terça-feira, 1 de março de 2016

Algar do Ventro Atroz

Perto do Cabeço Renhal, Bezerra

Exploração, 01 de Março de 2016



Equipa - Alexandre Leal
Apoio logístico à superfície - José Leal




Hoje foi dia de ir para o terreno, e o objectivo já há muito estava traçado. Regressar ao Algar do Vento Atroz, equipar o segundo poço, descer e averiguar possibilidades de progressão.

Após um fim de semana "algo" agreste para esta zona o dia de hoje apresentava-se bastante ameno, o que, naturalmente, facilita sempre a tarefa. Não que o vento não se fizesse sentir com alguma acuidade, mas outra coisa não se esperaria de lugar no Serro Ventoso.

Numa primeira abordagem ao segundo poço deu logo para perceber que a minha estimativa inicial, aquando da primeira descida (do poço de entrada), estava algo hiperbolizada, certamente levada em erro por um menor índice e nível de luz empregue. Confirmado posteriormente, verificou-se que terá cerca de 5 metros de profundidade.

A grande dificuldade na equipagem deste poço prendia-se com o estado das paredes, muito instável de uma forma geral, com pedra quebradiça, calcite em formação mas bastante frágil ainda, e muita formação laminar. Foi preciso proceder a um saneamento prévio das zonas mais críticas ao mesmo tempo que se limpava as paredes exteriores instáveis na procura de rocha apta a receber um spit.

Muita rocha caiu... E muita ainda vai ter que cair. Passo seguinte, equipar o poço, que se veio a revelar, após todo o trabalho prévio, mais fácil do que antecipara, isto após encontrar uma posição adequada para poder começar a dar ao martelo. Em regime de exploração, com um spit colocado,  e com um roçador logo abaixo para proteger a corda, toca de descer o poço, cuja base está repleta de todo o "entulho" que foi caindo ao longo da sua formação (mais a que fora minuto antes mandada para baixo), formando uma pequena rampa, que terminava numa muito pequena abertura ao nível do "chão".

Vista do fundo do segundo poço

Pequena abertura na base do poço 
Plano mais aproximado
Inquieto com a possibilidade de continuação comecei logo a retirar material que fui empilhando em redor, junto às paredes, tarefa que se foi tornando progressivamente mais complicada e morosa. A verdade é que sem o pé de cabra ou outro material de desobstrução a tarefa era inglória, e como o material de topografia também tinha ficado à superfície não havia outra solução que não subir.

No retorno, e como exercício de auto-controlo e disciplina, procedi primeiro à continuação do levantamento topográfico iniciado na saída anterior. Depois foi colocar mãos à obra, ou melhor, pé de cabra à obra. Primeiro para sentir a firmeza  e consistência do "substrato"... cedia e perfurava como pensava,  constituído por uma mistura de terra (e lama) e pedras de variada dimensão, e depois para testar a profundidade da abertura.... entrava até ao fim!!

Bem, foi começar a revolver e retirar material, primeiro a base do poço junto à abertura e depois começando a progredir no sentido desta.

Numa fase onde se começou a alargar a abertura abrindo a sua base


Desobstrui o suficiente para colocar as duas pernas lá dentro e "apalpar" um pouco.

Devo dizer que já antes de começar a desobstruir tinha ficado com a sensação que se sentia um ligeiro sopro, mas não conseguia identificar com certeza se partia desta abertura ou de uma das duas fracturas laterais, de muito reduzida largura, que se viam nos lados do poço (mas que me pareciam não evoluir verticalmente de forma relevante).

A verdade é que com estes trabalhos preliminares de desobstrução essa sensação, de sopro fresco e mais forte, aumentou, bem como a percepção da possível origem. Não conseguindo afirmar com certeza, pois não posso descartar a possibilidade de circulação de ar do exterior, a verdade é que aponto a origem para a abertura. Mais, a certa altura, enquanto revolvia a terra e aumentava a dimensão da abertura, senti um odor relativamente forte a ar "pesado" que acabou por se dissipar rapidamente. Já fora foi-me dito pelo Zé Leal (Pai) que durante os trabalhos de desobstrução foi visível uma pequena coluna de pó/partículas/vapor a sair do algar.

O certo certo é que sem mais trabalho não teremos certezas, e vontade não falta. Vai exigir alguma dedicação mas o local tem muito potencial, especialmente tendo em conta a cota de entrada, e a sua proximidade ao Algar do Renhal.

A ver no que vai dar.

Um abraço,
Alexandre Leal   

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