Algar da Rampa do Cabeço Renhal 1
Bezerra, Serro Ventoso
05 de Julho de 2019
Coordenação - Alexandre Leal.
Equipa - Alexandre Leal.
As expectativas eram altas... o que não cedia de uma forma cederia de outra, e do outro lado uma sala daria iria permitir o acesso a uma nova vertical!
... utilizando técnicas complementares, com especial recurso ao "Azulinho" para retirar a pedra que teimava apenas em estalar, lá fui abrindo caminho. Com calma e algumas pausas técnicas pelo caminho para deixar descansar os músculos da mão e antebraço direito (o Mauler parecia pesar uma tonelada), a pedra ia cedendo e a abertura tornando-se progressivamente maior.
O ambiente esse era estranhamente opressivo... pela primeira vez dei por mim a olhar, por várias vezes, para a passagem nas minhas costas, com se alguém estivesse a observar-me. O foco esse permanecia no trabalho. Estava confiante que iria rapidamente descobrir o que estava no outro lado do "buraco".
Até que de repente consegui retirar um bom "naco" na orla esquerda da abertura, o que me permitiu, com um ângulo mais aberto, ter uma ideia mais acertada do espaço que havia no outro lado... e foi um balde de água fria.
Ao invés do que antecipava no outro lado não encontrei uma sala, nem mesmo um pequeno nicho que me permitisse, de alguma forma, movimentar-me e aceder à vertical. No outro lado apenas uma estreita fractura perpendicular à passagem em que me encontrava, com a base bloqueada em 80% da zona visível por uma manto calcítico, que pouco deixava para a estreita, muito estreita fractura neste ponto, penetrar insidiosamente pela rocha a dentro.
E a análise com estes novos dados permitiu concluir que esta fractura conflui com a também muito estreita fractura que segue paralela e junto à parede da direita na passagem onde me encontrava, como se indico no pequeno vídeo que encontraremos mais abaixo.
E esta análise implicou a retirada prévia de toda a pedra que havia resultado do trabalho de desobstrução e que havia depositado exactamente junto à parede direita, por uma questão de economia de esforço, uma fez que a fractura já anteriormente identificada me pareceu, desde o primeiro momento, um ponto de progressão "algo complicado", o que se veio a confirmar.
O balde de água não poderia estar mais gelado... pela minha estimativa deveria estar perto das 12h30/13h00 (o que se veio a mostrar, pasme-se, absolutamente certeiro). Foi guardar todo o equipamento de desobstrução e subir à superfície e aproveitar o tempo restante para fazer verificar um ponto já anteriormente testado (mas não concluído uma vez que o raio da pedra teimou em partir-me "ligeiramente" a cabeça) e fazer um pouco de prospecção na zona circundante, bem como fazer uma primeira abordagem a um algarucho que havia identificado bem perto do carro.
Sendo certo que parti a cabeça por nada, uma vez que entre os dois afloramentos rochosos, escondido por uma vegetação chata de afastar, não encontrei qualquer tipo de entrada para uma gruta perdida no tempo, e muito menos o acesso uma qualquer época geologicamente perdida no tempo (com ou sem dinossauros), a verdade é que ao colocar o kit-bag às costas reparei que uns 10 ou 15m mais abaixo havia algo que me chamou a atenção... uma laje colocada num ângulo estranho e o que parecia uma depressão ou um zona mais escura.
Foi pegar na corda, descer entre os dois afloramentos rochosos e ser positivamente surpreendido.
E ali estava ele, em toda a sua glória obstruída (obviamente). E a surpresa foi ainda maior quando mando a primeira pedra lá para dentro. O que me parecia ser a base do poço, lá em baixo e por entre o pó, apresentava-se em conflito com o tempo que as pedras demoravam a para se apresentarem de forma mais intima com a pedra dura no fundo do poço. Ou muito me engano ou este poderá ser o poço mais profundo do Cabeço, a confirmar numa próxima saída.
Com o sol lá bem no alto estava na altura de ir ao carro hidratar um pouco mais e fazer uma primeira abordagem ao tal algarucho que estava mesmo ali à mão de semear... E era mesmo um pequeno algarucho. Nada mais do que um pequeno buraco de forma marcadamente quadrada muito bem demarcado por afloramento rochosos, mas inoportunamente ocupado por silvas. A paciência não era muita para lidar com esta resiliente oposição, mas a curiosidade conseguia ser um pouco mais forte e com alguma calma (alguma... não mais do que isso) lá consegui desbastar um pouco esta teia espinhosa e testar a base com o "Big-Mike", que junto às paredes se enterrava por entre o manto fofo de terra e matéria vegetal.
Por uma questão de segurança coloquei a corda num pinheiro que se encontrava ali mesmo a jeito e comecei a retirar pedra e afastar terra e...
... lá comecei a abrir caminho para um pequeno espaço horizontal que se estendia por baixo da rocha que formava a parede do poço. Alguns blocos de maior dimensão acabaram por resvalar para dentro o que bloqueou, em certa medida, uma melhor visão do interior, que também era algo apertado.
Uma pequena cavidade que precisa de ser vista, sobretudo para perceber se poderá dar acesso a um poço por ora escondido. Mais uma para o registo do Cabeço Renhal, uma zona ainda com muito por revelar.
Grande abraço,
Alexandre Leal









Sem comentários:
Enviar um comentário