sábado, 12 de dezembro de 2020

 

Algar da Moita dos Javalis 1

Mira de Aire, Moinhos Joguinhos

09 de Dezembro de 2020



Coordenação - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Pedro Bernardes






Com todas as limitações que o panorama actual nos tem colocado não tem sido fácil conjugar agendas de uma equipa tão vasta mas onde há vontade arranjam-se soluções e lá voltámos à carga no Javalis 1 para terminar a jornada épica de desobstrução que havíamos começado na saída anterior entrando pela noite dentro...

Desta vez o trabalho estava já muito bem encaminhado, só era preciso voltar a equipar os poços e levar todo o material até à ponta de exploração (equipar o ponto estreito no poço de entrada com dois kitbags extra pesados à cintura não é muito "user friendly"), esse "brutal e amplo espaço", com uma largura para cima de 70cm de largura, com a agravante que não obstante chover mais lá dentro do que fora da cavidade a verdade é que já lá entrámos completamente encharcados... mas lá chegámos, com o Pedro a assumir os trabalhos na frente, comigo na "retaguarda", quer dizer cerca de 1,80 acima, meio preso à corda meio em oposição para ir variando de posição, assegurando o apoio (e tentar não esforçar muito as mãos, ou melhor, as articulações dos dedos, que têm andado um pouco "doridas").

E não é que me esqueci de carregar a bateria da GoPro?!?! Não só resulta numa falha em termos do registo visual dos trabalhos como revelou a sua importância operacional que nos teria permitido ter um primeiro vislumbre para dentro de um poço paralelo... mas isso mais tarde.

Onde ia eu?!?! Ahh, sim, os trabalhos de desobstrução, ou a luta entre o Pedro os os blocos que teimavam em ficar entalados 1,5m abaixo da cabeceira. E quando um jeitinho com o Pé de Cabra ou com os pés não chegava para "desentalar" outros meios mais pesados tinham que ser utilizados. Mas a verdade é que o trabalho complicado já havia sido feito na saída anterior, e a gruta sabia que tinha perdido esta batalha (a batalha mas não a guerra... obviamente). Depois do abertura ter sido alargada o suficiente e termos enviado para baixo 40toneladas (foi o que pareceu, a sério) de pedra que havíamos retirado do ponto em desobstrução (cuja "estabilidade" era tão segura quanto as arbitragens em Portugal), equipámos a vertical com um Y e descemos o segundo troço do terceiro poço, que terá cerca de 10 ou12m mais.

E lá de baixo vinha... "Alexandre, não estou a ver grande saída..." e eu a pensar, onde é que eu já ouvi isto?!?! Pois bem, foi chegar lá a baixo, olhar para o lado e dizer "Pedro, &%#$-#$, está aqui um poço paralelo a seguir a esta pequena janela na parede..." 

Confesso que esta primeira imagem acabou por ser mais impactante do que se veio a mostrar logo em seguida. De facto no outro lado de uma estreita janela estava o que parecia ser um poço paralelo, mas que na verdade neste nível era para nós, do que podíamos ver, mais uma chaminé do que um poço. A base estava sensivelmente ao mesmo nível que a base do poço que tínhamos acabado de descer, mas parecia ser completamente independente, sem ligação a qualquer parte que tivéssemos explorado. 

Por outro lado a área em si não era pequena, e saía para fora do nosso ângulo de visão pelo que ainda havia esperança de podermos encontrar uma via de progressão, uma pequena passagem, um pequeno "buraco" que nos permitisse sonhar com uma continuação após... sim, claro, após mais uma desobstrução.

Mas para lá chegarmos teríamos que... sim, sim, sim, desobstruir e alargar a pequena janela. E era aqui que a GoPro, se tivesse bateria por esta altura, nos poderia ter sido particularmente útil. A nossa cabeça não passava mas havia espaço suficiente para o capacete passar e dar-nos uma imagem mais competa do interior daquele espaço. Terá que ficar para a próxima... até porque já se estava a fazer tarde e ainda havia que arrumar o material e voltar a subir à superfície, até porque a nossa temperatura corporal já estava a baixar em demasia após termos terminado os trabalhos de desobstrução.

De referir que não é de excluir que a base do poço que descemos em si poder encerrar o acesso a um outro poço o problema é que "encerrar" assume aqui um significado muito direto... é que estava coberto não só pela muita pedra que mandámos para baixo como claramente o resultado de abatimentos ocorridos ao longo dos tempos. Por outro lado num das pontas desta pequena sala que constituía a base do poço que havíamos descido uma estreita fenda, parcialmente obstruída por estrados e blocos fragmentados, aparentava ter uma profundidade superior ao espaço que ocupávamos. Diria talvez uns 3 ou4 metros mais fundo.

Pode ser que se consiga chegar a esse ponto via poço paralelo...

PS: e perguntam vocês porque raio só coloquei duas fotos hoje. Bem, não sei se já havia mencionado o pequeno problema de não ter carregado a bateria da GoPro. 

Um abraço,
Alexandre Leal






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