte, e não me estou a referir ao programa televisivo, não correu tão bem... entre fugir de um bando de vacas "loucas" (e um "tralho" pelo meio), frio, chuva e por vezes um ataque cerrado por um "exército" de granizo que teimava em sugar-nos as forças, e um problema técnico que nos impediu de localizar a cavidade a monitorar, o resultado não foi animador MAS não são esses pequenos inconvenientes que nos fazem desistir ou retiram o ânimo, e neste último fim de semana lá voltámos ao  trabalho, com o objectivo de acabar o que estava previsto.

A mim coube-me integrar a equipa responsável pelo Algar da Bajanca, uma cavidade de grande beleza e dimensão,  considerado pela Carta e Desporto de Natureza do Parque Natural das Serras de Aire e Candeiros publicada em 2004 como gruta-escola e sítio com especial interesse espeleológico no Plano de Ordenamento. 

Deixo aqui o link para o artigo publicado pelo GEM, e que faz um apanhado muito interessante sobre esta magnífica cavidade.


Sábado, dia 21 de Fevereiro, lá nos dirigimos para o Algar, que foi equipado na vertente sul, com uma vertical de aproximadamente 31m.  No interior do cavidade procedeu-se a uma rápida monitorização da colónia residente, formada essencialmente por Myotis myotis, com uma subida lesta e bem bonita, com vista privilegiada para uma paisagem deslumbrante, em particular quando se está suspenso no vazio.

Fotografia por Pedro Ferreira - GEM




Fotografia por Pedro Ferreira - GEM

Fotografia por Pedro Ferreira - GEM

Fotografia por Pedro Ferreira - GEM






O sucesso das acções de monitorização estendeu-se às restantes equipas  GEM no terreno e demos o dia por encerrado, preparando-nos para o dia seguinte, com um "programa" mais relaxado.

Até um qualquer  buraco,

Alexandre Leal

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Exploração em São Bento

Algar A133

São Bento,  05 de Fevereiro de 2016




Equipa (exploração) - Alexandre Leal
Apoio - Amílcar Almeida






As expectativas cridas pelas imagens captadas pela GoPro na saída passada não permitiram que mais tempo passasse e hoje meti-me à estrada e, estranhamente quando dei por mim estava diante do "buraco". Coisas estranhas que acontecem, de forma inusitada e quiçá mesmo inaudita...

Confesso, não consegui resistir mais, e o "buraco" fez-me pagar, deixando-me as mãos num estado lastimável. Cravar spits em posições estranhas, e muito pouco confortáveis, é agreste. Mesmo com a retirada de alguma terra e pedras no perímetro da pequena depressão que dá para a abertura, o espaço e a amplitude de movimentos era limitado.

Já na corda, e ao passar para dentro do algar, rapidamente deu para perceber que a sensação de  uma maior amplitude criada pelas filmagens não se concretizava. Na verdade o poço tinha mesmo alguns troços mais estreitos, tanto que a subida foi feita quase na totalidade em oposição.

No fundo, perto da corda, foi avistada uma salamandra, que rapidamente se refugiou e colocar a seguro.

A análise do Algar não permitiu encontrar possibilidade real de progressão. Apesar de apresentar bastante mais concrecionado que o vizinho Algar B111, e ter um pequeno poço  secundário (P2), que aliás as imagens captadas tinham indiciado, não foi detectada qualquer passagem ou poço que permitisse progredir, nem foi detectado/sentido qualquer corrente de ar de algumas das pequenas fracturas vistas.

Já na fase de subida, na pequena plataforma logo abaixo da entrada, foi detectada uma pequena fractura que dá para o que poderá ser um poço paralelo de profundidade semelhante ao poço de entrada, não se colocando, no entanto, de parte a possibilidade da fractura acabar vir a dar ao poço descido. A confirmar na próxima descida para recolha de dados para a topografia.

Mais um Algar do Cadastro de São Bento explorado, muitos ainda por verificar.



Até à próxima...

Alexandre Leal

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Exploração em São Bento

São Bento,  31 de Janeiro de 2016




Equipa (exploração) - Alexandre Leal
Apoio - Alexandra e Rodrigo Leal

Mais um fim de semana, mais uma saída de campo para continuar os trabalhos de exploração de dois algares na Serra de São Bento, o B111 e o B112 (A133 no Cadastro de São Bento), num local que já se tornou paragem habitual.



O objectivo principal era, mais uma vez, conseguir descer o segundo poço do B111, e averiguar a possibilidade de progressão horizontal a partir da pequena plataforma que se vê da cabeceira, e que parece constituir o limite do que será, humanamente e sem desobstrução mais pesada, possível descer, bem como perceber quanto mais a fractura desce, a partir desse ponto,  e que ainda parece ser uma distância relevante.

Chegados ao local procedeu-se à equipagem do primeiro poço (com o objectivo principal de constituir o primeiro ponto de segurança da equipagem do segundo poço) com uma amarração natural, e procedeu-se à descida e acesso ao segundo poço via estreiteza (superior) a partir da pequena passagem  sob a base do primeiro poço. Com a ajuda do Rodrigo o material necessário foi-me passado para a cabeceira do segundo poço via estreiteza (inferior) na mesma passagem e equipado o segundo poço com recurso também a uma amarração natural.

Tudo montado e as perspectivas eram boas, mas rapidamente se dissiparam... o poço, no seu ponto de ingresso, afirmava-se estreito e com uma forma muito pouco negociável. A solução era desobstruir, de forma a alargar um pouco a entrada, mas sobretudo eliminar alguns pontos de contacto que teimavam em "agarrar" tudo quanto tentasse deslizar pelo aperto.

Esta tarefa mostrou-se bastante mais complicada do que parecia devido à reduzida amplitude de movimentos e desconforto da posição de trabalho. Após cerca de duas horas, sem grandes avanços (estou a tentar ser optimista), mais algumas tentativas de descida, e antes de desequipar e subir decidi baixar o capacete com a GoPro e tentar filmar a plataforma e a fractura. O ângulo das filmagens não é o melhor, mas os constrangimentos de acesso do capacete não deixavam muita margem de manobra.



Depois foi subir, deixando o progresso para uma nova saída, com material de desobstrução mais adequado (marreta com mais capacidade de impacto). Tal como está é possível, possível, que o poço seja vencido com algum sangue-frio e o apoio de uma equipa mais operacional (dar suporte na eventualidade de se ficar preso e com dificuldade de progressão). Tenho a certeza que um "furão" com um menor volume corporal passa com maior ou menor dificuldade (dependendo da destreza e tamanho). É insistir e o poço será vencido.


O ponto seguinte seria a exploração do Algar B112, que se confirma ser o A133 do cadastro de São Bento, nas coordenadas constantes da foto infra (e que importa corrigir no referido cadastro), que teve, no entanto, de ser reduzido a uma "sondagem" preliminar via GoPro, uma vez que o meu mais pequeno "ajudante de campo" estava a ficar doentinho, e o frio e vento que se faziam sentir na serra estavam a fazer das suas...





As filmagens no entanto revelam um algar bastante mais interessante que o B111, muito mais concrecionado e amplo, e o que poderá ser um poço num dos recantos, que se vê de relance. 

Dois algares que continuarão a ser intervencionados nas próximas saídas.

Alexandre Leal