Algar da Rampa Falsa (X2) e Gruta da Pedreira I
Cabeça Gorda, Serra dos Candeeiros, Alqueidão
19 de Maio de 2017
Coordenação - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - Alexandre Leal (NEL)
Volvido praticamente um ano desde o início dos trabalhos de prospecção e exploração de cavidades na zona da Cabeça Gorda, na Serra dos Candeeiros, junto a Alqueidão, remetida para segundo plano com o desenvolvimento dos esforços de exploração no Algar da Cheira, o regresso para o começo do levantamento topográfico há muito que se impunha, e esta sexta-feira, finalmente, viu-me rumar a este sector, decidido topografar duas das cavidades identificadas, o Algar da Rampa Falsa e a Gruta da Pedreira.
Seria a primeira vez que testaria o DistoX com o PDA que um tio meu desencantou "lá da gaveta das tralhas". Pequenino, um pouco lento com o avolumar de dados, mas deu para descascar e não comprometeu...
O dia estava espectacular para os trabalhos na Serra. Quente mas com um aragem agradável, e nada melhor do que estacionar e ser "invadido" pelo aroma intenso da vegetação assim que abrimos a porta do carro. A melhor forma de começar o dia.
Pouco tempo depois, ainda estava eu a retirar o material da bagageira, fui abordado por um outro amante da natureza que desfrutava de uma caminhada solitária por aquelas bucólicas paisagens. Palavra puxa palavra "perdemos" ali uns bons 30m ou 45m de conversa entusiasmada sobre caminhadas, paisagens, desafios e, claro está, cavidades.
| Abertura do Algar à data da sua descoberta. |
Depois, bem, depois foi pegar no equipamento e atacar o Algar da Rampa Falsa. A equipagem da cabeceira do P6, em Y, feita na base da rampa de entrada/início da contra-rampa, está feita um pouco ao estilo de exploração, com um dos spits colocado, deveria dizer desenrascado, numa zona de calcite, mas as possibilidades são muito poucas e o trabalho dificultado pela exiguidade do espaço. Para reforçar a segurança deste ponto específico colocada também um fita numa pequena coluna situada um pouco acima da plaqueta.
Estas duas fotografias, tiradas numa saída anterior, permite perceber a dimensão dos trabalhos de desobstrução da entrada e rampa inicial, que se centrou essencialmente na retirada de muita terra e alguns blocos de pequena e média dimensão.
Como topografar a solo levanta alguns constrangimentos fui marcando as estações desde a entrada para posteriormente começar a topografar de baixo para cima. É um trabalho um pouco mais ingrato, e o grau de incerteza na condução da actividade maior, mas com os ajustes devidos foi-se fazendo, e creio que o resultado final é francamente positivo, atendendo, claro está, ao grau de inexperiência nesta arte.
Os trabalhos acabaram por volta das 14h30. Depois de desequipada a cavidade e arrumado o material era necessário agora fazer a caminhada até à Gruta da Pedreira... O peso não ajudava, mas lá subi a encosta para descer no sentido contrário, sobranceiro ao pequeno vale que rasga a paisagem. Do outro lado o Algar do Cabeço da Pedreira, outra cavidade que necessita de ser topografada, mas por hoje os trabalhos já estavam bem definidos, e o horário ia apertado, bem apertado. Não havia muito tempo para devaneios, e apenas uns minutinhos preciosos para uma sandes de ovo e (muito pouco) chouriço que havia comprado na Venda das Raparigas horas antes.
Em termos de desenvolvimento esta cavidade apresenta outro tipo de desafios, particularmente num trabalho a solo, mas fórmula aplicada na cavidade anterior foi também aqui colocada em prática, começando a topografar de baixo para cima, com estações marcadas à medida que ia descendo na gruta.
Apesar de ser uma cavidade de pequena dimensão apresenta, na sua zona terminal (num dos ramais), densas zonas de formações hipogenéticas de grande beleza, bem como estalactites e bandeiras de formas muito interessantes.
Atendendo a constrangimentos de horário não foi possível terminar o levantamento, tendo ficado um ramal por topografar, que me merecerá, também, uma segunda abordagem em termos de exploração, um pouco mais "musculada", no sentido de testar uma pequena passagem nesta ponta da cavidade.
Por ora aqui vos deixo o sketch feito do perfil da cavidade, com muitas pontas por limar, e por concluir no ramal que segue desde a entrada, em sentido oposto ao já topografado.
E porque a hora já apertava estava na altura de arrumar o material, fazer o caminho inverso até ao carro e rumar a casa onde já era esperado...
Os planos para uma próxima saída passam pela conclusão dos trabalhos de topografia na Gruta da Pedreira I, e possivelmente a descida e exploração preliminar do Algar da Cabeça Gorda, com um poço de entrada, tal como medido pelo DistoX, acima dos 42m.
Um abraço espeleológico,
Alexandre Leal









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