Algar da Sombra das Pombas
Cabeça das Pombas, São Bento
03 de Maio de 2017
Coordenação - Alexandre Leal (NEL)
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Hugo Costa (NEL)
Para um dos lados, basicamente a continuação da passagem/sala de entrada, a rampa terminava 5 metros mais à frente numa parede maciça, não obstante uma muito pequena fractura junto à base, no seu lado esquerdo (de onde não vinha absolutamente nenhuma corrente de ar, comprovado pela total imobilidade de uma teia de aranha que aí se encontrava), e da presença de uma pequena abertura/janela? cerca de 7m mais acima (que não se conseguiu examinar).
De referir a existência de um pequeno poço estreito, de acesso algo complicado com o equipamento vestido, logo à direita da corda, contornado o grande bloco que aí se encontra. Pela sua estrutura coube ao Hugo aventurar-se pela estreiteza e avaliar a profundidade da vertical, que se veio a revelar não superior a 2m e pouco. A esforço lá entrou, e sobretudo saiu, sem ter identificado qualquer forma de progressão por esta via.
Em sentido oposto a rampa apresentava-se mais curta, embora um pouco mais acentuada, e bastante mais estreita, terminando no acesso a um espaço mais largo, cuja sua "base" consistia num caos de blocos de grandes dimensões cerca de 1,50m ou 1,80m mais abaixo. Os blocos, esses, apresentavam-se bastante "fundidos" e calcificados, e com bastantes espaços e passagens entre eles, sobretudo em sentido vertical. Outro elemento interessante, e ao contrário do que se verificava no sector de entrada, as paredes estavam cobertas por formações hipogenéticas, em vários locais até uma altura muito considerável.
O passo seguinte era destrepar dois poços de pequena dimensão originados pelos espaços criados entre os vários blocos caídos. Eu por um lado, num destrepe de cerca de 3 metros e o João por um destrepe em dois passos, conseguimos acesso a uma zona de pequenos nichos comunicantes por debaixo de uma primeira camada de grandes blocos.
Mesmo pesando a falta de corrente de ar vinda desta pequena abertura (por vezes parecia mesmo que o fraco sopro existente vindo de "outras paragens" era por aqui sugado), a decisão tomada foi de testar o local e fazer uma desobstrução preliminar para posteriormente ponderar o caminho a seguir.
Conseguimos alargar o suficiente para o Hugo conseguir ganhar um primeiro vislumbre para a área seguinte, ainda que com um ângulo muito reduzido, e posteriormente obter as primeiras imagens dessa área, com referência para o que parece uma passagem obliqua, para a direita, que dará acesso a um poço (diria que com cerca de 10m, apesar desta avaliação ter apenas como elemento de referência o "teste da pedra").
Equipa - Alexandre Leal (NEL), Hugo Costa (NEL)
Porque nem só de formação vive um espeleólogo, e os buracos chamavam, gritavam, por mim, lá rumei eu em direcção à serra, desta vez algures perto da Cabeça das Pombas, São Bento, para fazer o reconhecimento de mais um algar identificado e referenciado pelo duo dinâmico, Samuel da Costa e Filipe Santos.
Comigo, e pela primeira vez deste o fim do curso NII do NEL, Hugo Costa, um tipo bailhão (teve ser Sérgio) e muito afoito, mas com agilidade, perícia e técnica, que fazem dele um nome a fixar.
Devo dizer que a chegada foi mais complicada do que esperava pois a cobertura de rede no local era "um pouco" deficitária, mas lá dei com o local e bastante mais cedo do que estava marcado... felizmente o Hugo não se fez rogado e pouco tempo depois fazia a sua aparição, e em menos de nada lá estávamos nós a caminho do buraco, que não tardou a ser identificado.
Sem sinais visíveis de equipagem fixa foi feita uma aproximação à cabeceira com recurso a duas naturais (em ambos os casos com anéis aplicados em dois blocos de grande dimensão), e procedeu-se à equipagem de dois spits que permitiam a descida do poço de entrada, em Y, ainda que com a aplicação de uma manga de roço.
Em menos de nada (bem, na verdade o ângulo de trabalho não era o melhor e foi necessário um pouco mais de trabalho de "escultura" do que o esperado mas o trabalho ficou feito) estávamos a descer o que me parece ser algo na casa dos 15m, num poço com diâmetro algo razoável, e uma abertura "dupla", produto de blocos encravadas na posição e que criaram assim uma ponte que divide a abertura do algar.
Rapidamente nos apercebemos que o algar se desenvolve ao longo de uma grande fractura que controla o seu desenvolvimento. O ponto de chegada, por baixo da abertura, apresenta-se como o ponto mais alto desta "sala" de entrada, fruto de blocos e matéria orgânica que foi caindo ao longo dos tempos, formando rampas de desnível acentuado, e algo instáveis, para ambos os lados. Presente também o tristemente comum lixo que os locais teimam em jogar para o fundo dos seus buracos, uma situação que temos que combater com um maior contacto e acções de sensibilização e educação ambiental e de protecção deste nosso património.
A passagem em si apresenta-se bastante alta, e neste sector, de paredes limpas e austeras.
Foram encontradas várias salamandras (Salamandra s. gallaica), inclusive dois exemplares bastante jovens, o que exigiu bastante atenção no que diz respeito à progressão na zona do poço de entrada.
