quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Sumidouro S1 (Toca do Coelho) 

Chão das Pias, Planalto de Santo António

25 de Setembro de 2018




Coordenação - Alexandre Leal

Equipa - Alexandre Leal





De regresso ao Sumidouro da Toca do Coelho para pegar onde tínhamos (Alexandre, Bruno e Florbela) deixados os trabalhos a semana passada a expectativa era grande, ainda que plenamente consciente do trabalho que tinha pela frente.

O dia ameaçava um estranho calor para o final de Setembro, pelo que levei um reforço de hidratação... que se esgotava a um nível alarmante. Passados não mais de 10 minutos de trabalho já pingava profusamente, e o fato (o que resta dele) estava já todo molhado. O sol estava apostado em derrotar-me... não conseguiu, mas ceifou o seu "dízimo".

Resultado dos esforços da saída anterior o sumidouro, ao início do dia de hoje, apresentava-se assim:



























Mostrava-se imperioso alargar esta zona de entrada por forma a poder retirar gravilha, terra e blocos de maior dimensão do fundo como também começar a atacar a zona "interior", o que implicaria também retirar uma boa parte do tampão de terra e pedra que podemos ver na foto da direita (supra).

Com as dificuldades encontradas na saída anterior seria necessário, de alguma forma, adaptar as técnicas de desobstrução por forma a torná-las mais eficientes. 

Com calma, e sendo menos ambicioso com cada utilização do "mata-vacas", reforçando e privilegiando a utilização do escopro e martelo fazendo bom uso das fracturas entretanto criadas, lá fui lentamente alargando o espaço de trabalho, o que permitiu, com a utilização de uma saca, ir retirando muito material do fundo.

Era um trabalho que exigia alguma ginástica e reposicionamento constante, mas paulatinamente ia conseguindo afundar o "buraco" de entrada, o que me permitiu começar a ter uma visão mais abrangente do que estava à minha frente.

O passo seguinte, como referi acima, passava pela retirada de uma quantidade de terra e pedra que resguardavam a parte posterior da entrada do sumidouro, por forma a conseguir um melhor posicionamento  com a cabeça e assim começar a retirar material desta zona interior, por onde a água parecia, literalmente sumir.

Micro-sumidouro,
mais aberto durante a época das chuvas.
Os trabalhos, realizados mesmo ali ao lado da estrada, iam atraindo alguma curiosidade e entre pedra partida e terra retirada lá ia trocando dois ou três dedos de conversa com o pessoal que por lá ia passando. 

O que aliás me permitiu colher mais informação relevante sobre a área de uma forma geral mas também me permitiu identificar um novo micro-sumidouro bem como perceber que o sumidouro que havíamos identificado na saída anterior era bastante recente, e que aparenta ser de dimensão bastante assinalável.












Há medida que o toque da igreja ia marcando a passagem do tempo ia conseguindo ora alargar ora afundar, expondo cada vez mais o que parecia uma fenda do lado esquerdo (do ponto de vista de que olha para o interior) não sendo perceptível até mais tarde que na verdade este espaço negro tinha não mais do que cerca de 30 cm de profundidade, até se esbarrar com mais uma camada de sedimento que obstruía a passagem.




























... e lentamente continuava a alargar e a retirar material.

A "fenda" rapidamente demonstrou ser o espaço criado entre a parede do poço de entrada e uma laje estreita, que acumulou uma camada de sedimento entre si e a parede oposta (do lado direito), camada essa que se mostrava bastante compacta, e que deu bastante luta, especialmente atendendo à ginástica que era, ainda, preciso fazer para a retirar.

Foi efectuada uma tentativa para partir esta laje a meio, mas o cansaço promovido pelo esforço intenso sob um sol escaldante já não permitia grandes veleidades, e a pedra lá ia resistindo aos meus ataques, para minha grande estupefação atendendo à sua aparente fraqueza... 

























A camada de sedimento que se conseguia ver pela "fenda", pela utilização do pé-de-cabra, mostrava ter alguma profundidade e apresentava-se compacta a cerca de 15/20cm de profundidade, não tendo sido possível furar por ela até um qualquer vazio.

O exame possível desta zona levantava ainda uma segunda possibilidade, de que a continuação não seja necessariamente para baixo mas sim em rampa e para a frente, desaparecendo para a esquerda. Não foi possível testar esta possibilidade mas é, de facto uma hipótese a ser vista numa próxima saída.

Com os sinos a repicarem as 14h00, já com 2,5 litros de água bebidos mas que entretanto se tinham evaporado como que por magia, e com a mão esquerda algo "desgastada", dei os trabalhos por findos










Com a temperatura na casa dos 36º aproveitei para me refrescar um pouco com recurso aos meios disponíveis no local, e aproveitei para fazer uma pequena prospecção numa zona que me parece da maior relevância... ainda que sem grande sucesso. 

A zona esconde bem os seus segredos e exige um trabalho sistemático.


  Roger and out,
Alexandre Leal

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