Algar Alto
Fontainhas, São Bento
03 de Outubro de 2019
Coordenação - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Pedro Bernardes (GEM)
Após muita, MUITA, prospecção, verificação e re-avaliação, levada a cabo em duas saídas anteriores, e com a indicação in loco levada a cabo pelo Ângelo (Cantinho do Francisco) e por quem conhecia com mais afinco o "maldito e perdido" buraco, havia finalmente conseguido identificar o Algar Alto.
Confesso que umas quantas horas antes devo ter passado poucos metros ao lado, se não mesmo por cima de uma das possíveis "bocas" de acesso ao poço, mas as sombras criadas pelas árvores e a morfologia do local conjugado pelos musgos presentes e ramos que dificultavam a "navegação" não me permitiram localizar a cavidade.

É possível que seja o Algar Alto, descrito no Livro "Ensaio da Espeleologia Portuguesa - Portugal Subterrâneo - Colecção Natura (obra que me foi referenciada pelo Nuno Rodrigues, Alto Relevo-Clube de Montanhismo), obra de 1925.
Por estas razões quer a desobstrução quer a equipagem da cabeceira do poço acabou por levar mais tempo do que de outra forma levaria, se bem que a minha condição física um pouco debilitada (a recuperar de uma gripalhada) também não tenha ajudado.
Mas por esta altura já o Pedro dizia que ainda não tinha chegado ao meio do poço, afirmação que me causou espanto, até porque dizia ele não sabia se a corda chegava efectivamente até à base do poço. "COMO ASSIM", exclamei eu, ao mesmo tempo que fazia contas... ora se a corda tinha 60m e o poço 41, mesmo com a corda consumida pela equipagem, não poderia deixar de chegar até à base....
Algo de muito estranho se passava e não era só a minha mente atordoada pelo esforço de tosse por vezes compulsiva motivada pela gripe e o muito pó da terra seca à superfície. "Tens a certeza?!?!" perguntava eu da superfície... "Acho que aquilo está a cerca de meio metro... acho que dá para sair. Vou descer", acabou por gritar da escuridão mais abaixo.
Numa reviravolta épica, entre a confirmação que os Sportinguista têm uma força interior que não está ao alcance de outros (sim, a "força" está connosco e até as varetas de oliveira tornadas em mágicas ferramentas para a descoberta de água - e se ao menos isso "funcionasse para grutas - se vergava à minha "energia" - INCHA PEDRO 😂- sob a orientação do senhor Manuel Alves, AKA o "Calhorda"), acabámos por ser guiador até dois pequenos buracos, o Algar da Oliveira e o Algar do Calhorda, que serão objecto de exploração na próxima saída.
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Pedro Bernardes (GEM)
Confesso que umas quantas horas antes devo ter passado poucos metros ao lado, se não mesmo por cima de uma das possíveis "bocas" de acesso ao poço, mas as sombras criadas pelas árvores e a morfologia do local conjugado pelos musgos presentes e ramos que dificultavam a "navegação" não me permitiram localizar a cavidade.
Atendendo a estas dificuldades não admira que a localização do Algar se tenha mantido, de alguma forma, na obscuridade da história, perdido e achado mas nunca esquecido.

