terça-feira, 18 de setembro de 2018

Algar do Cabeço da Pedreira

União de Freguesias de Arrimal e Mendiga, Candeeiros 

11 de Setembro de 2018



Coordenação - Alexandre Leal
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Bruno Pais (NEL(AESDA), Florbela Silva (AESDA)







Num ápice lá passaram dois anos desde a minha última visita ao Algar do Cabeço da Pedreira, acompanhado, à altura, pelo Leal sénior. Dois anos passados mas sem nunca perder de vista o regresso para tentar desvendar mais um mistério... terá este algar continuação por debaixo das pedras encaixadas numa pequena fenda entre a parede da cavidade e um mega bloco caído do teto?

Será sempre um trabalho complexo atendendo às características do local, na sequência directa de uma rampa de grau inclinado coberta por uma grande camada de blocos de dimensão variada.

Desta vez acompanhado pelo Bruno e pela  Florbela, o objectivo principal era fazer uma primeira abordagem a esta tarefa, no sentido de perceber, em concreto, a sua exequibilidade, as suas dificuldades e formas de as minorar ou ultrapassar com objectivo de desobstruir esta fenda e, com sorte, abrir o caminho para o próximo poço.

Confesso que já não me lembrava de como havia equipado os vários fracionamentos, à excepção do fracionamento na cabeceira do último poço, onde tinha esgalhado um ponto flexível com recurso a anel de dyneema. 





O primeiro poço, coberto com uma camada espessa de musgo que lhe empresta uma aura quase mágica, permite-nos passar rapidamente de um calor sufocante para um fresco muito bem vindo.

Rapidamente nos colocámos na zona objecto de intervenção, com alguns indícios físicos pelo caminho que apontavam para a presença de uma outra "equipa" na gruta desde a minha última passagem (pedaços de prata que o Bruno identificou como pertencentes a uma manta térmica).

Pode ser impressão minha mas pareceu-me que quem quer que lá tenha estado depois de mim deve ter retirado alguns blocos, tanto do ponto de entrada da fenda, que parecia mais exposto, como fundo da fenda em si. 

É sempre bom ver que os relatos das minhas actividades chegam à comunidade espeleológica, e têm "follow-up".

Por forma a facilitar os trabalhos a fenda foi alargada no seu ponto mais baixo de acesso.

A abordagem foi retirar umas "lascas" da quina do mega-bloco, por forma não só a facilitar a nossa passagem como facilitar as manobras de remoção de "entulho". 

De seguida foi equipado um ponto de segurança e colocada uma corda com o objectivo de salvaguardar os membros a trabalhar na fenda, precavendo a possibilidade de caída súbita da base, revelando abruptamente um vazio por debaixo dos nossos pés.... é que ainda que desejado preferimos que a descoberta seja feita da forma o mais "branda" possível.





















Lentamente fomos retirando blocos, tanto colocando-os fora da fenda como tentando encaixá-los em nichos no seu interior ou no lado oposto, que vira à esquerda, por trás do mega-bloco. E lentamente fomos afundando, ganhando profundidade... lentamente, muito lentamente, até porque alguns dos blocos tinham uma dimensão que complicavam, e muito, a sua remoção naquelas condições.

E foi, aliás, um destes blocos de maior dimensão que acabou por fazer alguns estragos no meu mindinho esquerdo, ao resvalar quando o tentava passar para cima, trabalho cada vez mais complicado à medida que ía-mos afundando.

Este incidente acabou por determinar o terminus deste trabalho, numa altura em que o Bruno, que estava a descansar na retaguarda, havia trepado o mega-bloco, em oposição no lado oposto ao que estávamos a intervir, e nos relata que havia a possibilidade de progressão na parede acima de nós.

Esta zona "terminal" apresenta umas dimensões muito consideráveis, nomeadamente em termos de altura. O mega bloco, resultado de um abatimento, em conjunto com outros blocos caídos, acabou por criar um tipo de ponte suspensa até uma abertura na parede de fundo. Com grande probabilidade daria acesso a uma chaminé mas teria sempre que ser vista.

Eu estava completamente inibido de participar nesta tarefa, pelo que recaía tudo no Bruno com o mínimo de apoio que eu e a Flor conseguíamos dar cá de baixo.

Foi preparar o material necessário, retirar a corda da fenda,  e ver o que mais era necessário...





... enquanto isto lá de cima veio a exclamação... "vocês estão a ver isto?!?! Isto são garras... apontem lá mais luz para aqui."

Ele já tinha identificado umas pequenas marcas numa das paredes, a cerca de 3m da base da rampa, mas de menor dimensão, e que levantavam algumas dúvidas sobre o animal (possivelmente um texugo).

Bruno a passar dos blocos para a
passagem superior.
Lá em cima as marcas eram maiores, e a sua localização levantava outras possibilidades. Primeiro na parede no fim da "ponte de pedra", posteriormente na parede oposta, afastada dos blocos e a uma altura mais elevada. Seriam marcas de urso? Esta possibilidade levantava várias questões.... mas teria que ficar para mais tarde.

Colocando primeiro uma natural em volta de um dos blocos caídos, e posteriormente um parabolt já do outro lado do pequeno vazio entre os blocos e a passagem, por forma a criar um micro corrimão de segurança. 

Nesta primeira abordagem à passagem superior o Bruno não vislumbrou nenhuma via de progressão possível, embora tivessem ficado alguns pontos, em ângulos mais complicados, por ver. Uma tarefa para uma próxima saída, em conjunto com a continuação dos trabalhos de desobstrução na fenda.









Com o dedo a inchar (e latejar, com a ponta do dedo dormente) e antes que arrefecesse mais, estava na altura de começar a subir, ficando as tarefas de logística e desequipagem a cargo do Bruno e da Flor.






Colocando de parte o pequeno incidente que me deixou o dedo negro (ainda em recuperação ao dia de hoje) foi uma actividade muito bem sucedida, numa cavidade que poderá ter ainda muito para nos dar. 

A regressar muito em breve, após um interregno para atacar um determinado sumidouro antes que comece a chover e complique, de sobremaneira, esses trabalhos. 

PS: Só dava mais jeito se a cavidade estive situada mais perto da "estrada"...

Um grande abraço,
Alexandre Leal



Sem comentários:

Enviar um comentário