terça-feira, 22 de março de 2016

Algar da Cheira

Vale Florido, São Bento

21 de Março de 2016



Equipa - Alexandre Leal, Rodrigo Leal



Algar da Cheira, um regresso há muito esperado... Visitei o algar no âmbito de uma das aulas práticas (neste caso uma aula extra de treino de manobras verticais) dada durante o Curso N2, na qual foi identificado o acesso a uma zona estreita perto da zona "terminal". 


Na altura, ainda bastante maçarico (não que o estado tenha alterado de sobremaneira), meti-me no "buraco" com uma colega de actividade, tendo avançado um pouco até que a progressão se mostrou impossível, pelo que na altura me pareceu um bloco que vinha da parede do lado direito, se bem me recordo. Um dos elementos que importa referir é que a imagem mental que guardava da altura ficou indelevelmente marcada, limitada diria eu, pela falta de qualidade da luz utilizada. Com a pouca luz disponível a nossa visão, e como tal compreensão, do que estava à nossa frente E à nossa volta foi, olhando agora em retrospectiva, claramente incorreta. 

Mas já lá chegamos,  primeiro uma análise mais geral da actividade.

O objectivo traçado passava por:

- Encontrar o local anteriormente  identificado;
- Uma análise da zona;
     e
- Uma primeira abordagem de exploração, identificando possíveis vias de progressão e necessidade de desobstrução.

Secundariamente, dar a conhecer o algar ao Diguinho, possibilitando-lhe mais uma experiência subterrânea, tanto em termos de verticais como de progressão em espaços mais confinados, registando, ao mesmo temo,  tanto em suporte fotográfico como através de vídeo o Algar, e por essa via  dar a conhecer alguma da sua beleza, nomeadamente ao nível das concreções e espeleotemas.

Tivemos a sorte de encontrar um tempo muito agradável à chegada, que facilitou os trabalhos de equipagem e preparação. O temporal chegou mais tarde, mas nessa altura já estávamos no carro, a caminho do "Bigodes" para uma revigorante Sopa da Pedra e uma Bifana. 

O Algar  encontra-se bastante bem protegido, com um muro de pedra à sua volta, e uma abertura coberta por tábuas e troncos, por forma a evitar incidentes, nomeadamente com animais. A boca do Algar, muito verde, e o ataque à vertical facilita também, em si, os trabalhos de ingresso.

Neste aspecto de referir a facilidade com que o Rodrigo lida com as questões relacionadas com alturas e utilização dos equipamentos e  manobras verticais. Obviamente, ainda cometendo alguns erros, e sobretudo tendo consciência que as questões de segurança, especificamente colocação na corda e passagem de fracionamentos não poderá ser feita por ele em algares com estas condições (não obstante ser de dificuldade baixa estamos a falar de um P13, sem grandes ressaltos ou plataformas que permitam maiores veleidades), a verdade é que a calma e a responsabilidade com que aborda estas manobras permite-lhe uma progressão muito estável. Está, aliás, bastante mais confortável que o pai.




Já na base do poço, numa sala bastante ampla e iluminada pela luz que entrava pela abertura 13m acima, retirámos o arnês e o restante equipamento individual de segurança (não era previsível ser necessário), e deixando para atrás o kitbag de equipagem, começámos a explorar a cavidade.

Foi detectado um pequeno número de morcegos (muito reduzido mesmo), bem como pequenas concentrações de guano, mas nada de particularmente relevante.  Estranhamente não vi qualquer salamandra, tão comum na zonas iniciais de algares com estas características.



Foram identificados alguns pontos que merecerão uma análise posterior, nomeadamente um caso onde aparentemente um poço se encontra obstruído à superfície por blocos, alguns dos quais de grande dimensão) que caíram do tecto. 

Sensivelmente a partir do meio da zona conhecida da gruta as concreções começam a surgir numa quantidade e "qualidade" cada vez mais relevante, atingindo proporções dignas de nota em zonas com uma densidade muito acima do normal.













