Algar da Alfarroba
Serra de Santo António
05 de Setembro de 2018
Coordenação - Bruno Pais (AESDA)
Quase dois anos depois da última investida lá voltamos à carga no Algar da Alfarroba.
O objectivo era "simples", continuar os esforços de desobstrução com vista a possibilitar a descida da fenda que encontrámos no final do poço de entrada. Na verdade, é possível que esta fenda seja a continuação deste poço inicial, uma vertical algo atribulada em virtude das várias zonas laminadas e pontes de pedra que dificultam a progressão e chegam mesmo a criar trechos paralelos.
Dos três pontos anteriormente identificados e que apresentavam possibilidade de progressão decidimos por um pequeno ponto que rapidamente alargámos através da retirada de uma grande quantidade de terra que obstruía e nos reduzia a visão mas que parecia estar situado exactamente sobre o ponto mais profundo da fenda.
O espaço para trabalhar ou mesmo para a logística necessária para levar os trabalhos a bom porto é muito reduzido, o que obrigou a algumas posições complicadas de manter durante muito tempo.
Num primeiro momento, enquanto eu estava na linha da frente, o Bruno ficou pendurado na corda por cima de mim assistindo com as ferramentas. Posteriormente, quanto efectuámos a primeira troca e ele foi para a frente, acabei por me colocar num pequeno espaço situado entre o ponto que estávamos a desobstruir e um outro ponto que dava acesso à fenda por baixo de nós.
Era apertado, não permitia esticar as pernas com facilidade (para não dizer simplesmente que não o dava para fazer), mas estava mais perto do Bruno, o que facilitava o trabalho, ainda que tivesse sempre a levar com o pé-de-cabra nas costelas ou a tirar a corda que me prendia e que teimava em ficar presa na GoPro.
Já na frente o Bruno foi conseguindo alargar uma das paredes da fenda por forma a conseguirmos descer. A situação não era fácil, e muito menos cómoda, mas a verdade é que os trabalhos iam avançando.
Uma primeira tentativa mais determinada para descer, a meio dos trabalhos de desobstrução e alargamento, permitiu-me progredir cerca de 2m pela estreita fenda, e tudo parecia muito bem encaminhado até ao momento em que fiquei preso num "bico" mais saliente que se projectava da parede que tinha nas costas. A capacidade para visualizar o que estava ao meu redor era mínima, até porque não conseguia virar a cabeça de um lado para o outro devido ao reduzido espaço que tinha.
Foi respirar fundo, colocar o equipamento para subir quase às "escuras" (a limitação de movimentos não me permitia o melhor ângulo de visão do que tinha que fazer) e fazer uso da força e técnicas de oposição uma vez que não consegui colocar o pedal no pé.
Mas não foi isso que nos desanimou...Cansados mas não derrotados voltámos à carga uma vez mais, quer dizer, o Bruno voltou à carga porque eu precisava de recuperar as forças e foi forçado a assumir um papel de assistência aos esforços desenvolvidos pelo Bruno.
Paulatinamente fomos alargando a fenda e descendo, alargando e descendo. Ainda não foi o suficiente mas estamos em crer que não faltará muito para ultrapassarmos o ponto onde fiquei retido e atingir uma pequena plataforma situada cerca de 1,5m mais abaixo, onde o buraco estreita e exigirá mais um pequeno trabalho de desobstrução mas onde cremos haver um pouco mais de espaço para trabalhar. Não muito mais, apenas o suficiente para se conseguir, à justa, trabalhar e descer até ao fundo.
No fim das longas horas de trabalho e persistência esta era a imagem com que nos deparávamos.
Estamos convictos que na próxima saída a esta cavidade seremos coroados de sucesso nos nossos esforços.
Cansados e doridos estava na altura de subir, desequipar e repor as energias.
Grande abraço,
Alexandre Leal








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