Exploração Gruta da Pedreira 1
Cabeça Gorda, Serra dos Candeeiros, Alqueidão
15 de Junho de 2016
Equipa - Alexandre Leal, Rodrigo Leal
A Serra amanheceu cinzenta e fria, uma neblina cobria a vegetação ao longe e o vento fazia sentir a sua presença. Não que isso nos desanimasse, afinal de contas dentro da gruta estaria certamente melhor do que cá fora.
O primeiro objectivo era continuar a desobstrução do poço situado no fundo da rampa de entrada. Conseguiu-se, com algum esforço reposicionar os blocos de maior dimensão (o maior dos quais precisa de ser estabilizado) e retirar outros de menor dimensão. O local de maior interesse encontra-se ainda obstruído por um bloco que necessita ser retirado (foi já em certa medida delapidado mas tem ainda uma dimensão que não permite, atento ao espaço de manobra, ser retirado pela força dos braços) através da utilização de fitas. Quando finalmente fôr retirado permitirá atacar o resto do "entulho" que aí se foi depositando e perceber se existe alguma forma de progressão ou se, por outro lado, termina mesmo aí.
Antes de passar para a fase seguinte dos trabalhos houve ainda oportunidade de tirar umas fotos das pequenas e sensíveis formações que encontramos ao longo de toda a cavidade.
E como desobstruir um poço não é suficiente lá fomos nós tentar abrir caminho numa pequena conduta apertada e ver o que dava. Confesso que, atento às características da conduta, tinha bastantes esperanças em vir a revelar, por qualquer forma, uma via de progressão.
Como vimos na saída anterior esta conduta, situada na base de um pequeno poço (P2) a que se acede via passagem desobstruída a partir do poço anterior, apresentam-se completamente limpa e polida pela passagem de água. Os trabalhos de desobstrução começaram nessa saída e hoje pretendia-se alargar a passagem o suficiente para permitir a sua descida e análise da "base".
É preciso ponderar os próximos passos, e a possibilidade de conseguir desobstruir a base, por forma a perceber se por baixo da terra existe rocha sólida ou alguma forma de progredir. O que não se afigura fácil. Existe sempre a possibilidade de deixar a natureza seguir o seu curso e as águas do próximo inverno limparem a conduta. O caminho está aberto.
Antes de saírmos houve ainda tempo para verificar uns pontos controvertidos e tirar umas fotos à zona mais baixa, ao designado "Corredor Cego".
| Vista da base do P2, em sentido contrário ao da conduta. |
Já à superfície, e com o objectivo de fixar um retrato mais compreensivo e sistemático da cavidade, aproveitei para tirar umas fotos ao que seria a entrada original para o então Algar, agora bloqueadas por grandes blocos, por acção directa do homem, aquando da exploração da pedreira. Pelo que consegue perceber tanto do exterior, mas sobretudo do interior, esta abertura era relativamente grande.
No final houve ainda tempo para uma breve análise à entrada para a Gruta da Pedreira 2, identificada e marcada na saída anterior, "descoberta" aquando da exploração do local como pedreira, e como no caso anterior também ela bloqueada por grandes blocos.
Pelo que conseguir perceber, e pelo que era visível entre os blocos que obstruíam a sua entrada, o espaço vazio era pequeno, sem grande progressão, tanto no sentido que se pode ver a foto supra, como no sentido contrário. Não se pode, no entanto, concluir de forma absoluta pela impossibilidade de progressão uma vez que os blocos bloqueiam grande parte da passagem, nomeadamente no seu centro.
E foi assim que concluímos mais uma saída pela Serra dos Candeeiros, com o Diguinho sempre ao mais alto nível.
Um abraço,
Alexandre Leal

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