Algar do Muro 3
Paiã, São Bento
03 de Setembro de 2019
Coordenação - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Pedro Bernardes (GEM)
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Pedro Bernardes (GEM)
A semana passada, em regime "solo", os trabalhos de desobstrução da passagem sofreram um avanço significativo. Estava quase... O caminho estava traçado e numa próxima saída a descida era garantida.
Esta semana não havia como falhar. Sob um sol escaldante, com uma temperatura que mais tarde chegou a marcar os 48º no carro que havia sido deixado ao sol enquanto fomos fazer prospeção numa zona de inferno.... hrmmmm, quero dizer, terreno densamente arborizado com espécies particularmente agrestes, preparámos o material, reabrimos a cavidade, e colocámos as mãos ao trabalho.
A confiança era grande, e na verdade os trabalhos foram particularmente rápidos. Conseguimos enfraquecer e retirar uma parte da pedra por baixo do manto calcítico, durante o qual os esforço empregues acabaram por enfraquecer e rachar uma parte significativa do referido manto na zona que impedia o acesso. Tentei quebrar esta grande lasca por forma a ser possível retirar para a superfície em múltiplos blocos de menor dimensão, o que se veio a revelar ser quase impossível atento à sua localização. Foi ainda retirada a parte superior, que representaria cerca de 25% do volume em causa, mas o resto acabou por ser enviado para baixo, uma vez que não se antecipava impossibilidade ou bloquear a passagem e subsequente descida.
E de um momento para o outro a passagem estava aberta.
Depois era preciso apenas reajustar a equipagem, nomeadamente equipando o fracionamento colocada em saída anterior, e implementar um desviador "natural" com a colocação estratégica de um elemento por forma a, fazendo uso do mosquito de tratamento, desviar a corda da parede e permitir o ataque à passagem, em conjunção com a utilização de uma manga de protecção. Uma equipagem "flexível" de exploração, com o objectivo de permitir a descida e verificação da possibilidade de progressão antes da colocação de uma equipagem fixa mais permanente.
Para nossa tristeza (mas não grande surpresa) a cavidade terminaria pouco mais à frente, numa pequena rampa que se desenvolve na base do poço. O chão encontrava-se coberto e consolidado por uma camada de terra argilosa, com algumas pequenas/micro passagens de orientação horizontal sem qualquer tipo de relevância ou possibilidade de progressão.
Depois de subir, e assegurar a posição antes ocupada pelo Pedro enquanto desviador adaptado, coube-lhe a ele descer e fazer uma segunda análise que veio confirmar a primeira ideia. Não haveria muito mais para fazer a não ser subir, guardar o equipamento e fechar a abertura por forma a salvaguardar qualquer incidente com animais.
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| Esboço aproximado do alçado da cavidade. |
Para variar um pouco acabámos por concluir os trabalhos a horas decentes para ir almoçar ao Cantinho. Tendo em conta a temperatura altíssima alterei os planos que pensado para tarde e acabámos por ir fazer prospecção que para além de "alguns" arranhões e sangue não revelou absolutamente nada. Zero.
Eu SEI que eles estão lá, como aliás comprova o Algar que identifiquei e já explorei mesmo ao longo de um dos trilhos, mas a ultra-densa vegetação, que deriva também da presença de uma grande humidade e água no sub-solo, impedia qualquer descoberta que não por mero acaso ou extrema sorte.
Para acabar o dia e re-hidratar regressámos "à base" para uma cola bem geladinha e três dedos de conversa... quer dizer, foram mais trinta e três dedos de conversa animada, com um périplo pela encosta sobranceira onde o Ângelo nos foi indicar a localização aproximada de um algar aí existente, com pormenores deliciosos, como a presença de uma marca de ferradura deixada na pedra pelo cavalo de Dom Afonso Henriques, algar esse que merecerá a nossa atenção nos próximos tempos.
De referir um outro elemento da maior importância para esta (ou qualquer outra) actividade, acabámos por receber a informação enquanto saboreávamos o repasto ao almoço, que o Treinador do Sporting iria abandonar o cargo.... facto que reputo da maior importância, não só para nós Portugueses como arriscaria dizer mesmo, para as nações europeias (os americanos ou brasileiros não que têm os seus problemas para resolver sob a forma de Trump e Bolsonaro, por isso aguentem-se). E tenho dito.
Grande abraço,
Alexandre Leal

















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