Algar do Cabeço da Pedreira
Serra dos Candeeiros, Alqueidão
26 de Agosto de 2016
Equipa - Alexandre Leal (exploração), José Leal (controlo das operações à superfície/logística)

A base do poço é dominada por uma fractura vertical na parede sensivelmente oposta à que descemos, e que dá acesso a uma rampa, algo instável, coberta por uma "cascalheira" de blocos de diferente dimensão. O ângulo de descida é acentuado e é necessário algum cuidado no sentido de evitar uma derrocada ou deslizamento desta camada.
O segundo espaço, uma apertada fractura vertical localizada à esquerda da base da rampa, constitui um verdadeiro ponto de interrogação. Atento às dimensões do algar, e em particular do sector do terceiro poço e desta rampa "final", à forma como todo o algar se desenvolve, e à potencial carga hídrica que poderá receber, não coloco de parte, e considero aliás provável, que a "base" visível do espaço para além desta fractura, constituída por amontoado de blocos variados, seja na verdade uma obstrução de um poço que se desenvolve por baixo.
A dimensão da passagem, sem outros meios mais pesados ou um trabalho muito exaustivo de alargamento, não permite, no entanto, o ingresso e muito menos o trabalho de desobstrução e remoção dos blocos que constituem a "base" do pequeno nicho.
Esforço e dedicação, vontade férrea de descobrir onde a próxima curva nos pode levar, o que um novo poço pode revelar.
Missão cumprida.
Mas comecemos pelo princípio, por mais uma actividade no Algar do Cabeço da Pedreira, a terceira.

Os objectivos eram muito claros. Já com o equipamento necessário era pegar onde tínhamos ficado, acabar de equipar a "cabeceira" do terceiro poço, avaliar a melhor forma de evitar o roço na borda do mesmo (utilizar o spit e improvisar ou colocar um spit já na vertical, para um fracionamento suspenso), descer e verificar a fractura que se via do topo.
Primeiro re-equipar tudo até lá chegar, o que se torna cada vez mais natural e fluído com a experiência que se vai adquirindo.
Para atacar o terceiro poço, independentemente da forma como fosse abordar a vertical e a questão do roço, decidi colocar os dois pontos de segurança base na plataforma sobranceira. O primeiro já havia colocado na saída anterior. Restava encontrar a localização "indicada" para o segundo e furar. Estranhamente demorou um pouco mais do que antecipava, uma vez que as zonas que aparentemente se mostravam mais sólidas e resistentes, quando testadas, revelaram-se algo frágeis, fracturando-se em profundidade com alguma facilidade. Acabei por ter que limpar uma camada de calcite superficial, muito mole, e aplicar o spit no calcário por debaixo. Foi aliás este tempo "morto" que me levou a desligar a GoPro, facto de que só me lembrei quando atingi a base do poço...
Com a cabeceira equipada era altura de ponderar a utilização do spit que uma equipa anterior havia colocado na berma do poço, o que iria originar um roço na corda, em particular no nó (Mental Note: Comprar uns Coudees, que minimiza esta situação, embora neste caso não evitaria na totalidade) ou passar para a vertical e um pouco abaixo da berma colocar um spit.
A solução adoptada acabou por surgir de forma natural. Logo à partida coloquei uma plaqueta neste spit para o testar em si e um possível layout. Já na vertical apercebi-me que, embora fosse possível a colocação de um spit para um fracionamento, a verdade é que a aplicação de uma fita de dyneema, com a sua maior resistência à abrasão provocada pelo roço na rocha (e o seu menor volume também resultava numa menor pressão entre o mosquetão e a rocha) resolveria a questão. Facto facilmente confirmado por um teste rápido.
Assim, a equipagem neste ponto ficou resolvida com a aplicação de uma plaqueta, um mosquetão, uma fita de dyneema "dobrada" em 4, com um mosquetão na ponta para colocar a corda. Fácil, rápido e eficaz.
A base do poço é dominada por uma fractura vertical na parede sensivelmente oposta à que descemos, e que dá acesso a uma rampa, algo instável, coberta por uma "cascalheira" de blocos de diferente dimensão. O ângulo de descida é acentuado e é necessário algum cuidado no sentido de evitar uma derrocada ou deslizamento desta camada.
Esta é a zona "terminal" da cavidade. Ao fundo da rampa temos dois espaços bem definidos. O primeiro, no sentido de desenvolvimento da rampa é acessível através de um pequeno trepe em oposição de cerca de 1,5m, terminando, no entanto, cerca de 3m mais à frente.
Neste pequeno espaço encontramos o que poderá ser uma pista fundamental para deslindar um dos pontos controvertidos na descrição da profundidade que o algar alegadamente teria na visão dos habitantes de Alqueidão que me indicaram a cavidade.

