segunda-feira, 20 de junho de 2016

Prospecção

Cabeço a Este da Rua Principal

entre Portela do Vale de Espinho e Serro Ventoso

Serra dos Candeeiros

18 de Junho de 2016


Equipa: Alexandre Leal



O dia nasceu quente, bem mais quente e seco do que antecipava. O programa traçado consistia numa primeira abordagem ao cabeço a Este da zona da Rua Principal, a Este da Cabeça Gorda, que tem vindo a ser o alvo da minha intervenção. Com os músculos das costas e braços presos por arames aproveitei para dar testar as pernas e a condição física em geral e percorrer a cumeada deste cabeço em busca de "buracos", ou, pelo menos, indícios ou pistas. 



Vista para Este.
Não é uma zona fácil mas sobretudo mostrou-se evidente não só o erro na minha abordagem à prospecção em locais com estas características como a dificuldade acrescida que estas encerram na localização de algares. Com efeito centrei o foco das minhas atenções nos afloramentos e penedos rochosos da encosta superior, perto da cumeada, tanto nos de maior dimensão como  os pequenos aglomerados de blocos e pedras. Não foi, manifestamente, um exame exaustivo atento à dimensão da área e ao facto de estar a trabalhar a solo, até porque grandes áreas encontravam-se cobertas por vegetação, que apesar de ser na sua maioria de baixa estatura era, as mais das vezes,  bastante densa. 

E este é de facto o grande problema. Se é verdade que aberturas de grande dimensão são relativamente fáceis de identificar no meio da vegetação com aquelas características, nem que seja pelo vazio que criam num mar verde, pequenas aberturas passam completamente despercebidas por baixo da flora. À excepção de uma pequena lapa que descobri não consegui identificar outros pontos de interesse, por mais pequenos que fossem, junto ou entre blocos ou afloramentos. Ao invés, o único algar que consegui identificar, um misto de atenção ao detalhe e sorte de principiante, apresentava-se escondido no meio da vegetação, a cerca de 1,5m de um pequeno trilho que segui, a espaços, ao longo do cume. Da ponderação deste facto resulta a necessidade de uma maior atenção a estes espaços cobertos por vegetação, em particular na busca de pequenas bocas que possam, facilmente, passar despercebidas a um olhar mas desatento, ou, como no meu caso, focado noutros elementos da paisagem serrana. 

Focando-nos agora no consegui efectivamente encontrar temos em primeiro lugar o único algar identificado. Situado numa cota bastante alta, a cerca dos 585 metros de altitude,  apresentava-se refundido no meio da vegetação. Uma pequena abertura, com cerca de 90 cm na sua dimensão maior, com uma profundidade vertical de 2,70m medida para uma base em rampa. A luz do sol e as sombras por esse efeito criadas, bem como a pequena dimensão da abertura dificultavam a percepção do espaço vazio. A base, como referido, era claramente em rampa, apresentando um volume de terra e matéria orgânica que fora caindo pela abertura. Do que era visível e passível de ser medido pelo DistoX a profundidade máxima verificada mais abaixo na rampa situava-se nos cerca de 3,5m, não se visualizando qualquer parede nesse sentido.

Este pequeno algar será objecto de exploração ainda esta semana.

Cerca de 520m mais à frente, na base, este sim, de um afloramento rochoso, uma reentrância um pouco mais "afundada" e escura, e que apresentava uma vegetação cerrada que denotava uma forma com contornos interessantes chamou-me a atenção. Contornando por uma das laterais facilmente me apercebi que a área mais escura escondia o acesso a uma cavidade na parede rochosa. O caminho não foi fácil (até porque ia de t-shirt) mas com a ajuda de um pequeno bastão que adoptei logo nos primeiros metros de caminhada lá consegui abrir caminho entre vegetação, embora as silvas, algumas de dimensão "titânica", não cedência a passagem sem luta. A cavidade, uma pequena lapa de dimensão não superior a 2,5m2, e que não apresentava sinais visíveis de utilização por qualquer animal para além dos "omnipresentes" troglófilos que habitam a zona de penumbra (pequenos artrópodes e insectos), não apresentava qualquer possibilidade de progressão viável, não obstante ter, duas pequenas passagens, perpendiculares à entrada, com não mais de 1,5m de comprimento.

Entrada já desobstruída de vegetação

Vista mais afastada, e após caminho aberto pela vegetação
Esta foi a segunda, e última, cavidade encontrada, à excepção de um pequeno nicho mais à frente, mas sem qualquer relevância atento à sua muito pequena dimensão. Deste ponto em diante só deu mesmo para apreciar as maravilhosas vistas da serra e puxar pelo "cabedal" de mala às costas. Mas também por isso valeu a pena mais este dia no campo.


Vista para Oeste, sobre a localidade de Vale da Portela.

Panorâmica sobre o Vale da Portela.

Em pausa para o almoço com uma vista deslumbrante.

Para Este, uma monstruosa pedreira vai devorando a serra.

Exemplar juvenil de Hemorrhois (Couber) hippocrepis? 
Foto mais aproximada.

Vista para Oeste, já perto da descida para o Serro Ventoso

Foto retirada ao interior do nicho descoberto na base do um penedo.

Foram 9,7km de caminhada sobre um sol forte, o que aliás motivou um valente escaldão nos braços e pescoço (não estava devidamente protegido por protector solar), com um desnível acumulado de quase 1000m, e que, para além dos dois pontos identificados, contribuiu para que, lentamente, passo a passo, vá compreendendo um pouco melhor esta serra. 

Um abraço,
Alexandre Leal  



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