terça-feira, 16 de julho de 2019

Algar do Cabeço Renhal 6

Bezerra, Serro Ventoso

14 de Julho de 2019






Coordenação - Alexandre Leal (NEL).
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Alexandra Leal (superfície).






... e a pedra caía, caía. Ao todo entre cinco e seis segundos até parar no fundo do poço. A minha estimativa mais conservadora apontava para os 20/25 metros, se o tempo de queda fosse muito adulterado por ressaltos horizontais ou em grandes arcos, ao mesmo tempo que equacionava a possibilidade de um poço superior a 40 ou 45m.

Antes de colocar as mãos à obra, e por uma questão óbvia de segurança, coloquei um primeiro parabolt mu, afloramento adjacente, para servir de aproximação, e um segundo num ponto superior do afloramento situado na orla da abertura (visível à esquerda do grande bloco que ocupa o centro da abertura). 

Com a corda colocada estava na hora de começar a desobstruir a abertura, retirando os blocos que impediam o ingresso na cavidade. Reconheço o meu optimismo nesta tarefa prévia, um optimismo mal equacionado como se veio a revelar.

As pedras mais pequenas facilmente foram retiradas para o lado, já o grande bloco central veio a mostrar-se uma tarefa hercúlea que não consegui superar sem recorrer a outras soluções mais drásticas. O problema era, no entanto delicado, uma vez que o bloco tinha uma dimensão tal que facilmente poderia ficar encravado abaixo da superfície, e dificultar exponencialmente a sua remoção ou envio para baixo. 

Após várias tentativas frustradas para tentar empurrar o bloco para o lado tive, a solução parecia ser o seu seccionamento em blocos mais manejáveis, levado a cabo com o cuidado e "delicadeza" necessária para evitar deslizes para o interior. Uma tarefa que levou bastante mais tempo do que o antecipado em etapas sucessivas de "desgaste" embora me tenha surpreendido com a eficácia do trabalho. Na verdade consegui "ablar" a grande parte do bloco, incluíndo uma secção muito relevante (a azul), terminando com parte do "bico" situado sobre o vazio e dividido em dois blocos que se sustinham de forma particularmente equilibrada. A tal ponto que tive que me esforçar com o pé-de-cabra para finalmente os enviar para baixo (as únicas partes do grande bloco que caíram).

E por esta altura, com um sol bem "duro" a brilhar por cima de mim, já escorria por todo o lado...  Sem sombras adequadas para se abrigarem a Xana acabou por aproveitar este momento para levar os miúdos para o carro.

Com esta tarefa ultrapassada era necessário agora equipar a cabeceira. A opção tomada, por forma a permitir descer sem roçar em ponto algum até à plataforma situada cerca de 11m mais abaixo, foi a colocação de dois parabolts para equipar em Y.  Uma análise posterior das imagens gravadas durante a primeira ascensão à superfície permitiu perceber algo que no local me passou despercebido e que constitui um elemento de risco. O afloramento onde foi colocado o segundo ponto de segurança (ainda de aproximação) e um dos parabolts do Y, não é um bloco solidamente integrado na parede do poço, antes um bloco "encaixado", tipo tetras, entre as paredes laterais. E ver com atenção na próxima saída.

Com o esforço despendido na desobstrução, as altas temperaturas e o cansaço muscular ainda não totalmente recuperado das largas, LARGAS, horas passadas a pé no NOS Alive, o objectivo seguinte era apenas descer até à plataforma visível e tentar perceber a verdadeira dimensão do poço até à sua base... que se veio a revelar bastante menor do que o ambicionado, muito perto das estimativas conservadoras.




Da plataforma até à base do poço talvez uns 8m (10m no máximo), apontando para uns 20m na totalidade. Tendo em conta a largura reduzida neste sector do poço, que permitia a sua descida controlando e evitando o roço da corda na borda da plataforma, acabei por descer até à base para uma melhor análise e possível identificação de pontos de interesse.

E em boa hora o fiz, permitindo a localização de um pequeno coelhinho que havia sobrevivido não só a uma queda de cerca de 20m como havia, miraculosamente, evitado os grandes blocos que haviam caído. E com danos mínimos, apenas um aranhão numa das patas traseiras que mais não parecia ter feito do que arrancado um pouco de pelo. Após a surpresa inicial (de ambas as partes) acabou por se "proteger" junto da parede onde estava, tendo eu aproveitado para construir um pequeno muro em sua volta que não só o faria sentir mais seguro como evitava que fugisse e tornasse mais difícil o seu salvamento.

Em seguida, e antes de voltar à superfície para ir buscar o kit-bag que me permitiria retirar o "Lucky" em segurança, aproveitei para descer a pequena rampa repleta de pedras caídas, fruto de abatimentos bastante relevantes, até ao ponto em que a passagem se "esgotava". Na parede esquerda uma janela a meia altura dava acesso a um pequeno poço paralelo que necessita ser visto embora à partida não pareça ter grandes possibilidades de progressão.

Final da rampa. É possível equacionar a possibilidade de progressão, obstruída
pelo caos de blocos visível na imagem... 
Visão para dentro do poço paralelo.



Estes dois pontos exigem uma análise mais apurada e demorada, pelo que teria que ficar para outro dia tendo em conta o supra descrito. O mais importante era agora proceder ao resgate do Lucky, que foi levado a cabo em qualquer tipo de problema. Primeiro importava ir buscar o Kit-Bag, depois foi colocar o Lucky no seu interior e com o cuidado possível ir subindo evitando ao máximo grandes oscilações ou embates contra as paredes.

Em menos de nada lá estava ele banhado pela luz do sol, colocado a uma distância segura do buraco.



Depois foi tentar colocar as pedras disponíveis em volta da abertura o melhor possível por forma a reduzir o risco de quedas acidentais, facto que precisa de ser melhorado na próxima saída, arrumar todo o equipamento, e tentar chegar ao carro antes de "desfalecer"... 😂 objectivo também concluído com sucesso invejável.

Para a semana não dá... estarei pela Cantábria a desfrutar da paisagem, mas depois é voltar à carga.

Grande abraço,
Alexandre Leal

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