Algar do Cabeço da Pedreira
Serra dos Candeeiros, Alqueidão
17 de Agosto de 2016
Equipa - Alexandre Leal (exploração), José Leal (controlo das operações à superfície/logística)
Com uma semana de "férias" pelo meio hoje voltámos ao terreno para continuar a "exploração" do Algar do Cabeço da Pedreira. O termo exploração é aqui utilizado em sentido amplo, uma vez que, e até ao momento, o troço da cavidade já visto apresenta indesmentíveis sinais de exploração anterior, apesar dos seus resultados serem, para mim, desconhecidos.
Já na base, e após o primeiro vislumbre do terceiro poço, e de uma breve análise das paredes e chão em busca de marcas de spits ou qualquer outro tipo de equipagem, deparei-me com uma corda de pequena dimensão, refundida no meio da minha corda que serpenteara até aqui desde o topo. Mais uma marca da passagem de outro(s) grupo(s) por esta cavidade.
Pouco depois, por entre nevoeiro, qual montada de D. Sebastião, o primeiro vislumbre de um azul forte em forma de carro. Esbatido pelo nevoeiro mas não menos real.
E para repor as energias nada melhor que um almoço na Ti Maria...
Efectivamente, e para todos efeitos, esta é para nós "terra incognita".
O dia apresentava-se bem diferente do verificado na saída anterior. Um óptimo dia para "prospecção". O vento era fraco, e a temperatura rondava os 13º à hora de chegada. O dia estava cinzento, ameaçando uma ligeira precipitação. A visibilidade era ainda razoável, mas à medida que a tarde se aproximava foi, progressiva mas inexoravelmente, ficando cada ver menor, esbarrando com uma parede de neblina intransponível não mais do que 50m à nossa frente.
Em qualquer dos casos o caminho, esse, foi bastante mais fácil e directo de percorrer.
E num ápice estava a equipagem do primeiro poço efectuada e o P16 (embora P17 seja mais correcto, tendo em conta a totalidade do poço, contando com o pequeno ressalto 1,6m abaixo da orla do poço) descido.
Já na base, uma rampa com muita terra solta de tonalidade escura, e que dá acesso imediato a dois poços sucessivos, o primeiro dos quais de pequena dimensão, importava perceber em concreto que tipo de equipagens existiam, qual o seu estado e eventual necessidade de equipar mais algum ponto.
No local identifiquei um perne já inutilizado, um outro de 10 ou 12mm em perfeito estado de conservação, colocado um pouco mais distante do segundo poço, e dois spits que terão sido utilizados para equipar a cabeceira. Estavam ambos relativamente oxidados, e apenas um permitiu a colocação de uma plaqueta. O outro, fosse por acumulação de depósito ou por desgaste da rosca, não permitia a entrada do parafuso logo após duas ou três voltas, pelo que foi necessário colocar um segundo spit no local.
Com a equipagem no lugar, e de forma relativamente cautelosa, desci a pequena vertical mantendo-me atento à corda, que ameaçava roçar num dos blocos, mais saliente, por forma a mitigar ou negar esse risco.
Nesta altura considerava ainda esta pequena vertical como um primeiro troço do segundo poço, que continuava após um pequeno ressalto. Vim a concluir depois, atento à dimensão da sua base e pela forma como a sala se desenvolve e se faz a aproximação à vertical seguinte, um poço muito bem definido, que seria mais correcto individualizar estas duas zonas, considerando um primeiro poço, um P4, e posteriormente um P8 ou P10 (preciso confirmar as medidas).
Já na base, e após o primeiro vislumbre do terceiro poço, e de uma breve análise das paredes e chão em busca de marcas de spits ou qualquer outro tipo de equipagem, deparei-me com uma corda de pequena dimensão, refundida no meio da minha corda que serpenteara até aqui desde o topo. Mais uma marca da passagem de outro(s) grupo(s) por esta cavidade.
Na parede à minha direita um perne mais. No chão, mas do lado esquerdo e já muito próximo da orla do poço, um spit solitário.
A aproximação a este spit, encordado directamente da cabeceira do poço anterior, não me parecia a forma mais correcta de abordar o ataque à vertical. Qualquer deslize, um movimento mal dado, um escorregar, poderia resultar numa queda em pêndulo, num movimento contra a parede lateral direita, direcção de onde vinha a corda de cima.
Por outro lado a própria posição do spit, colocado a uns 20 cm da orla, levantava alguns problemas, uma vez que iria fazer com que a corda ficasse a roçar ao longo de todo o bordo do poço.
O primeiro passo, colocar um spit na parede à esquerda, no enfiamento do spit atrás mencionado, por forma a permitir uma aproximação e uma abordagem mais segura à cabeceira do poço.
E foi nesta altura em que me deparei com um grande problema. A plaqueta que coloquei neste spit de aproximação era a última que trazia comigo, o que determinou o fim precoce da expedição, inviabilizando a descida deste "último" poço. Deu, ainda assim, para testar a estratégia a adoptar...
... até porque na base deste terceiro poço, para a direita de quem o observa desta posição sobranceira, era visível uma fractura de dimensão relevante, que promete tornar possível a progressão na cavidade, desta vez, e aparentemente, na horizontal. O ângulo, no entanto, não permitia ver muito mais do que isso. A abertura estava lá. Agora é descer e confirmar.
Mas sem o equipamento necessário estava na altura de olhar para cima, ver os raios de luz entrar pela boca do algar e iluminar um espesso manto de musgo verde que cobre grande parte do poço inicial, e preparar para subir.
A próxima saída promete. Um poço por descer e uma abertura por explorar. O material em falta, esse já vem a caminho...
À saída o dia mostrava-se mais taciturno, misterioso. O cinzento mais carregado da manhã deu lugar a uma neblina cerrada, que esbatia a paisagem, e escondia o sol. O vento continuava ausente, e nada se mexia, como que em suspenso.
A caminho do carro, num trajecto estranhamente rápido atendendo à navegação por um "mar" branco, sem grandes pontos de referência, e sem grandes esperanças de encontrar um qualquer buraco perdido no meio da vegetação, acabei por me deparar com uma pequena mas muito aguerrida Malpolon m. Deu ainda para tirar uma foto antes que, soprando e bufando, disparasse na minha direcção, acabando por desaparecer por entre as ervas aos meus pés.
Pouco depois, por entre nevoeiro, qual montada de D. Sebastião, o primeiro vislumbre de um azul forte em forma de carro. Esbatido pelo nevoeiro mas não menos real.
E para repor as energias nada melhor que um almoço na Ti Maria...
Um abraço,
Alexandre Leal



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