Acesso à zona de estreiteza, num nível inferior
Fácilmente demos com o objectivo, o ponto de acesso, em rampa, à zona estreita, situada num nível inferior, embora confesse que na primeira abordagem à zona estreita, com base na imagem mental que guardara da primeira visita, tivesse ficado com dúvidas. A zona parecia-me bastante mais ampla, ainda que verticalmente muito "apertada", do que esperava encontrar. Esta primeira incursão permitiu-me ver também que qualquer esperança de progressão exigiria a remoção do capacete, que limitava, de forma particularmente grave, a progressão, a manobrabilidade e capacidade de visualização. 

Situação essa resolvida na segunda incursão, que me permitiu uma progressão bastante razoável, após um pequena desobstrução num local mais complicado. De referir que a base de toda esta zona apresenta uma camada de terra/barro bastante importante, apresentado em algumas zonas uma primeira camada mais húmida e barrenta, e uma segunda camada mais seca e granulada. E é esta camada de terra que, de alguma forma, facilita qualquer pequena desobstrução necessária para ultrapassar zonas menos complicadas. A minha progressão foi feita com o capacete na mão direita e um pequeno escopro na mão esquerda, que me foi muito útil num primeiro momento (remoção de uma quantidade maior de terra para permitir o acesso à plataforma horizontal superior). Nesta zona foram identificadas duas, possivelmente três, vias de potencial progressão, na zona "terminal" (enquanto zona máxima que atingi), num sentido ligeiramente ascendente, e a meio da área explorada, do meu lado direito, em sentido descendente, parecendo dar acesso a outra zona horizontal extremamente estreita. O vídeo realizado creio ser elucidador  das condições e factores encontrados.

   

Claramente trabalho a realizar em próximas saídas, num Algar que pode esconder alguns segredos bem interessantes. Veremos num futuro próximo que se vai descobrir

E aqui fica o vídeo da actividade, que permite ter uma ideia geral deste Algar.








Até à próxima, numa Gruta perto de ti
Alexandre Leal

sexta-feira, 18 de março de 2016

Algar do Vento Atroz

Perto do Cabeço Renhal, Bezerra

Exploração, 14 de Março de 2016


Equipa - Alexandre Leal






Após uma pequena paragem eis que voltámos ao pequeno algar na encosta da Bezerra para o início, de forma focada e decidida, da desobstrução da pequena passagem descoberta na base do segundo poço (P5), que se julgava poder dar para um outro poço total/parcialmente obstruído com pedra e terra/lama.

Boca do algar.


Zona envolvente.

Carregado com dois kitbags cheios (um deles ficou na base do primeiro poço) e mais um pé de cabra em posição "improvisada", equipei e desci até à base do P5. Primeira tarefa preparar o local e o equipamento para a desobstrução, nomeadamente "escorando" melhor o material já retirado, e preparando zonas para vir a receber o material a retirar.

A (muito) pequena abertura tal como descoberta na primeira descida do segundo poço.

Com o pé de cabra e uma pequena pá de campo coloquei mãos à obra, sempre com cuidado redobrado não só com o que estava à minha frente, mas também com o material que ia depositando à minha volta, (e acima, em rampa) que ia tentando estabilizar o melhor possível. A posição não era nada confortável e a amplitude de movimentos e de trabalho por vezes muito reduzida. 

Imagem do espaço após trabalho de desobstrução de uma perspectiva superior
Foi importante, em termos anímicos, a primeira hora de trabalhos. Fazendo um uso ostensivo do pé de cabra (bastante mais do que da pá), consegui alargar e aprofundar a "boca" da passagem. A partir daí fui ganhando profundidade horizontal, sentido lato, ao mesmo tempo que ia retirando também material ao nível da base ganhando assim também alguma profundidade, esta em sito estrito (vertical). Os grandes ganhos ficaram-se a dever sobretudo à retirada de material das paredes interiores, que conjugavam acima de tudo lama já bastante consolidado com uma camada exterior de calcite, que lhe dava uma consistência já muito sólida. Nada que o meu fiel companheiro (Pé de Cabra) não conseguisse "descolar" e posteriormente retirar. Numa das paredes internas fui retirara um volume interessante de barro puro, de cor bastante alaranjada, uma tonalidade muito mais clara do que a terra/lama de tom castanho escuro que constitui a norma nesta cavidade..