Segundo eles era possível por vezes, durante o inverno, ouvir o som das pedras, que enviavam para dentro do poço de entrada (tentando julgar a sua profundidade), a bater em água. Estava um pouco céptico, confesso, mas a verdade é que a descoberta de um pequeno crânio nesta zona em particular, e partindo do princípio que não fora lá colocado por qualquer equipa anterior, não poderá ser facilmente explicado se não considerarmos a possibilidade desta zona ficar inundada. Esta parece-me, aliás, a única explicação plausível para a posição daquele crânio, numa zona mais elevada em relação à base da rampa, tendo aí sido depositado quando o nível da água baixou.
Neste pequeno espaço encontramos o que poderá ser uma pista fundamental para deslindar um dos pontos controvertidos na descrição da profundidade que o algar alegadamente teria na visão dos habitantes de Alqueidão que me indicaram a cavidade.

Segundo eles era possível por vezes, durante o inverno, ouvir o som das pedras, que enviavam para dentro do poço de entrada (tentando julgar a sua profundidade), a bater em água. Estava um pouco céptico, confesso, mas a verdade é que a descoberta de um pequeno crânio nesta zona em particular, e partindo do princípio que não fora lá colocado por qualquer equipa anterior, não poderá ser facilmente explicado se não considerarmos a possibilidade desta zona ficar inundada. Esta parece-me, aliás, a única explicação plausível para a posição daquele crânio, numa zona mais elevada em relação à base da rampa, tendo aí sido depositado quando o nível da água baixou.
O segundo espaço, uma apertada fractura vertical localizada à esquerda da base da rampa, constitui um verdadeiro ponto de interrogação. Atento às dimensões do algar, e em particular do sector do terceiro poço e desta rampa "final", à forma como todo o algar se desenvolve, e à potencial carga hídrica que poderá receber, não coloco de parte, e considero aliás provável, que a "base" visível do espaço para além desta fractura, constituída por amontoado de blocos variados, seja na verdade uma obstrução de um poço que se desenvolve por baixo.A dimensão da passagem, sem outros meios mais pesados ou um trabalho muito exaustivo de alargamento, não permite, no entanto, o ingresso e muito menos o trabalho de desobstrução e remoção dos blocos que constituem a "base" do pequeno nicho.
Foi visto uma outra reentrância a meio da rampa, sem nada a apontar, apesar de também se mostrar obstruída por blocos que aí se depositaram, bem como uma pequena fenda na base do terceiro poço, entre a rampa e a parede de descida, também aqui sem hipótese de progressão.
Teremos que voltar para o levantamento dos dados topográficos, mas com base nos cálculos feitos apontaria desde já para uma profundidade na casa dos 35m ou 36m.
Com os trabalhos concluídos, e porque tinha como objectivo a documentação em video do X2, Algar da Rampa Falsa, estava na altura de inverter o sentido e ascender à superfície, desequipando a cavidade pelo caminho.
À saída o sol mostrava-se quente, "batendo" com renovado ardor, pelo que o caminho de volta ao carro não foi fácil. Aí chegados tempo apenas para arrumar o kit bag com o equipamento mais pesado bem como a maioria do material de equipagem "espalhado" pelo arnês.
