domingo, 14 de outubro de 2018

Algar das Vacas

Curraleira (Sul), São Bento

06 de Outubro de 2018




Coordenação - Alexandre Leal

Equipa - Alexandre Leal, José Leal (apoio à superfície)








Muitas foram as vezes que me falaram do Algar das Vacas, tanto o Filipe Santos como o Samuel da Costa, que é aliás um profundo conhecedor de toda a zona (entre um sem número de temáticas variadas), e no passado sábado, munidos de umas coordenadas aproximadas, lá fomos para a encosta, (muito perto dos algares da Curraleira Sul 1, 2 e 3) com o objectivo de o identificar, explorar e topografia.

O primeiro objectivo, do qual dependiam os restantes dois, mostrou-se mais complicado do que o antecipado. As coordenadas eram meramente aproximadas (dadas pelo Samuel, de memória, tendo em conta que a última vez que lá tinha ido tinha sido há 15 anos atrás) e a vegetação havia mudado de forma particularmente intensa.

Com uma nova indicação pelo meio, e não menos sorte, passados uns bons 45m,  perscrutando uma zona de vegetação particularmente densa, do qual se destacava a presença sempre auspiciosa de uma figueira, lá consegui identificar uma área mais negra, que se veio a revelar a abertura de um algar, que o Sam me confirmou ser o que buscava via uma foto que lhe enviei.



A aproximação era tudo menos simples atendendo aos muitos ramos, troncos e silvas que tinha que vencer, e que dificultavam todas as tarefas. Tudo prendia... as fitas, a corda, o fato, o kit-bag.

Com calma e paciência coloquei uma primeiro ponto de segurança numa zona mais resistente de um dos troncos da figueira que "sobrevoava" o buraco para o meu lado, e um segundo já perto da cabeceira do poço enquanto falava com o Samuel (que entretanto havia chegado) sobre a situação dos bombeiros e do posto de São Bento (uma realidade que urge resolver, a bem da população). 

Por uma questão de segurança, e uma vez que os troncos e ramos disponíveis apresentavam em alguns pontos alguma fragilidade, não obstante a sua aparente robustez, coloquei um parabolt na parede oposta, sobranceira à vertical (enquanto o Sam me indicava uma Espargueira mesmo ali ao lado), o que facilitaria também o ingresso e saída do pequeno poço de entrada (cerca de 6m de profundidade).

Lá em baixo foi a surpresa total. Estava à espera de uma cavidade de pequenas dimensões, com uma pequena rampa que conduziria ao término um pouco mais à frente. Ao invés a cavidade desenvolvia-se não só no sentido que esperava ainda que com uma dimensão e volumetria bastante maior do que o antecipado...


 ... como também no sentido contrário, em sentido tendencialmente ascendente, com umas zonas um pouco mais profundas, incluíndo um P4 "algo" estreito que tem que ser descido resolver as dúvidas que ainda restam sobre a possibilidade de desenvolvimento. Por ora ficou um ?.






























Com a exploração feita passei para a fase seguinte, o levantamento topográfico, que demora sempre um pouco mais feito na totalidade por uma só pessoa, mas com calma a coisa lá se vai fazendo, mesmo com a minha tendência natural para complicar, entre comunicações para o exterior a responder à chamada para confirmar que estava tudo OK.

Começando pela zona mais baixa e progredindo para a zona anterior, em direcção ao Nor-Noroeste, lá fui tirando os pontos com o DistoX, que ia passando para o PDA para o croqui. Convenhamos, demorou mais do que o esperado, pelo que já não deu tempo para o levantamento topográfico da outra cavidade que tinha em mente, o Algar da Cobra, A.K.A, Algar da Pia Carneira 4, que terá que ficar para outra actividade.





Com os trabalhos concluídos estava (mais do que) na altura de subir.... Tínhamos uma mão de vaca com grão deliciosa à nossa espera no Cantinho, e já estávamos bem atrasados.



Já em casa, o trabalho arrastou-se durante mais dois dias para concluir a topografia e fazer a arte final.




Um abraço topográfico
Alexandre Leal

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