O corrente de ar que se fazia sentir na saída anterior não era, agora, tão notória, e se alguma evolução teve ao longo da desobstrução, estranhamente, diria que foi no sentido de se tornar menos evidente. Em qualquer dos casos numa das posições de trabalho, quando me encontrava enfiado na abertura, de peito para baixo, utilizando os pés para ir soltando/removendo material da zona mais profunda, em particular quando estava com a face mais próxima da base (em rampa), era inegável o fresco que soprava. Devo assinalar também que a atmosfera ficou rapidamente saturada, e resultado do esforço e calor do meu corpo aliado à respiração. O vapor de água era facilmente visível, embora não tinha tido a capacidade para o apanhar em fotografia.

Um facto que me chamou a atenção, e que aliás me deixou durante algum tempo perplexo confesso, foi o som/vibração (não consigo definir melhor) que se começou a fazer sentir pontualmente a partir de certo momento. Ao principio cheguei a pensar que fosse um pequeno tremor de terra, depois passou-me pela cabeça que poderia ser, de alguma forma, o som de aviões a sobrevoar a zona. Depois percebi que era o som/vibração das descargas?/trabalhos na pedreira no outro lado do vale, e que se fazem sentir, e bem, no interior do algar.

O términus do trabalho não revelou qualquer hipótese ou forma de progressão para além do confinado espaço da area desobstruída. No entanto dois pontos deixam alguma esperança no sentido de progressão vertical, ou seja, que aquela zona seja efectivamente um poço obstruído por um rolhão de lama e pedra. Por um lado o som da base não se apresenta sólido. A muita lama ainda existente esconde rocha,  facto inegável, mas que se julga ser, à imagem da pedra até então retirada, fruto de blocos/pedras de variada dimensão que aí  terão sido sucessiva e progressivamente depositados.  Por outro lado, e por várias vezes, enquanto remexia o "substrato" da base com o pé de cabra, com o objectivo de soltar pedras para as remover, tive a sensação nítida de ouvir o som de pedras a cair, uns 3 ou 4 metros, vindo exactamente do interior, que presumo ocorrer na parte inferior do rolhão. Confesso que não posso confirmar esta minha sensação mas o som de pedras a cair era inequívoco, e não vinha de cima...

No total creio que o espaço terá, desde a abertura, uns 130/140cm de comprimento. É possível (facto a averiguar numa próxima saída) que possa haver alguma abertura (chaminé/fractura) ou um espaço mais amplo no sentido ascendente no final desta zona, deste nicho, uma vez que consigo identificar, com recurso aos meus pés, um espaço vazio acima daquela formação rochosa que se pode ver no topo da imagem supra.

O espaço interior é "bastante"maior. Com efeito conseguiria "enfiar-me" até bem ao peito.

São, enfim, muitos pontos de interrogação, a que urge responder... mas o esforço despendido ao longo de quase 6 horas já não permitia grandes ganhos ou progressão. As mãos em particular já se apresentava claramente desgastadas e a responderem mal às solicitações. Um claro caso de "diminishing returns".

Era hora de subir e sair, facto que não se apresentou particularmente fácil atento às características e dimensão da abertura. Isso e o facto de trazer abaixo de mim 2 kitsbags e na mão esquerda o pé de cabra... ;)



O dia cá fora estava bastante bom, com um sol muito agradável, que contrastava com os kilos de lama que trazia agarrado a mim... a fazer lembrar outras lutas.

Já em casa, aproveitei para actualizar o croqui da algar com a área já desobstruída.


Abraço e até à próxima,
Alexandre Leal


terça-feira, 8 de março de 2016

Algar dos Ouriços

Terras do Risco, Sesimbra

05 de Março de 2016

Equipa-  Rui Francisco (Coordenador da equipa e líder do projecto de exploração e    
                                          levantamento topográfico)
             - Alexandre Leal, Alfredo Luís Saloio, Marco Messias (CEAE-Lpn)




Saindo um pouco fora da "zona de conforto", no passado dia 05 de Março rumei para sul, em direção às Terras do Risco, para me juntar à equipa coordenada e liderada pelo Mestre Loia, numa actividade de exploração e levantamento dos dados topográficos do Algar dos Ouriços.


