Algar do Muro 3
Paiã, São Bento
21 de Agosto de 2019
Coordenação - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Pedro Bernardes (GEM)
Se as condições de trabalho dentro eram apertadas e duras à superfície eram piores. A temperatura alta, sem qualquer tipo de aragem (até por volta das 16h30), o tempo completamente seco, condição a que acrescia o muito pó alaranjado que se fazia sentir à nossa volta e dificultava tanto a respiração como a visão, complicava os trabalhos, o que obrigou mesmo a uma paragem obrigatória para almoço a horas decentes... decentes, pasme-se.
À medida que íamos ganhando mais espaço fomos tentando deitar mão a alguns dos blocos que entretanto haviam resvalado e ficado entalados na fenda. Este alargamento do espaço de trabalho foi fundamental para se conseguir obter uma primeira imagem para dentro da fenda, em concreto direccionada para a esquerda, uma vez que um dos blocos caídos para dentro da fenda imediatamente por baixo dos nossos pés ainda nos bloqueava a visão dessa zona (e não fora ainda possível retirar atento à sua dimensão).
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Pedro Bernardes (GEM)
Com o ponto de encontro marcado para o Cantinho do Francisco, entre dois dedos de conversa, lá nos colocámos a caminho da Paiã.
O verão, que de tão tímido que tem estado, parecia querer-se vingar das críticas que lhe têm vindo a ser dirigidas, e apontava os seus raios através de uma azul límpido para "castigar" os incautos. Carro estacionado quase em frente ao "buraco", e ainda antes de atravessar a estrada para subir o muro que dá o nome ao algar já eu pingava por todo o lado... O que valia é que o algar era "já ali" (e neste caso era mesmo já ali à beira da estrada).
Enquanto o Pedro retirava a palete de madeira e os blocos que bloqueavam a boca do algar e impediam novos incidentes (com o gado) eu equipava a corda numa oliveira adjacente. O Parabolt já equipado iria ser utilizado apenas na eventualidade de uma descida pela fenda (não querendo entrar no campo técnico, que não domino, mas, e tendo em conta o que já encontrei no vizinho Algar do Muro 1, é possível que haja aqui uma pequena falha, ou uma família de diaclases sistemáticas, num contexto complexo).
Mas até lá o trabalho ainda seria árduo, moroso e possivelmente complexo. As perspectivas, com base na saída anterior, eram, ainda assim, positivas, tendo em conta a pedra encontrada até ao momento. Se a pedra continuasse a "colaborar" poderia ser que viéssemos ainda hoje a descer, isso se essa descida fosse exequível, o que ainda faltava determinar.
Se as condições de trabalho dentro eram apertadas e duras à superfície eram piores. A temperatura alta, sem qualquer tipo de aragem (até por volta das 16h30), o tempo completamente seco, condição a que acrescia o muito pó alaranjado que se fazia sentir à nossa volta e dificultava tanto a respiração como a visão, complicava os trabalhos, o que obrigou mesmo a uma paragem obrigatória para almoço a horas decentes... decentes, pasme-se.
Mas o trabalho ia avançando paulatinamente. Com maior ou menos sucesso ía-mos conseguindo criar espaço na zona do primeiro "degrau", por forma a poder atacar a fase seguinte, ou seja, a fenda que parecia estender-se para a parede da esquerda, embora não fosse, à altura, possível determinar se havia também continuação para a direita.
À medida que íamos ganhando mais espaço fomos tentando deitar mão a alguns dos blocos que entretanto haviam resvalado e ficado entalados na fenda. Este alargamento do espaço de trabalho foi fundamental para se conseguir obter uma primeira imagem para dentro da fenda, em concreto direccionada para a esquerda, uma vez que um dos blocos caídos para dentro da fenda imediatamente por baixo dos nossos pés ainda nos bloqueava a visão dessa zona (e não fora ainda possível retirar atento à sua dimensão).
Essas primeiras imagens foram conseguidas via GoPro, com o posicionamento do capacete o melhor que conseguíamos à altura, e não obstante não terem sido conclusivas davam alguma esperança quanto à dimensão da fenda cerca de 1m/1,5m mais à frente.
Essa informação foi decisiva para focar o trabalho de alargamento e desobstrução num ponto particular, a parede esquerda anterior à fenda, com o objectivo de cortar o ângulo e permitir assim atingir o ponto em que a fenda tem uma dimensão suficiente para permitir descer sem qualquer dificuldade.
O problema desta opção é que nesse exacto local a rocha apresentava-se coberta com manto calcítico entre os 10 e os 15cm, que iriam dificultar e atrasar o andamento dos trabalhos, facto que se veio progressivamente a constatar ser uma realidade.
O caminho está traçado ainda que comporte alguns riscos e ainda muito trabalho até alcançar o objectivo. A redução do bloco que se pode ver no centro da imagem supra poderia dar uma ajuda preciosa MAS qualquer intervenção neste elemento exige um cuidado acrescido atento ao impacto que este pode ter na estabilidade do grande bloco que constitui a parece central do poço.
Com calma chegaremos lá para descobrir até onde a fenda nos permitirá descer...
Um abraço especial para o Pedro que se juntou hoje aos trabalhos, e que sabe ter a porta aberta sempre que quiser vir partir pedra e sofrer um pouco (sofrer mas com estilo, sempre com estilo 😈).
E para o resto do pessoal um abraço alaranjado,
Alexandre Leal
















