domingo, 5 de fevereiro de 2017

Algar Maria Emília

Moita do Açôr, São Bento

04 de Fevereiro de 2017





Coordenação - Marco Dias (NEL)
Equipa - Marco Dias (NEL), Alexandre Leal (NEL), Leonel Lavos (NEL), Hugo Costa (NEL),       
                Celso Crespo (NEL), João Paulo (NEL)






O que tem que ser tem muita força, e parece que o Poço do Enxofre está a recorrer a todas as artimanhas e manigâncias possíveis e imaginárias para não ser vencido.

Desta vez recorreu ao Marco para me desviar da Cheira e enveredar-me pelos caminhos do mal na Moita do Açôr, para mais uma saída de formação no curso NII do NEL. 

Como a actividade estava preparada para acabar por volta das 14h30m ainda tinha esperança de ter tempo para me entregar aos trabalhos na Cheira, e ver se finalmente conseguia alargar a abertura o suficiente para passar aquela ponto 1 no Poço. YEAH RIGHT...

Mas vamos ao que interessa. A actividade de hoje tinha por destino o Algar Maria Emília, uma das primeiras cavidades encontradas e exploradas pelo trio Orlando Elias, Marco Dias e Flávio Lucas, e deixem-me confessar que é um Algar terrivelmente interessante e que importa explorar ao pormenor. O potencial é grande, embora o desafio não seja pequeno.

De referir que a cavidade está ainda em regime de exploração, razão pela qual algumas passagens estão ainda um pouco "nuas", com um grau de exposição que importa mitigar no futuro por forma a tornar a progressão mais rápida e segura.

A equipa de formandos muito relaxada e muito à vontade, passou com distinção todos os desafios que a cavidade apresentava, tanto no que concerne à verticalidade como a passagens mais estreitas como também nos trepes e destrepes que exigiram alguma calma e muita atenção.




















No que à cavidade diz respeito de salientar as grandes dimensões de algumas das salas, galerias ou passagens, com a presença de chaminés altas e amplas, algumas das quais com comunicação até à superfície via pequenas fracturas, como testemunha a caruma encontrada na sua base, para aí trazida e depositada pela água que escorria e pingava.

Era frequente encontrar vários níveis nos espaços mais amplos, abrindo algumas oportunidades de progressão que importa confirmar.

Por outro lado era também por demais evidente as transformações violentas, despoletadas por grandes abatimentos, que operaram e foram uma força motora na evolução da cavidade. Alguns dos espaços foram já bastante mais amplos no passado, de alguma forma atafulhados por grandes blocos que formaram um caos já bastante consolidado. Esses abatimentos acabaram também por obstruir vários pontos que apresentam todas as características de terem sido poços. 

A presença de formações hipogenéticas em grande quantidade em vários pontos da cavidade bem como outros tipos de formações e relevos, indiciam uma presença relevante de água.

À saída o tempo estava particularmente desagradável, com uma ventania infernal. A missão, essa, foi cumprida e augura um futuro sorridente.



Quanto à Cheira... bem, tempo ainda havia para lá dar um salto, as condições físicas é que já não eram as ideais. A constipação estava a complicar ao nível do cansaço muscular e respiração, e para uma tarefa com aquela exigência física não se pode facilitar. A decisão foi mesmo ir aquecer ao sabor de umas moelas e uma conversa animada.

Um abraço,
Alexandre Leal


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