Para o X2, denominado de "Algar da Rampa Falsa", precisaria apenas de uma corda de 20m, 3 plaquetas e duas cintas, com os respectivos mosquetões, e um roçador. Para não perder tempo tirar arnês e fato, pegar no carro e dar a volta até ao outro cabeço, daqui segui directamente, e a pé, até ao Algar, mais cerca de quilómetro e meio (o Leal levou o carro até perto da encruzilhada dos quatro caminhos).
Avistar a entrada da cavidade foi uma benção. A escuridão prometia derrotar o calor e rapidamente me coloquei na corda e lá fui rampa abaixo. A equipagem da vertical exigiu a limpeza de um dos spits, que estava colmatado com terra seca (devo ter coloca a bota cheia de terra por cima da zona do spit ao subir a rampa na saída anterior. O espaço é apertado e não se consegue sequer olhar para trás).
Depois foi descer, revisitar a sala principal, em particular às belas formações encontradas na ponta oposta, bem como a segunda área, que na prática seria um poço paralelo ao descido, com uma profundidade 2 metros superior.
A saída da vertical para a mini-rampa e posteriormente para a rampa de entrada foi um pouco mais custosa devido ao esforço acumulado. O espaço é confinado e o ângulo de saída não é o mais fácil, mas o trabalho estava concluído. Restava subir a rampa, desequipar e regressar ao carro... e o calor não dava tréguas.
Enfim, para a semana há mais, faça sol ou faça chuva.
Teremos que voltar para o levantamento dos dados topográficos, mas com base nos cálculos feitos apontaria desde já para uma profundidade na casa dos 35m ou 36m.
Com os trabalhos concluídos, e porque tinha como objectivo a documentação em video do X2, Algar da Rampa Falsa, estava na altura de inverter o sentido e ascender à superfície, desequipando a cavidade pelo caminho.
À saída o sol mostrava-se quente, "batendo" com renovado ardor, pelo que o caminho de volta ao carro não foi fácil. Aí chegados tempo apenas para arrumar o kit bag com o equipamento mais pesado bem como a maioria do material de equipagem "espalhado" pelo arnês.
Para o X2, denominado de "Algar da Rampa Falsa", precisaria apenas de uma corda de 20m, 3 plaquetas e duas cintas, com os respectivos mosquetões, e um roçador. Para não perder tempo tirar arnês e fato, pegar no carro e dar a volta até ao outro cabeço, daqui segui directamente, e a pé, até ao Algar, mais cerca de quilómetro e meio (o Leal levou o carro até perto da encruzilhada dos quatro caminhos).
| X2 - Antes do alargamento e desobstrução. |
| X2 - Depois dos trabalhos de desobstrução. |
Avistar a entrada da cavidade foi uma benção. A escuridão prometia derrotar o calor e rapidamente me coloquei na corda e lá fui rampa abaixo. A equipagem da vertical exigiu a limpeza de um dos spits, que estava colmatado com terra seca (devo ter coloca a bota cheia de terra por cima da zona do spit ao subir a rampa na saída anterior. O espaço é apertado e não se consegue sequer olhar para trás).
Depois foi descer, revisitar a sala principal, em particular às belas formações encontradas na ponta oposta, bem como a segunda área, que na prática seria um poço paralelo ao descido, com uma profundidade 2 metros superior.
A saída da vertical para a mini-rampa e posteriormente para a rampa de entrada foi um pouco mais custosa devido ao esforço acumulado. O espaço é confinado e o ângulo de saída não é o mais fácil, mas o trabalho estava concluído. Restava subir a rampa, desequipar e regressar ao carro... e o calor não dava tréguas.
Enfim, para a semana há mais, faça sol ou faça chuva.
Um abraço,
Alexandre Leal



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