quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Algar Eureka

Vale Florido, São Bento

07 de Agosto de 2019





Coordenação - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - Alexandre Leal (NEL)







O plano traçado era atacar a exploração desta cavidade durante a época de verão, esperando assim que as condições de humidade fossem significativamente mais baixas após um período relevante de tempo seco, que permitisse reduzir a presença de lamas e assim reduzir a dificuldade dos trabalhos de desobstrução. 

Fazendo fé no Winguru ontem era suposto não chover naquela zona... obviamente estava errado, ainda que a ameaça preconizada pela chuva que caiu durante todo o percurso até Vale Florido fosse amenizada pelos chuviscos miudinhos que se faziam sentir quando estacionei o carro. A pluviosidade parecia ter sido mínima, com reduzida capacidade de infiltração, facto confirmado pela centrada do algar, que apresentava uma terra seca e fina.

Depois de equipar o primeiro poço (natural na oliveira sobranceira ao Algar das Raízes", e limpar as muitas teias de aranha que estabeleciam uma "segunda linha de defesa", estava na altura de atacar o aperto e fazer-me ao interior do Eureka.

No segundo poço encontrei uma muda (de pele) de uma pequena cobra (menos de 50cm) numa das paredes, "presa" numa zona com argila. Enquanto equipava o Y para descer até à base desta segunda vertical lá ia tentando vislumbrar outros indícios da sua presença e perceber se estava numa situação que necessitaria de "extração" para a superfície, mas sem sucesso. Pode ser que tenha conseguido sair, embora acredite mais plausível que tenha continuado a descer...

Na ponta de exploração, a desobstrução do terceiro poço, cerca de 2/2,5m abaixo da base do segundo poço, as condições, as condições de trabalho não são fáceis. Espaço limitado para a colocação do material e ferramentas de desobstrução, espaço limitado para colocar a pedra que resulta deste esforço de desobstrução, espaço limitado que dificulta os trabalhos, e a presença de lama que não ajuda (ainda que desta feita muito menos presente e sem água a pingar copiosamente pelas paredes abaixo como aconteceu na saída anterior, em Dezembro passado).


Esta primeira saída do ano tinha como objectivo principal permitir fazer, in loco, uma nova análise ao ponto de situação e possibilidade de progressão em condições um pouco mais favoráveis.

Confesso que num primeiro momento, e perante o que era visível através da pequena abertura que se havia conseguido abrir na saída anterior, a possibilidades de progressão relevante me pareciam limitadas. Pensamento negativo ultrapassado quando em virtude do andamento dos trabalhos alguns blocos teimavam em cair muito mais do que aquilo que era visível.

Com o espaço muito limitado, que tornava quase impossível atacar a zona mais profunda da obstrução, mostrava-se necessário alargar a zona envolvente, e permitir uma maior amplitude de movimentos e assim, com algum contorcionismo (que será sempre necessário nestas situações), continuar a desobstrução e alargamento do poço.

A pedra, para variar um pouco, ajudou e consegui retirar um volume significativo da parede "direita" (do ponto de vista de ataque ao buraco), e num por to estratégico da parede esquerda, o que permitiu recomeçar a "partir" pedra na zona circundante à abertura, nomeadamente na parede da direita.

Início dos trabalhos.

Após início da "ablação" de ponto estratégico na parede direita.

Esforço de alargamento da abertura após ter ganho alguma margem de manobra.















Este será um esforço que necessitará de, pelo menos, mais duas saídas de trabalho de desobstrução para permitir ter alguma esperança de alargar a vertical o suficiente para poder ambicionar descer até um ponto que permita perceber se a profundidade que as pedras caiem é exequível alcançar em termos humanos.

A dimensão real do poço, tendo em conta as dimensões do espaço em que me encontro, em termos abstratos, dá alguma esperança de encontrar uma forma de progredir. O espaço está lá, o risco, bem real, é que esteja obstruído ao longo de todo o poço com blocos como aqueles que obstruíam o acesso à vertical, objecto do presente esforço de desobstrução.

Há que insistir, há que continuar a lutar, até porque o resultado pode ser muito, muito, interessante.

Grande abraço,
Alexandre Leal
   

Sem comentários:

Enviar um comentário