quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Exploração em São Bento

São Bento,  31 de Janeiro de 2016




Equipa (exploração) - Alexandre Leal
Apoio - Alexandra e Rodrigo Leal

Mais um fim de semana, mais uma saída de campo para continuar os trabalhos de exploração de dois algares na Serra de São Bento, o B111 e o B112 (A133 no Cadastro de São Bento), num local que já se tornou paragem habitual.



O objectivo principal era, mais uma vez, conseguir descer o segundo poço do B111, e averiguar a possibilidade de progressão horizontal a partir da pequena plataforma que se vê da cabeceira, e que parece constituir o limite do que será, humanamente e sem desobstrução mais pesada, possível descer, bem como perceber quanto mais a fractura desce, a partir desse ponto,  e que ainda parece ser uma distância relevante.

Chegados ao local procedeu-se à equipagem do primeiro poço (com o objectivo principal de constituir o primeiro ponto de segurança da equipagem do segundo poço) com uma amarração natural, e procedeu-se à descida e acesso ao segundo poço via estreiteza (superior) a partir da pequena passagem  sob a base do primeiro poço. Com a ajuda do Rodrigo o material necessário foi-me passado para a cabeceira do segundo poço via estreiteza (inferior) na mesma passagem e equipado o segundo poço com recurso também a uma amarração natural.

Tudo montado e as perspectivas eram boas, mas rapidamente se dissiparam... o poço, no seu ponto de ingresso, afirmava-se estreito e com uma forma muito pouco negociável. A solução era desobstruir, de forma a alargar um pouco a entrada, mas sobretudo eliminar alguns pontos de contacto que teimavam em "agarrar" tudo quanto tentasse deslizar pelo aperto.

Esta tarefa mostrou-se bastante mais complicada do que parecia devido à reduzida amplitude de movimentos e desconforto da posição de trabalho. Após cerca de duas horas, sem grandes avanços (estou a tentar ser optimista), mais algumas tentativas de descida, e antes de desequipar e subir decidi baixar o capacete com a GoPro e tentar filmar a plataforma e a fractura. O ângulo das filmagens não é o melhor, mas os constrangimentos de acesso do capacete não deixavam muita margem de manobra.



Depois foi subir, deixando o progresso para uma nova saída, com material de desobstrução mais adequado (marreta com mais capacidade de impacto). Tal como está é possível, possível, que o poço seja vencido com algum sangue-frio e o apoio de uma equipa mais operacional (dar suporte na eventualidade de se ficar preso e com dificuldade de progressão). Tenho a certeza que um "furão" com um menor volume corporal passa com maior ou menor dificuldade (dependendo da destreza e tamanho). É insistir e o poço será vencido.


O ponto seguinte seria a exploração do Algar B112, que se confirma ser o A133 do cadastro de São Bento, nas coordenadas constantes da foto infra (e que importa corrigir no referido cadastro), que teve, no entanto, de ser reduzido a uma "sondagem" preliminar via GoPro, uma vez que o meu mais pequeno "ajudante de campo" estava a ficar doentinho, e o frio e vento que se faziam sentir na serra estavam a fazer das suas...





As filmagens no entanto revelam um algar bastante mais interessante que o B111, muito mais concrecionado e amplo, e o que poderá ser um poço num dos recantos, que se vê de relance. 

Dois algares que continuarão a ser intervencionados nas próximas saídas.

Alexandre Leal

Sem comentários:

Enviar um comentário