quinta-feira, 10 de dezembro de 2015


Prospecção e Exploração I

Um dia na Serra de São Bento

08 de Dezembro de 2016


Equipa- Alexandre Leal (GEM), Alexandra Leal (GEM)

A serra acordou fria e sob um manto branco de nevoeiro que nos acompanhou durante os primeiros 30 minutos de caminhada, mas que não resistiu ao sol que teimava impôr-se e que nos ajudou não só a encontrar o caminho, bem, com a ajuda imprescindível do gps, como a aquecer o corpo (e a alma) e afastar o vento que por vezes se fazia sentir.

A zona a cobrir apresentava-nos vários pontos já referenciados e cadastrados, que importava ver e analisar, e se possível explorar e fotografa. A progressão, ao contrario de outras zonas nas serras do Maciço Calcário Estremenho, não foi particularmente dificultada pela existência de muita vegetação, que aqui se apresentava esparsa e de pequeno volume, com vários trilhos a entre-cruzar os pontos que tínhamos fixado como objectivo.

A paisagem, um pouco austera mas pessoalmente de uma beleza e personalidade muito própria, prometia um dia emocionante...



Com o plano de ataque traçado, com uma equipa de exploração mínima, dirigimo-nos ao Curral das Éguas, que tinha identificado na minha lista como Algar das Éguas. 

O ponto estava um pouco afastado das coordenadas que tinha mas a Alexandra conseguiu rapidamente identificar a boca do algar, que se apresentava obstruída com lajes e pedras de dimensão bastante relevante. Bem visíveis estavam dois conjuntos de dois spits, já algo corroídos (um deles partido), numa das pedras de maior volume que ladeava a boca (na fotografia a rocha maior à direita, canto superior).


A  dimensão e colocação das pedras não favorecia a sua retirada, com base no equipamento disponível, pelo que fotografámos, por entre as pedras, o interior do poço e seguimos em frente.



Um pouco mais à frente, ladeando um pequeno trilho que passa ao longo de um dos muitos muros de pedra que  compartimentam o terreno, encontramos o ponto A111, um pequeno algar de não mais de 5 metros, que apresentava um parabolt de 12mm (o que impediu a sua descida por falta de elementos de equipagem com essa medida). Fotografámos e referenciámos para uma segunda saída, no sentido de garantir que não existe, como parece do exterior, qualquer possibilidade de progressão. 


   
Continuando, no sentido sul, chegámos a um campo de lapiás onde estava referenciado o ponto A112. Um lapiás muito interessante, com zonas de grandes afloramentos e pedra muito fracturada, e que uma análise mais apurada permitiu ficar com a ideia de que existe um espaço oco, por baixo, algo relevante.

Se na maioria dos casos o "teste da pedra" não revelava mais do que 2 ou 3 metros de profundidade, neste ponto A112, e no ponto que descobrimos cerca de 15m para sul, o ponto L1, apontava para profundidades mais significativas, uns 8 a 9 metros, um pouco menos no L1. A dificuldade reside no facto de, até ao momento, não se ter encontrado qualquer fractura de dimensão suficiente para permitir um ingresso e progressão, por mínima que fosse.





A exploração desta zona irá exigir trabalho de desobstrução duro e uma equipa operacional pronta para o seu ataque.

O ponto seguinte, que erradamente tinha identificado como Alecrineiros 3, e que na realidade seria o Alecrineiros 5, apresentou a primeira oportunidade de exploração efectiva.

Visíveis estavam dois spits colocados à boca do algar, num setup vertical. 


Com uma corda para fazer uma aproximação e equipagem em segurança, apliquei duas plaquetas e um cabo de 40m, que, pela análise do ponto de vista exterior, facilmente cobria a profundidade visível. Estas perspectivas iludem, e já na corda, uns 6 ou 7 metros abaixo, apercebi-me que o "fundo" era apenas uma pequena plataforma em rampa, e que o poço continuava bastante mais para baixo. Não era fácil perceber exactamente quanto, mas diria uns 15 ou 20 metros mais. Mas melhor do que palavras aqui fica o vídeo.


Escusado será dizer que este Algar irá merecer uma nova visitada para exploração e topografia. 

O ponto seguinte, o Alecrineiros 3 (que tinha identificado como Alecrineiros 2), não apresentava qualquer sinal de equipagem fixa, e confesso que não me senti muito confortável com a colocação de equipagem natural na rocha envolvente depois de ter conseguido a proeza de partir uma rocha com uns 30cm de espessura pela simples facto de ter colocado, sem grande força, o pé em cima... Foi aproximar-me da boca do algar para um fotografia para registo e seguir em frente. Posteriormente, e em conversa com o Pedro Robalo, confirmou-se a verdadeira identificação do ponto (Alecrineiros 3), que tem já topografia realizada.



Muito perto encontra-se o Algar da Toca. Uma pequena fractura pela qual se vê um apertado poço com uns 7 ou 8 metros de profundidade.
Procedemos à limpeza da zona envolvente, a colocação de um spit sobranceiro à abertura, e de uma linha de segurança e aproximação (que funcionava como segundo ponto de segurança no ataque ao poço, em regime de exploração). A dimensão reduzida da abertura, no entanto, não permitiu o ingresso, não obstante o trabalho de desobstrução, e alargamento da boca, realizado. O poço em si, apertado, irá necessitar de algum trabalho de "saneamento" de pedras instáveis e terra.

Uma próxima saída poderá trazer novidades.





Porque a luz fugia a passo acelerado e o frio acumulado já se fazia sentir tivemos tempo para a verificação de apenas mais um ponto, o A111 (ponto NT8 na imagem do google earth supra), um pequeno algar de cerca de 2,5m/3m, que desci em oposição e que se verificou não ter passagens ou forma de progressão, visíveis. De ressalvar, no entanto que um pequeno nicho redondo na base do poço, cujo substrato visível era terra/lama, parecia, pelo som do impacto por pedra, oco.


E, já com a luz muito reduzida, pusemos-nos a caminho do carro e um descanso merecido...


Alexandre Leal

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