Sumidouro S1 (Toca do Coelho)
Chão das Pias, Planalto de Santo António
17 de Outubro de 2018
Coordenação - Alexandre Leal
Equipa - Alexandre Leal, Filipe Santos




Mais uma semana, mais uma saída de insistência no S1, desta vez acompanhado pelo Filipe Santos, que já há vários meses estava ausentes destas andanças (mas tinha reservado uma surpresa para mais tarde).
O plano era avançar até ao ponto onde tinha sido localizada na saída anterior uma lata de coca-cola, cerca de 1,5m mais à frente e um pouco mais abaixo, lata essa que deixara de estar visível. Presumivelmente terá sido levada pela chuva que havia caído nos dias anteriores, que não obstante ter sido diminuta terá sido toda encaminhada para este que se tornou o sumidouro principal da área.
Mas com lata ou sem lata o objectivo estava traçado, pelo que metemos mãos à obra e começamos a partir pedra e tirar substrato para afundar, e permitir ir progredindo lentamente...
A pedra, tanto na parede esquerda como na parede direita (alvo principal da desobstrução), não facilitava em nada os trabalhos, e a determinado ponto nenhuma das técnicas de desobstrução utilizada estava a surtir qualquer tipo de efeito, não obstante as tentativas.
Esse empasse foi ultrapassado com o recurso ao "Diabo", que não obstante necessitar de ser afiado, permitiu retirar uns blocos chave, que fez "ruir o castelo de cartas" e abrir o caminho até pedra com características mais adequadas a uma progressão mais eficiente.
Acabou por ser a única situação onde se mostrou eficaz mas foi uma intervenção decisiva. Com o ponteiro mais afiado tem o potencial para ser uma ferramenta da maior utilidade.
Após este ponto fomos conseguindo alargar a passagem com intervenção na parede da direita (a parede da esquerda continuava bastante renitente em ceder) até ao ponto assinalado a verde na foto supra. Com efeito a pedra abaixo do circulo vermelho, junto à "base" da passagem bem como círculo amarelo, e parte inferior do vermelho, foram removidas posteriormente o ponto verde foi significativamente reduzido. Na verdade, após o último bloco que removemos, apenas uma "ponta solta" ficou a obstruir a visão direta da continuação da fenda.

Como é fácil de imaginar esta descrição esconde a dureza dos trabalhos, em particular de remoção dos blocos de maior dimensão da ponta, que exigia posições muito pouco ortodoxas (ou confortáveis) numa ginástica complicada para criar espaço suficiente para conseguir para puxar/arrastar ao mesmo tempo que tínhamos que recuar... e que resultaram em diversas nódoas negras espalhadas por todo o corpo.
No final dos trabalhos esta era a visão para além da ponta de exploração, com fotografias tiradas com o meu iPhone no limite do meu alcance.
Nesta última foto é possível ver o que pode ser o limite da vertical, ou pelo menos de mais um ressalto que permite ganhar profundidade. Quanto ainda não sabemos, mas não deixa de ser um grande incentivo para manter a chama acesa, não obstante as dificuldades que esta imagem deixa bem claro. A fenda continua apertada, muito apertada... esperemos que com tendência para alargar à medida que consigamos ir ganhando profundidade.
E com isto eram 14h e qualquer coisa.... Enquanto ponderávamos onde íamos comer o Filipe começou a mencionar uma cavidade muito interessante, com uma bonitas formações, no Alto de Alvados, que tinha um ponto muito apertada que para além do qual se conseguia ver uma sala.
Vai não vai, tudo ponderado, lá nos pusemos a caminho... e posso afirmar com segurança que foi uma decisão muito acertada. Não contávamos fazer propriamente uma exploração preliminar da cavidade, até porque nem tínhamos levado qualquer tipo de material, nem mesmo um capacete (com a tão necessária luz) mas acabámos por entrar e ver o ponto que o Filipe havia referido, fazendo uso de uma pequena lanterna que o Filipe tinha com ele (sim, e a luz "ofuscante" do meu iPhone). A entrada do algar acabou por ser feita em oposição, cerca de 3m, e após uma "vistoria" rápida da zona mais perto da entrada fomos para a zona mais funda onde se encontrava essa obstrução e a subsequente sala, e onde a luz do sol já não chegava.
Lado "solarengo" da cavidade
"Dark Side of the Cave"
As formações nesta zona apresentavam uma tonalidade algo diferente, fruto da maior humidade e escuridão. E enquanto fotografava uma "Barbatana de Tubarão" fracturada a meio que saltava do escuro à minha frente acabei por identificar um segundo ponto de interesse, de muito interesse, bem ao meu lado... um poço estreito, meio refundido entre os contornos irregulares da parede à minha direita.
| Poço com cerca de 7 a 8m de profundidade, que parece desembocar numa sala ou espaço mais amplo. |
| Ponto de interesse original. Estreiteza que parece permitir aceder a uma sala situada por debaixo da sala on se encontra o poço na parede oposta, mas que não parece ter qualquer ligação com este. |
Não muito longe deste algar uma estreita entrada para uma outra cavidade, a fazer lembrar o "Calvário", a longa estreiteza na sequência da "Boca do Inferno" no Algar da Cheira.
Com o trabalho de reconhecimento feito, e com a curiosidade muito aguçada, acabei por decidir fazer uma semana de pausa nos trabalhos do S1 e atacar os pontos de interrogação neste algar, em particular o poço, já na próxima saída, com data ainda a confirmar (uma questão de agendas profissionais).
Um grande abraço entusiasmado ,
Alexandre Leal
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