terça-feira, 8 de março de 2016

Algar dos Ouriços

Terras do Risco, Sesimbra

05 de Março de 2016

Equipa-  Rui Francisco (Coordenador da equipa e líder do projecto de exploração e    
                                          levantamento topográfico)
             - Alexandre Leal, Alfredo Luís Saloio, Marco Messias (CEAE-Lpn)




Saindo um pouco fora da "zona de conforto", no passado dia 05 de Março rumei para sul, em direção às Terras do Risco, para me juntar à equipa coordenada e liderada pelo Mestre Loia, numa actividade de exploração e levantamento dos dados topográficos do Algar dos Ouriços.


Antes de entrar em concreto na análise e relato da actividade uma palavra prévia, em tom de sério aviso, para os cuidados e riscos inerentes à exploração de algares com as características que o Algar dos Ouriços apresenta. Muito em concreto, exige-se uma análise apurada e atenção permanente, sobretudo e muito em particular na zona dos poços, com especial atenção para acesso e descida do P13, para a potencial (e quase omnipresente) presença de elevados índices de co2. A avaliação das condições de segurança não pode ser descurada.

Situando-se no perímetro do Parque Natural da Arrábida e Rede Natura 2000, na extremidade do polje das Terras do Risco, foi, pelo que me é dado a perceber, pela informação disponível e pela troca de impressões com o Rui Francisco (um verdadeiro poço de conhecimento sobre uma multiplicidade de tópicos e áreas de conhecimento relacionadas directa e indirectamente com o estudo espeleológico) descoberto no ano de 2001, no âmbito de explorações efectuadas pelo NECA - Núcleo de Espeleologia da Costa Azul, tendo exigido várias acções de desobstrução, nomeadamente no que toca ao alargamento da entrada para permitir o seu ingresso.


É uma cavidade que apresenta uma actividade hidrologia nas épocas de pluviosidade, o que aliás é em si um elemento a ter em conta numa dupla perspectiva em termos de segurança. Por um lado exige-se uma atenção particular aos níveis de pluviosidade potenciais durante a exploração da cavidade, especialmente tendo em conta que apresenta vários pontos onde o progresso é feito via estreitezas (em alguns casos em declive mais ou menos acentuado). Por outro lado é esta pluviosidade, quando atingindo valores relativamente elevados, que irá permitir um  certo "arejamento" das zonas mais "problemáticas"  em termos da presença de CO2.

Escusado será dizer que, tendo em conta o nível operacional da equipa e experiência da coordenação, e atendendo aos condicionalismos e limitações impostas pela verificação de um elevado nível de co2 nas zonas acima identificadas, a actividade desenvolveu-se com proficiência e agilidade.

No âmbito da exploração, com extremo cuidado e após cuidada ponderação, foram efectuadas duas descidas ao poço situado na zona de maior concentração de co2,  lideradas pelo Rui Francisco, com o objectivo de re-avaliação da zona e análise de possíveis formas de progressão. Em ambos os casos foi "touch and go". O co2 simplesmente não permitia qualquer actividade na base do poço, pelo que foi descer e subir.
Rui Francisco



Alexandre Leal - Fotografia por Rui Francisco
 Com esta via de exploração "bloqueada" o Rui prosseguiu os seus esforços de levantamento topográfico da cavidade, com uma precisão assinalável, e que permite aliás a realização das topografias com o nível de detalhe que são seu apanágio. O cuidado com que aborda esta tarefa é digno de se ver, e pessoalmente não posso deixar de afirmar ser um privilégio poder participar e aprender, in loco, no terreno, com um tão grande operacional.

Tenho que dizer, porque é da mais elementar justiça, e isto numa perspectiva mais ampla, que o privilégio de privar de perto com operacionais do mais alto calibre  é o que me tem possibilitado crescer no campo da exploração, por muito incipiente que a minha experiência seja. ainda. Estamos sempre a aprender. A calma e o à vontade que sinto dentro de uma gruta, em ambiente de exploração, deve-se a estas experiências, e a quem comigo tem partilhado estes momentos, ainda que, por motivos e contornos estranhos, possamos estar (Pica e "Flying Dead") momentaneamente, espero, afastados. 

Alguns dos dados que resultaram aparentes deste levantamento topográfico, poderão contribuir para uma melhor e mais consubstanciada compreensão da dinâmica da cavidade, mas isso deixo para quem sabe e sobretudo para quem assume, de uma forma apaixonada, a iniciativa de estudar de forma sistemática as cavidades da sua terra. Um abraço Rui, um obrigado por me deixares participar nesta aventura, e um até à próxima.



Um dos exemplares que dá nome ao Algar.



Uma equipa séria... quando não se está a rir :) - Fotografia por Rui Francisco



Alexandre Leal out...
             

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