Algar Eureka
Vale Florido, São Bento
08 de Novembro de 2018
Coordenação - Alexandre Leal
Equipa - Alexandre Leal
O tempo apresentava-se cinzento e fresco, e das ameaças e promessas de chuva rapidamente passou à acção. Ora uma chuva miúda ora um aguaceiro mais "pesado". Quanto mais depressa me metesse dentro do buraco melhor. Resta saber se ainda lá cabia. E juro que, sob os olhares atentos da manada residente (Recon Ghost Cows - quando dei por elas já estavam "em cima de mim", com olhos atentos, a ver o que o humano estúpido estava a fazer à chuva), num primeiro momento pensei mesmo que iria ser "algo complicado" passar a estreiteza cerca d 2m abaixo da boca do Algar.
Lá em baixo foi preparar as ferramentas (no apertado espaço) e retomar o ataque à parede da direita. Não faltava muito para poder passar, apesar da parede, pelas suas características, não colaborar mesmo nada. Facto que ficou bem patente nas primeiras tentativas até que, de repente, a situação foi desbloqueada e os trabalhos avançaram em velocidade de cruzeiro.
Equipa - Alexandre Leal
Quase dois anos depois da última saída a este pequeno algar lá voltei para concluir os trabalhos de desobstrução da pequena passagem que iria permitir descer o segundo poço e descobrir se os indícios dados pelas imagens captadas pela GoPro se confirmavam ou não. Sempre me levantaram muitas dúvidas no ponto em que a GoPro, girando demasiado rápida na ponta da corda, captou umas imagens muito desfocadas do que apontava ser apenas um nicho na parede. E com razão...
O tempo apresentava-se cinzento e fresco, e das ameaças e promessas de chuva rapidamente passou à acção. Ora uma chuva miúda ora um aguaceiro mais "pesado". Quanto mais depressa me metesse dentro do buraco melhor. Resta saber se ainda lá cabia. E juro que, sob os olhares atentos da manada residente (Recon Ghost Cows - quando dei por elas já estavam "em cima de mim", com olhos atentos, a ver o que o humano estúpido estava a fazer à chuva), num primeiro momento pensei mesmo que iria ser "algo complicado" passar a estreiteza cerca d 2m abaixo da boca do Algar.
Mas não, não estava (muito) mais gordo... era um pequeno bloco que havia caído e ficado numa situação estrategicamente inconveniente, e cuja remoção não era propriamente fácil. Voltas para aqui, voltas para ali, com a chuva a pingar, e sem maneira segura de o retirar de um ponto de ataque superior (até porque entretanto já tinha enviado o kitbag com as ferramentas para baixo). A solução foi descer-me, mais uma vez, até ao nível do bloco (basicamente até onde conseguia descer), e num acto de contorcionismo retirar o bloco daquela posição para o reposicionar um pouco mais para o lado.
Lá em baixo foi preparar as ferramentas (no apertado espaço) e retomar o ataque à parede da direita. Não faltava muito para poder passar, apesar da parede, pelas suas características, não colaborar mesmo nada. Facto que ficou bem patente nas primeiras tentativas até que, de repente, a situação foi desbloqueada e os trabalhos avançaram em velocidade de cruzeiro.
Para garantir o acesso ao poço em segurança coloquei um parabolt na parede da esquerda (tal como vista na foto supra), onde deixei, aliás, a torna para que tivesse acesso facilitado no outro lado da passagem, por forma a conseguir equipar esta vertical. Atendendo, mais uma vez, às características das paredes, que apresentam uma camada superior em calcite, e não obstante o poço ser relativamente pequeno e estar em modo de exploração, optei por colocar logo 2 parabolts para uma equipagem em Y, até para tentar a corda e evitar roços desnecessários.
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| Pesando as opões para a equipagem. Visão para a minha esquerda. |
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| Visão para a minha direita. |
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| Visão para a passagem desobstruída, por onde passei para chegar a este segundo poço. |
Na base do poço o nicho que desfocadamente aparecia nas imagens captadas pela GoPro em Janeiro de 2017 veio a revelar-se um estreito acesso a um não menos estreito poço, um P4, ainda não descido.
Na base do poço em si, não aparente à primeira vista uma vez que estava parcialmente oculto debaixo de um bloco sobranceiro que se estende de uma das paredes, uma pequena abertura dava acesso a uma outra vertical. Se a abertura não terá mais do que 18cm (se tanto) o poço é bastante mais largo um pouco mais abaixo ainda que não consiga fazer avaliações muito conclusivas porque o ângulo de visão não permite, tal como o som das pedras não é menos enigmático. Se a maioria cai não mais do que uns 3 ou 4 metros a verdade é que umas quantas ouvia rebolar e cair algo mais, talvez mesmo uns 7 ou 8 metros.
Ainda "limpei" a zona das pedras de maior dimensão mas sem ferramentas (que havia deixado na zona de desobstrução) não haveria grandes hipóteses de avançar nesta tarefa, optei por topografar a zona já explorada... tendo sempre presente a dificuldade de saída do algar, sobretudo a proeza de tirar o kitbag de desobstrução pela estreiteza.
Desde logo verifica-se que esta cavidade, a cerca de 3 ou 4m de distância do Algar das Raízes (que com o Algar da Cheira forma uma travessia, a que pomposamente chamo Sistema da Cheira), é, desde já, mais profunda que esta outra cavidade. É preciso um estudo mais dedicado para tentar detectar possíveis pontos de contacto entre estas das cavidades, que eu acredito existirem, ainda que neste nível sem qualquer possibilidade prática de terem qualquer dimensão humanamente relevante.
Em qualquer dos casos estou, e permaneço, convicto da existência de um nível inferior no Sistema da Cheira, e não enjeito a possibilidade de contacto, num nível inferior, entre esse sistema e este algar.
Bem, e depois veio a saída. Para dizer a verdade, sair até foi relativamente fácil... já sacar o Kitbag lá de dentro foram 10 minutos de uma luta intensa e fatigante.
A regressar muito em breve para continuar os trabalhos de exploração.
Abraço,
Alexandre Leal











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