Algar do Vento Atroz
Perto do Cabeço Renhal, Bezerra
Exploração, 14 de Março de 2016
Equipa - Alexandre Leal
Após uma pequena paragem eis que voltámos ao pequeno algar na encosta da Bezerra para o início, de forma focada e decidida, da desobstrução da pequena passagem descoberta na base do segundo poço (P5), que se julgava poder dar para um outro poço total/parcialmente obstruído com pedra e terra/lama.
| Boca do algar. |
| Zona envolvente. |
Carregado com dois kitbags cheios (um deles ficou na base do primeiro poço) e mais um pé de cabra em posição "improvisada", equipei e desci até à base do P5. Primeira tarefa preparar o local e o equipamento para a desobstrução, nomeadamente "escorando" melhor o material já retirado, e preparando zonas para vir a receber o material a retirar.
| A (muito) pequena abertura tal como descoberta na primeira descida do segundo poço. |
Com o pé de cabra e uma pequena pá de campo coloquei mãos à obra, sempre com cuidado redobrado não só com o que estava à minha frente, mas também com o material que ia depositando à minha volta, (e acima, em rampa) que ia tentando estabilizar o melhor possível. A posição não era nada confortável e a amplitude de movimentos e de trabalho por vezes muito reduzida.
| Imagem do espaço após trabalho de desobstrução de uma perspectiva superior |
O corrente de ar que se fazia sentir na saída anterior não era, agora, tão notória, e se alguma evolução teve ao longo da desobstrução, estranhamente, diria que foi no sentido de se tornar menos evidente. Em qualquer dos casos numa das posições de trabalho, quando me encontrava enfiado na abertura, de peito para baixo, utilizando os pés para ir soltando/removendo material da zona mais profunda, em particular quando estava com a face mais próxima da base (em rampa), era inegável o fresco que soprava. Devo assinalar também que a atmosfera ficou rapidamente saturada, e resultado do esforço e calor do meu corpo aliado à respiração. O vapor de água era facilmente visível, embora não tinha tido a capacidade para o apanhar em fotografia.
Um facto que me chamou a atenção, e que aliás me deixou durante algum tempo perplexo confesso, foi o som/vibração (não consigo definir melhor) que se começou a fazer sentir pontualmente a partir de certo momento. Ao principio cheguei a pensar que fosse um pequeno tremor de terra, depois passou-me pela cabeça que poderia ser, de alguma forma, o som de aviões a sobrevoar a zona. Depois percebi que era o som/vibração das descargas?/trabalhos na pedreira no outro lado do vale, e que se fazem sentir, e bem, no interior do algar.
| O espaço interior é "bastante"maior. Com efeito conseguiria "enfiar-me" até bem ao peito. |
São, enfim, muitos pontos de interrogação, a que urge responder... mas o esforço despendido ao longo de quase 6 horas já não permitia grandes ganhos ou progressão. As mãos em particular já se apresentava claramente desgastadas e a responderem mal às solicitações. Um claro caso de "diminishing returns".
Era hora de subir e sair, facto que não se apresentou particularmente fácil atento às características e dimensão da abertura. Isso e o facto de trazer abaixo de mim 2 kitsbags e na mão esquerda o pé de cabra... ;)
O dia cá fora estava bastante bom, com um sol muito agradável, que contrastava com os kilos de lama que trazia agarrado a mim... a fazer lembrar outras lutas.
Já em casa, aproveitei para actualizar o croqui da algar com a área já desobstruída.
Já em casa, aproveitei para actualizar o croqui da algar com a área já desobstruída.
Abraço e até à próxima,
Alexandre Leal


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