segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Algar da Cheira

Vale Florido, São Bento

21 de Janeiro de 2017





Coordenação - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Bruno Pais (AESDA), Florbela Silva (AESDA),
                Marco Dias (NEL)






Mais um dia de trabalho na Cheira, mais um dia de trabalho na desobstrução do Poço do Enxofre, com o objectivo ali tão perto mas sempre fora do nosso alcance. Dito de outra forma esta nossa saída veio confirmar que futurologia e exploração espeleológica não combinam muito bem... a última é madrasta a primeira é "pouco científica", e dada ao erro.

Mais um teste à nossa determinação que será ultrapassado com perseverança e atitude (e mais uns molhinhos à mistura para ajudar).

O objectivo era, como sabemos, a desobstrução do ponto 1 no Poço, a sua passagem e a desobstrução dos pontos secundários mais abaixo até atingir a base do mesmo.

Fotografia por Marco Dias. Bruno a furar a pedra...
Atacámos o trabalho de forma dura e decidida, tendo executado vários furos e retirado um volume elevado de pedra, incluíndo vários blocos de dimensão bem relevante, que foram levados para cima no balde via corda, o que implicou um cuidado acrescido no caso das "pedras" de maior dimensão.

Conseguiu-se alargar um pouco o diâmetro da passagem no ponto 1 na parede que tem vindo a ser desobstruída, tendo exigido, no entanto, uma intervenção mais alargada até se conseguir atingir esse desiderato. Conclusão, foi preciso retirar um volume significativo na área sobranceira e que rodeava a zona imediata à pequena passagem para se conseguir esse  alargamento.

À segunda tentativa ainda consegui descer talvez uns 10cm mais mas já
com sério risco de ficar entalado e com o equipamento preso.
Chegámos a pensar que iria dar para passar, e foram efectuadas várias tentativas, tanto por mim como pelo Bruno, mas se era verdade que aquela parte permitia já a passagem das pernas e mesmo do tronco, a verdade é que chegámos à conclusão que um pouco mais abaixo, e na parede oposta, que ficava nas nossas costas na forma como abordamos a descida (tentei descer virado para esse lado e não foi bonito...), a existência de umas pequenas formações impedia a passagem do arnês.

Esta abordagem, mais sistemática, terá que ser reforçada na próxima saída, mas estou confiante (sim, estou confiante) que a passagem ao ponto seguinte está iminente. Será necessário "apenas" uma pequena intervenção em ambos os lados do ponto por forma a possibilitar a passagem do arnês e do equipamento mínimo indispensável, algo que que acredito ser perfeitamente alcançável na próxima saída.

Uma coisa é certa. Mesmo com muito trabalho e um desfecho algo frustrante a equipa permanecia fresca e operacional, e sobretudo muito divertida, pronta para voltar à carga. Aqui e mais além... 


A Equipa.

Fotografia por Florbela Silva.
Fotogénicos... sempre.

Depois o Marco levou-nos a comer mais uns molhinhos, que ele tanto gosta :). 

Marco, Técnico de Profundidade de reputação internacional, certificado para Grandes Profundidades (o resto do pessoal apenas é técnico de pequena e média profundidade), ainda vamos fazer de ti um apreciador da boa gastronomia portuguesa.

Claro está, mesmo em período de descontração a equipa não para e por entre conversas no Cantinho lá conseguimos a identificação de mais dois Algares na zona.  

Um grande abraço,
Alexandre Leal

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