Antes de entrar em concreto na análise e relato da actividade uma palavra prévia, em tom de sério aviso, para os cuidados e riscos inerentes à exploração de algares com as características que o Algar dos Ouriços apresenta. Muito em concreto, exige-se uma análise apurada e atenção permanente, sobretudo e muito em particular na zona dos poços, com especial atenção para acesso e descida do P13, para a potencial (e quase omnipresente) presença de elevados índices de co2. A avaliação das condições de segurança não pode ser descurada.

Situando-se no perímetro do Parque Natural da Arrábida e Rede Natura 2000, na extremidade do polje das Terras do Risco, foi, pelo que me é dado a perceber, pela informação disponível e pela troca de impressões com o Rui Francisco (um verdadeiro poço de conhecimento sobre uma multiplicidade de tópicos e áreas de conhecimento relacionadas directa e indirectamente com o estudo espeleológico) descoberto no ano de 2001, no âmbito de explorações efectuadas pelo NECA - Núcleo de Espeleologia da Costa Azul, tendo exigido várias acções de desobstrução, nomeadamente no que toca ao alargamento da entrada para permitir o seu ingresso.


É uma cavidade que apresenta uma actividade hidrologia nas épocas de pluviosidade, o que aliás é em si um elemento a ter em conta numa dupla perspectiva em termos de segurança. Por um lado exige-se uma atenção particular aos níveis de pluviosidade potenciais durante a exploração da cavidade, especialmente tendo em conta que apresenta vários pontos onde o progresso é feito via estreitezas (em alguns casos em declive mais ou menos acentuado). Por outro lado é esta pluviosidade, quando atingindo valores relativamente elevados, que irá permitir um  certo "arejamento" das zonas mais "problemáticas"  em termos da presença de CO2.

Escusado será dizer que, tendo em conta o nível operacional da equipa e experiência da coordenação, e atendendo aos condicionalismos e limitações impostas pela verificação de um elevado nível de co2 nas zonas acima identificadas, a actividade desenvolveu-se com proficiência e agilidade.

No âmbito da exploração, com extremo cuidado e após cuidada ponderação, foram efectuadas duas descidas ao poço situado na zona de maior concentração de co2,  lideradas pelo Rui Francisco, com o objectivo de re-avaliação da zona e análise de possíveis formas de progressão. Em ambos os casos foi "touch and go". O co2 simplesmente não permitia qualquer actividade na base do poço, pelo que foi descer e subir.
Rui Francisco



Alexandre Leal - Fotografia por Rui Francisco
 Com esta via de exploração "bloqueada" o Rui prosseguiu os seus esforços de levantamento topográfico da cavidade, com uma precisão assinalável, e que permite aliás a realização das topografias com o nível de detalhe que são seu apanágio. O cuidado com que aborda esta tarefa é digno de se ver, e pessoalmente não posso deixar de afirmar ser um privilégio poder participar e aprender, in loco, no terreno, com um tão grande operacional.

Tenho que dizer, porque é da mais elementar justiça, e isto numa perspectiva mais ampla, que o privilégio de privar de perto com operacionais do mais alto calibre  é o que me tem possibilitado crescer no campo da exploração, por muito incipiente que a minha experiência seja. ainda. Estamos sempre a aprender. A calma e o à vontade que sinto dentro de uma gruta, em ambiente de exploração, deve-se a estas experiências, e a quem comigo tem partilhado estes momentos, ainda que, por motivos e contornos estranhos, possamos estar (Pica e "Flying Dead") momentaneamente, espero, afastados. 

Alguns dos dados que resultaram aparentes deste levantamento topográfico, poderão contribuir para uma melhor e mais consubstanciada compreensão da dinâmica da cavidade, mas isso deixo para quem sabe e sobretudo para quem assume, de uma forma apaixonada, a iniciativa de estudar de forma sistemática as cavidades da sua terra. Um abraço Rui, um obrigado por me deixares participar nesta aventura, e um até à próxima.



Um dos exemplares que dá nome ao Algar.



Uma equipa séria... quando não se está a rir :) - Fotografia por Rui Francisco



Alexandre Leal out...
             

terça-feira, 1 de março de 2016

Algar do Ventro Atroz

Perto do Cabeço Renhal, Bezerra

Exploração, 01 de Março de 2016



Equipa - Alexandre Leal
Apoio logístico à superfície - José Leal




Hoje foi dia de ir para o terreno, e o objectivo já há muito estava traçado. Regressar ao Algar do Vento Atroz, equipar o segundo poço, descer e averiguar possibilidades de progressão.

