Algar Marradinhas I
Serra de Santo António
5 de Março de 2017
Coordenação - Orlando Elias (NEL)
Equipa - Orlando Elias (NEL), Alexandre Leal (NEL), Hugo Costa (NEL), João Paulo (NEL),
Leonel Lavos (NEL), Filipe Cruz (NEL), Emiliana Oliveira (NEL).
Toda a zona apresentava-se coberta por uma densa camada, com uma pequena rampa que terminava na parede "final", aí depositada e que aí foi acumulando. Bem no limiar o que parecia ser um pequeno rebordo na parede (deja-vu de novo), indiciando uma abertura ou continuação.
Ao fundo, junto do rebordo, o barro apresentava-se particularmente "encharcado", parecendo ondular com o choque de uma batida "seca".
Equipa - Orlando Elias (NEL), Alexandre Leal (NEL), Hugo Costa (NEL), João Paulo (NEL),
Leonel Lavos (NEL), Filipe Cruz (NEL), Emiliana Oliveira (NEL).
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| Um pequeno buraco que dá acesso a todo um mundo. Chega aos -110m (por enquanto)... |
De regresso aos "buracos" cá estamos nós para mais uma acção de formação inserida no curso de nível II do NEL, desta vez com uma visita ao Algar Marradinhas I, com o objectivo de chegar aos -78 (a base do algar teria que ficar para outro dia) e dar oportunidade aos formandos de treinar e desenvolver as suas técnicas de progressão em cavidade, tanto no seu aspecto mais técnico como de análise e desenvolvimento das suas aptidões de leitura em contexto de "exploração".
Neste campo, e com a data de exame (Celso não nos esquecemos de ti) a aproximar-se, creio que estão bastante bem encaminhados, mas sobretudo apraz-me salientar não só o grande à vontade mas sobretudo a atenção e interesse demonstrado em todos os momentos, mesmo nos momentos mais relaxados.
Espeleólogos em formação quase prontos para se juntarem aos nossos trabalhos como colegas de pleno direito, aptos e determinados.
Cá vos espero, avisando já que há muito trabalho pela frente, e sim, envolve lama (esta é para ti João Paulo).
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| Leonel Lavos |
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| João Paulo |
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| Hugo Costa |
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| Emiliana Oliveira |
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| Filipe Cruz |
Claro está nós estamos sempre com um olho no burro e outro no cigano (Don´t even start it...), e deixámos passar a oportunidade para dar uma olhadela na zona envolvente ao grande poço, entre os -65 e -78, de acordo com a topografia publicada na obra "Grottes et Algares du Portugal", do Christian Thomas.
E mais uma vez com resultados muito promissores. Dito de outra forma, metemos as mãos (e o resto do corpo também) na lama e identificámos alguns pontos muito interessantes, na maioria dos casos no enfiamento directo de chaminés, e em alguns casos com sinais claros de estarmos perante condutas "forçadas". O "problema" aqui é mesmo presença massiva de argila que acaba por obstruir a passagem.
O primeiro dos casos, identificado pelo Orlando, é um caso paradigmático. Num pequeno nicho lateral (onde eu já ouvi isto?!?!) apontava o Orlando para uma pequena passagem descendente na parede da esquerda, de onde era sentido um pequeno sopro, na base do que parecia ser uma zona por onde a água havia passado com bastante pressão. Na verdade havia um segundo buraco, desta feita em frente, bem no fim da passagem, que estava obstruído por lama.
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| Pequena passagem à esquerda, de onde sopra ar fresco. |
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| Pequeno "buraco" no fim da passagem |
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| Imagem da parte superior da passagem. A faixa negra marca claramente um nível, que estranhamente se vai encontrar numa outra zona perto mas que nos parece estar um pouco mais abaixo. |
Como aliás estava uma pequena chaminé (será a única?) bem por cima da zona terminal da passagem, sobranceira ao pequeno "buraco".
Antes de descer a rampa na zona final deste sector outras pequenas passagens chamaram-me a atenção e todas ao longo da mesma parede (onde é que eu já ouvi isto?!?).
De facto, na sua maioria eram de dimensão reduzida, em pequenos nichos no enfiamento da parede, à excepção de uma passagem através da qual era visível uma continuação em sentido descendente com algum desenvolvimento.
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Atento à sua proximidade com a zona inferior a que se acede pela lateral de uma rampa acentuada, e muito escorregadia, colocava-se a hipótese de lá ir ter (uma vez que não tinha ainda examinado essa zona).
A verdade é que os testes que efectuámos não permitiram encontrar qualquer ligação entre essa zona, -78, e esta passagem. Não foi possível, em momento algum, visualizar a luz emitida para dentro da passagem através de nenhuma das aberturas encontradas no sector mais baixo, o que nos leva a concluir pela hipótese desta passagem permitir o acesso a uma zona paralela. Um ponto de interrogação que se impõe resolver.
Por fim a zona mais baixa deste sector, a -78, para onde tudo parece confluir, sobretudo barro e lama.
Toda a zona apresentava-se coberta por uma densa camada, com uma pequena rampa que terminava na parede "final", aí depositada e que aí foi acumulando. Bem no limiar o que parecia ser um pequeno rebordo na parede (deja-vu de novo), indiciando uma abertura ou continuação.
Estava perante um rolhão de lama, restava saber se ocultava algo de interessante, possivelmente a(s) via(s) por onde toda a água que é canalizada para aquele ponto se escoa. E a verdade é que todos os indícios apontam para essa hipótese.
Ao fundo, junto do rebordo, o barro apresentava-se particularmente "encharcado", parecendo ondular com o choque de uma batida "seca".
Com uma pequena camada retirada as suspeitas confirmavam-se. O rebordo era isso mesmo, um rebordo do que pode ser uma pequena passagem horizontal, mas que com maior, muito maior, probabilidade será uma chaminé, que aliás será uma das responsáveis pelo depósito desta argila.
Na base da "rampa" , explorando um pequeno orifício que a água explorava para "desaparecer", fomos removendo mãos cheias de barro até ao limite que os nossos braços permitiam e a verdade é que este rolhão parece acompanhar a parede em sentido descendente. Não era, de todo, possível discernir a profundidade a que poderia ir, ou se estávamos mesmo perante um possível poço consolidada pelo barro, mas não só a sensação de oco era perceptível como todos os sinais apontavam para isso.
Este é, definitivamente, um ponto que tem que ser explorado.
Mas isso terá que ficar para uma outra saída, com objectivos bem traçados e uma equipa pronta e equipada para lidar com os desafios que nos esperam.
Por hoje estava na altura de fazer o caminho inverso e subir à superfície para nos aquecermos um pouco e recuperar as energias. Quer dizer para alguns de nós recuperarem as energias que outros pareciam estar prontos para mais uma guerra, não é Orlando?!?!
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| "Isto tem que ficar bem tapado" |
Um abraço lamacento,
Alexandre Leal out
















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