Algar dos Quase Sete (Algar dos Trinta)
Pia Carneira, São Bento
14 de Julho de 2018
Coordenação - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - Alexandre Leal (NEL), José Leal (apoio à superfície), João Leal (perturbador do
esforço de equipa em geral e descobridor de buracos)
Mas primeiro um recapitular desta história, que começou a 27 de Julho, com os primeiros trabalhos efectivos no buraco, após a saída de uma actividade de exploração de um algar ali ao lado na Paiã (no Algar do Muro).

Com muita ginástica e a utilização de várias técnicas e ferramentas conseguimos retirar um volume de pedra que não sendo particularmente grande era o necessário para permitir a minha descida, ainda que de forma algo, bem, apertadinha (e a subida seria relativamente pior...).
Equipa - Alexandre Leal (NEL), José Leal (apoio à superfície), João Leal (perturbador do
esforço de equipa em geral e descobridor de buracos)
Após duas saídas de esforço intenso de desobstrução e alargamento do pequeno buraco que havia sido indicado pelo dono do chouso como tendo 30 metros de profundidade (como lhe havia sido relatado há 20 anos atrás por "alguém das grutas que havia medido aquilo"), hoje seria o dia D para a sua exploração.
Algo que até nem estava previsto uma vez que os planos de trabalho indicavam uma actividade numa cavidade um pouco mais para Noroeste, e "ligeiramente" mais profunda... mas estava destinado, e lá rumámos para acabar o trabalho.
Uma primeira abordagem que permitiu logo uma alteração muito relevante da abertura, permitindo uma melhor análise e avaliação do que iria ter pela frente até conseguir descer.
A pedra, num dos lados do pequeno buraco, apresentava características favoráveis, o que permitiu na saída seguinte avançar a bom ritmo.
| Abertura tal como estava nos inícios dos trabalhos a 27 de Junho de 2018. |
| Estado da abertura no final deste primeiro dia de trabalho. |
No dia 02 de Julho voltei em força e numa esforço em duas etapas, com uma paragem pelo meio para carregar a bateria da torna, ficámos a poucos centímetros, muito poucos diga-se, de conseguir descer.
Seria preciso lapidar a face de um dos lados da abertura um pouco mais, nomeadamente a cerca de metro e meio da superfície, com a remoção de alguns pontos mais salientes. Para conseguir tal feito teríamos que começar a partir um pouco mais de cima... e iria exigir uma certa ginástica para conseguir chegar tão lá abaixo.
Devido à dimensão que a abertura que apresentava no final dos trabalhos foi necessário utilizar não só os blocos retirados mas também fazer uso de vários ramos e galhos caídos que reunimos nas proximidades por forma a tapar adequadamente o algar, e evitar qualquer acidente, nomeadamente com os animais que usualmente pastam naquelas terras.
Hoje estávamos determinados a finalizar a desobstrução e confirmar (ou infirmar) a suposta profundidade do algar. A verdade é que a cerca de 160m o Algar da Pia Carneira 12 apresenta uma profundidade aproximada de 30m, pelo que não era uma profundidade despropositada, apesar do 12 ser o mais profundo da zona em exploração (um "pouco" mais distante, a cerca de 800m, o Algar do Alemão terá um pouco mais de 55m de profundidade).
O céu apresentava-se cinzento e um pouco carregado, mas a temperatura estava óptima para este tipo de trabalhos à superfície.
Foi chegar, equipar, colocar a corda na árvore e colocar o fracionamento na cabeceira do poço, e colocar as mãos ao trabalho.
Os trabalhos centraram-se, desde o início, na parede direita da abertura, tal como vista do ângulo do fotografia supra. Esta face apresentava uma pedra claramente favorável a este tipo de trabalhos, sendo que a tentativa feita na face esquerda culminou num rotundo fracasso.
Com muita ginástica e a utilização de várias técnicas e ferramentas conseguimos retirar um volume de pedra que não sendo particularmente grande era o necessário para permitir a minha descida, ainda que de forma algo, bem, apertadinha (e a subida seria relativamente pior...).
Restava perceber quanto é que o poço me iria permitir descer. Pela abertura era visível uma pequena plataforma em rampa cerca de 4 ou 5m abaixo, com o poço a descer uns 3m mais. Mas isso era o que conseguia ver de cima... quer dizer, o que conseguia ver de cima e o que consegui descer, pois a base que via de esguelha confirmou-se ser o terminus do poço, e da cavidade.
O chão estava colmatado pela muita terra e blocos que haviam caído de cima durante a desobstrução pelo que não era possível efectivamente ver a base do poço mas a rápida prospecção que fiz, bem como a análise de um pequeno nicho, não revelaram qualquer forma de progressão.
Era o fim, mas valeu a viagem, o esforço, que aliás permitiu apurar algumas técnicas.
E como a hora permita uma pequeno desvio antes da mão-de-vaca que me esperava no "Cantinho do Francisco" aproveitei para levar o "Jonhy" e o Leal ao Algar da Pia Carneira 5, pois havia prometido ao pequeno "espeleologo" uma aventura subterrânea. À excepção da presença de uma enorme quantidade de mosquitos nos primeiras dois espaços, a progressão do João até à Sala da Morte (sala onde foram encontrados os restos mortais de uma colónia de morcegos) correu sem qualquer tipo de dificuldade. Já para o Leal as coisas foram um pouco mais complicadas, afinal de contas teve que passar pela sua primeira "estreiteza", e logo no final de uma rampa acentuada. Com calma (e de facto teve sempre muita calma, sem qualquer tipo de stress) e algum esforço lá conseguiu entrar e depois sair.... um pouco mais sujo do que entrou, claro está!
Depois estava na hora de arrumar a "tralha" e rumarmos para o Cantinho, para descansar e repor as forças.
Para surpresa nossa, e enquanto nos deliciávamos com a mão-de-vaca (já tinha falado nela?!?!) e conversávamos com um conhecido na mesa ao lado, acabámos por adiar o nosso regresso para fazermos um rápido desvio pelo Casal do Além, para marcar dois pontos ;).
E para a semana.... bem, para a semana, talvez voltar ao Cabeço Gordo para finalmente descer o Algar homónimo.
Grande Abraço,
Alexandre Leal