Após um fim de semana "algo" agreste para esta zona o dia de hoje apresentava-se bastante ameno, o que, naturalmente, facilita sempre a tarefa. Não que o vento não se fizesse sentir com alguma acuidade, mas outra coisa não se esperaria de lugar no Serro Ventoso.

Numa primeira abordagem ao segundo poço deu logo para perceber que a minha estimativa inicial, aquando da primeira descida (do poço de entrada), estava algo hiperbolizada, certamente levada em erro por um menor índice e nível de luz empregue. Confirmado posteriormente, verificou-se que terá cerca de 5 metros de profundidade.

A grande dificuldade na equipagem deste poço prendia-se com o estado das paredes, muito instável de uma forma geral, com pedra quebradiça, calcite em formação mas bastante frágil ainda, e muita formação laminar. Foi preciso proceder a um saneamento prévio das zonas mais críticas ao mesmo tempo que se limpava as paredes exteriores instáveis na procura de rocha apta a receber um spit.

Muita rocha caiu... E muita ainda vai ter que cair. Passo seguinte, equipar o poço, que se veio a revelar, após todo o trabalho prévio, mais fácil do que antecipara, isto após encontrar uma posição adequada para poder começar a dar ao martelo. Em regime de exploração, com um spit colocado,  e com um roçador logo abaixo para proteger a corda, toca de descer o poço, cuja base está repleta de todo o "entulho" que foi caindo ao longo da sua formação (mais a que fora minuto antes mandada para baixo), formando uma pequena rampa, que terminava numa muito pequena abertura ao nível do "chão".

Vista do fundo do segundo poço

Pequena abertura na base do poço 
Plano mais aproximado
Inquieto com a possibilidade de continuação comecei logo a retirar material que fui empilhando em redor, junto às paredes, tarefa que se foi tornando progressivamente mais complicada e morosa. A verdade é que sem o pé de cabra ou outro material de desobstrução a tarefa era inglória, e como o material de topografia também tinha ficado à superfície não havia outra solução que não subir.

No retorno, e como exercício de auto-controlo e disciplina, procedi primeiro à continuação do levantamento topográfico iniciado na saída anterior. Depois foi colocar mãos à obra, ou melhor, pé de cabra à obra. Primeiro para sentir a firmeza  e consistência do "substrato"... cedia e perfurava como pensava,  constituído por uma mistura de terra (e lama) e pedras de variada dimensão, e depois para testar a profundidade da abertura.... entrava até ao fim!!

Bem, foi começar a revolver e retirar material, primeiro a base do poço junto à abertura e depois começando a progredir no sentido desta.

Numa fase onde se começou a alargar a abertura abrindo a sua base


Desobstrui o suficiente para colocar as duas pernas lá dentro e "apalpar" um pouco.

Devo dizer que já antes de começar a desobstruir tinha ficado com a sensação que se sentia um ligeiro sopro, mas não conseguia identificar com certeza se partia desta abertura ou de uma das duas fracturas laterais, de muito reduzida largura, que se viam nos lados do poço (mas que me pareciam não evoluir verticalmente de forma relevante).

A verdade é que com estes trabalhos preliminares de desobstrução essa sensação, de sopro fresco e mais forte, aumentou, bem como a percepção da possível origem. Não conseguindo afirmar com certeza, pois não posso descartar a possibilidade de circulação de ar do exterior, a verdade é que aponto a origem para a abertura. Mais, a certa altura, enquanto revolvia a terra e aumentava a dimensão da abertura, senti um odor relativamente forte a ar "pesado" que acabou por se dissipar rapidamente. Já fora foi-me dito pelo Zé Leal (Pai) que durante os trabalhos de desobstrução foi visível uma pequena coluna de pó/partículas/vapor a sair do algar.

O certo certo é que sem mais trabalho não teremos certezas, e vontade não falta. Vai exigir alguma dedicação mas o local tem muito potencial, especialmente tendo em conta a cota de entrada, e a sua proximidade ao Algar do Renhal.

A ver no que vai dar.

Um abraço,
Alexandre Leal