Algar da Cheira
Vale Florido, São Bento
18 de Fevereiro de 2017
Coordenação - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Marco Dias (NEL)
Mas como desistir é algo que não nos assiste a resposta foi pegar no "Mauler", no "Small Mike" e na Picareta e insistir, insistir, e insistir um pouco mais. Ganhar um centímetro aqui, dois ali. O Marco parecia possuído, mas a verdade é que a pedra, a muito custo, ia cedendo e a abertura alargando. Marginalmente, é verdade, mas era tudo o que precisávamos.
Posicionando-me no apertado espaço, testando para um lado e para outro, enquanto o Marco perguntava de cima se eu já tinha passado (tinha subido à galeria principal), ainda tive oportunidade para fazer uns pequenos ajustes e retirar uns pequenos blocos e uns pontos salientes que dificultavam a manobra, e posteriormente retirar o capacete para fazer a derradeira tentativa.
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Marco Dias (NEL)
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| Fotografia artística por Marco Dias. |
Não se deixem enganar pelo caracter algo épico da fotografia tirada pelo Marco, porque este foi um labor duro, num local apertado, com uma amplitude de movimentos perto do zero, e o raio de uma pedra que teimava em ser mais dura que o Stalone e o Schwarzenegger juntos.
O objectivo estabelecido para hoje era "simples", alargar o ponto 1 no Poço do Enxofre na zona dos nichos laterais e assim permitir a sua passagem, bem como a avaliação dos trabalhos seguintes, por forma desobstruir os pontos 2 e 3, até se atingir a base do poço.
Até então tínhamos centrado as nossas atenções na parede da esquerda (tal como encaramos o poço), tendo sido extensivamente intervencionada. Muitos blocos foram retirados, partidos, atirados para baixo, bem como uma quantidade enorme de argila e terra. A tal ponto que a eficiência dos nossos esforços tem vindo a decrescer, sendo certo que estávamos conscientes que teríamos que continuar os trabalhos também nessa "vertente".
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| A área assinalada marca o local intervencionado na parede da direita.Foi retirado um ponto mais saliente que impossibilitava a passagem. |
Mas primeiro decidimos testar a parede da direita, atacando um ponto mais saliente, que nos parecia relevante para a passagem da estreiteza, dentro do que nos era possível intervencionar atento aos constrangimentos que nos limitavam a acção.
E foi uma excelente medida. Pode não parecer muito, mas de repente ganhámos ali um pouco mais de margem de manobra, e quase, quase que já dava para passar.
Mas quase não chega, e o Marco tomou o meu lugar na frente e voltou a centrar as atenções de na parede da esquerda e naquela rocha manhosa que teimava em dar o peito às balas para de seguida mostrar que tinha um colete de kevlar. Tentámos e tentámos, e voltámos a tentar até a carga da bateria se esgotar, e mesmo assim voltamos a insistir um pouco mais.... e nada. O raio da pedra não partia nem por nada.
Mas como desistir é algo que não nos assiste a resposta foi pegar no "Mauler", no "Small Mike" e na Picareta e insistir, insistir, e insistir um pouco mais. Ganhar um centímetro aqui, dois ali. O Marco parecia possuído, mas a verdade é que a pedra, a muito custo, ia cedendo e a abertura alargando. Marginalmente, é verdade, mas era tudo o que precisávamos.
Com a ajuda do "Big Mike" ainda conseguimos mandar para baixo um bloco de calcite que dificultava, e muito, a colocação do braço e ombro nas tentativas que se seguiriam.
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| A área assinalada identifica o espaço que se ganhou com a queda do bloco de calcite. |
E essa altura por fim chegara.
Posicionando-me no apertado espaço, testando para um lado e para outro, enquanto o Marco perguntava de cima se eu já tinha passado (tinha subido à galeria principal), ainda tive oportunidade para fazer uns pequenos ajustes e retirar uns pequenos blocos e uns pontos salientes que dificultavam a manobra, e posteriormente retirar o capacete para fazer a derradeira tentativa.
De "Tika" na cabeça e com o Marco já por cima preocupado com o meu capacete, que coitado estava a ser deixado para trás, lá fui descendo lentamente, manobrando de um lado para outro, como uma enguia a nadar contra a corrente, aproveitando todo o pequenos espaço livre que ia surgindo, até que dei por mim "deitado" na rampa criada por todo o material que foi caindo durante os trabalhos de desobstrução. Tinha atingido o ponto 2.
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| Fotografia por Marco Dias. |
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| Fotografia por Marco Dias. |
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| Fotografia por Marco Dias. A meio da progressão. |
E este é o próximo objectivo a conquistar. Era visível a continuação do poço até ao ponto de obstrução seguinte, mas o espaço disponível era exíguo. A passagem deste segundo ponto exigirá a remoção de todo o material, ou pelo menos um volume considerável, sendo certo que o ar fresco que vem do interior continua a ser perfeitamente perceptível, e que, atendendo ao que se sabe do poço, teremos mais uns 4 ou 5 metros para descer até atingir a base.
Para se tornar exequível será preciso, no entanto, alargar o ponto 1 um pouco mais por forma a permitir a passagem do balde que puxará todo o material para cima, para a galeria principal, trabalho que exigirá uma equipa mínima de 3 pessoas embora 4 fosse mais adequado.
Confesso que a passagem em sentido contrário foi menos complicado do que antecipara, apesar de não me ter livrada de algumas marcas no peito e nas costas, mas nada a que não estejamos já habituados. Sobretudo nada que nos faço equacionar algo que não seja progressão e descoberta. Exploração.
Como não havia grandes condições para darmos início ao passo seguinte demos por terminado o dia... quer dizer, dar por terminada a exploração porque ainda houve tempo para uma almoçarada tardia e muita conversa animada.
Um abraço e até breve.
Alexandre Leal







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