As diferenças que poderia apontar, para além dos 3 ou 4 metros face à medição levada a cabo ontem com recurso ao DistoX, podem ser explicadas pela orientação do corte e "liberdade artística", por um lado, e por outro quase 100 anos que separam as explorações, com possíveis abatimentos pelo meio e certamente pedra enviada desde a superfície, nomeadamente durante os esforços para "fechar" a entrada, e impedir quedas acidentais de gado.
E a verdade é que, ainda assim, foram encontradas ossadas na base do P51.
Mas voltando ao início. Hoje era o dia que finalmente iríamos descer e perceber se lá em baixo, na base do profundo poço, haveria alguma forma de continuação, alguma forma de desenvolvimento.
Mas primeiro era preciso perceber como entrar, ou seja, qual a forma de acesso que mais facilmente permitir o ingresso, de forma viável e segura, ao interior do poço. Foram analisadas duas localizações principais, recaído a escolha sobre a opção que primeiramente foi sopesada, ainda que necessitasse de alguns cuidados e critério na desobstrução e avaliação de risco atendendo aos vários blocos de grande dimensão colocados em posições cimeiras, e mesmo "suspensos" no vazio.
Por estas razões quer a desobstrução quer a equipagem da cabeceira do poço acabou por levar mais tempo do que de outra forma levaria, se bem que a minha condição física um pouco debilitada (a recuperar de uma gripalhada) também não tenha ajudado.
A escolha acabou por recair num primeiro ponto de segurança numa natural colocada numa pequena árvore sobranceira ao bloco escolhido para a equipagem, com dois parabolts colocados no cimo do referido bloco e um terceiro colocado na vertical, no local que, do ângulo que foi examinado, parecia oferecer uma descida sem roço até cerca de metade do poço.
Com estes trabalhos preliminares terminados, que colocaram a nu a minha fadiga muscular, o Pedro tomou a dianteira, meteu-se na corda e iniciou a descida do poço que, de acordo com uma primeira leitura com o DistoX teria 41m.
Uns 10 metros mais abaixo começámos a procurar um ponto para a colocação de um fracionamento que permitisse evitar um possível roço num ponto mais acima quando ficasse suspenso, afastado da parede e também para evitar o roço que iria surgir em virtude de um rebordo na parede do poço. O problema era a qualidade da pedra, ou melhor, a falta de qualidade da pedra disponível àquela profundidade. Muito fraca, coberta por uma manto calcítico que se esfarelava e partia com muita facilidade, o Pedro foi progressivamente descendo em busca de melhores condições, que acabou por encontrar a cerca de -20 na parede oposta do "canto" direito, que exigiu uma certa improvisação para equipar (necessidade de se "fixar" no local para assim poder furar e colocar o parabolt).
Mas por esta altura já o Pedro dizia que ainda não tinha chegado ao meio do poço, afirmação que me causou espanto, até porque dizia ele não sabia se a corda chegava efectivamente até à base do poço. "COMO ASSIM", exclamei eu, ao mesmo tempo que fazia contas... ora se a corda tinha 60m e o poço 41, mesmo com a corda consumida pela equipagem, não poderia deixar de chegar até à base....
Algo de muito estranho se passava e não era só a minha mente atordoada pelo esforço de tosse por vezes compulsiva motivada pela gripe e o muito pó da terra seca à superfície. "Tens a certeza?!?!" perguntava eu da superfície... "Acho que aquilo está a cerca de meio metro... acho que dá para sair. Vou descer", acabou por gritar da escuridão mais abaixo.
Pouco tempo depois a águia tinha aterrado, não na superfície da lua mas na base do grande poço. "Livre" gritou ele da distância quase inaudível.
O som do vento nas árvores, as gralhas e de toda a natureza que me envolvia dificultava a comunicação... Tentava eu gritar lá para baixo "Vê se têm continuação", a minha mente a ponderar a necessidade de descer, ao mesmo tempo que peguei no DiztoX para uma nova medição, agora com mais um ponto de referência, a luz do Pedro, um pequeno ponto de luz na escuridão... e, bem, dos 41m passámos para os 51m. O que um pequeno desvio para a esquerda ou direita pode fazer numa poço com aquelas características. A corda de facto foi mesmo no limite...
E lá de baixo a confirmação do que "temia"... "Sem continuação"!
Estávamos perante um P51 sem mais desenvolvimento.
![]() |
| Reparem que a saída não é o foco maior de luz, antes ao ponto mais pequeno um pouco mais acima e para a direita ...;) |
E depois foi subir, desequipar e proteger a abertura com uns ramos.
Com este "buraco" no meio do nada, e com algum tempo pela frente, batemos a zona "envolvente" em busca de mais alguma surpresa. E andámos, saltámos muros, vasculhámos, e nada. Nem o raio de um buraco que desse para meter uma perna dentro... Era certo que eles lá estavam mas eram tão elusivos quanto os golos para o RDT (sorry, mas é mais forte do que eu 😂).
Se é verdade que não parecem prometer muito não é menos verdade que podemos ser surpreendidos. E depois ainda nos foi referida uma outra lapa nas imediações.. é só uma questão de procurar.
Grande abraço de um furão em recuperação ,
Alexandre Leal










Sem comentários:
Enviar um comentário