Para um dos lados, basicamente a continuação da passagem/sala de entrada, a rampa terminava 5 metros mais à frente numa parede maciça, não obstante uma muito pequena fractura junto à base, no seu lado esquerdo (de onde não vinha absolutamente nenhuma corrente de ar, comprovado pela total imobilidade de uma teia de aranha que aí se encontrava), e da presença de uma pequena abertura/janela? cerca de 7m mais acima (que não se conseguiu examinar).
De referir a existência de um pequeno poço estreito, de acesso algo complicado com o equipamento vestido, logo à direita da corda, contornado o grande bloco que aí se encontra. Pela sua estrutura coube ao Hugo aventurar-se pela estreiteza e avaliar a profundidade da vertical, que se veio a revelar não superior a 2m e pouco. A esforço lá entrou, e sobretudo saiu, sem ter identificado qualquer forma de progressão por esta via.
Em sentido oposto a rampa apresentava-se mais curta, embora um pouco mais acentuada, e bastante mais estreita, terminando no acesso a um espaço mais largo, cuja sua "base" consistia num caos de blocos de grandes dimensões cerca de 1,50m ou 1,80m mais abaixo. Os blocos, esses, apresentavam-se bastante "fundidos" e calcificados, e com bastantes espaços e passagens entre eles, sobretudo em sentido vertical. Outro elemento interessante, e ao contrário do que se verificava no sector de entrada, as paredes estavam cobertas por formações hipogenéticas, em vários locais até uma altura muito considerável.
A primeira abordagem foi avaliar o terminus deste espaço, que se desenvolvia no sentido da fractura estrutural, e que culminava numa grande chaminé para cima, e numa pequena passagem vertical, visível entre blocos caídos, que não foi possível esclarecer se oferecia efectiva forma de progressão ou não. Seria necessário uma desobstrução, decisão que seria tomada após avaliação de todo o espaço envolvente. De notar no entanto que era por vezes perceptível um ténue sopro fresco, algo difuso, mas que parecia vir da pequena passagem vertical.
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| Este belo manto calcítico de cor prístina apresenta-se como a única excepção ao domínios das formações hipogenéticas neste sector |
Como anteriormente referido, a presença de formações hipogenéticas neste sector é massiva. Um contraponto quase exuberante face à "austeridade" da zona de entrada, não obstante serem espaços contíguos e comunicantes.
De referir também a presença de inúmeras ossadas, mesmo nas zonas mais distantes da cavidade, de animais de pequeno e médio porte.
O passo seguinte era destrepar dois poços de pequena dimensão originados pelos espaços criados entre os vários blocos caídos. Eu por um lado, num destrepe de cerca de 3 metros e o João por um destrepe em dois passos, conseguimos acesso a uma zona de pequenos nichos comunicantes por debaixo de uma primeira camada de grandes blocos.
A sensação da presença de um pequeno sopro mantinha-se, ainda que, também aqui, algo irregular, vindo aparentemente de duas direções, de um nicho onde o Hugo se encontrava (vide fotografia à esquerda), e de uma outra pequena fenda que vinha sensivelmente da direção do pequeno "buraco" vertical que havíamos encontrada por debaixo da grande chaminé ao fundo da cavidade.
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| É visível a fractura vertical na parede do fundo... |
E bem ali ao meu lado, na parede do fundo de um pequeno nicho parcialmente colmatada por argila, uma "micro" abertura de aspecto triangular na base de uma fractura vertical em sentido perpendicular à fractura principal, chamou-me a atenção. Ao contrário dos outros nichos que se encontravam situados no meio do caos de blocos, esta abertura aparentava estar para além da parede que delimitava a sala acima. O único "senão", de lá não se fazia sentir qualquer sopro ou corrente de ar...
Mesmo pesando a falta de corrente de ar vinda desta pequena abertura (por vezes parecia mesmo que o fraco sopro existente vindo de "outras paragens" era por aqui sugado), a decisão tomada foi de testar o local e fazer uma desobstrução preliminar para posteriormente ponderar o caminho a seguir.
Enquanto o Hugo voltava à superfície para "orientar" os kitbags, principalmente o kitbag de desobstrução, que havíamos deixado para trás, eu ataquei o nicho de forma improvisada com a mesma força que o Balboa de Stallone atacou o Russo dopado... recorrendo a uma "lâmina" de calcário com formato e funcionalidade razoável lá fui retirando argila e pequeno cascalho e blocos que ia encontrando pelo meio.
O objectivo era rebaixar o pequeno espaço por forma a ter um pouco mais de amplitude de movimentos no ataque directo ao pequeno buraco com recurso a meios um pouco mais pesados. E a lama lá ia "voando" para trás, e a base lá ia ficando cada vez mais baixa. E com a chegada do "Big Mike" tudo ficou muito mais fácil. O pé de cabra é, de facto, uma ferramenta imprescindível em acções de desobstrução.
Foi retirada uma quantidade muito razoável de sedimento argilosos, rocha e o que parecia ser um tipo de areia grossa (a muito grossa) de cor castanho escuro, à primeira vista muito semelhante à encontrada na Galaria SPE66 na Gruta da Contenda.
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| A maior das "lascas"... |
O passo seguinte era alargar a pequena passagem que entretanto tinha já duplicado, com a maior dimensão exposta pela remoção do sedimento. Foi um trabalho duro e de muita paciência, mas pouco a pouco o buraco lá foi aumentando.
Algumas "lascas" deram algum trabalho para retirar, atendendo à sua dimensão, mas com o "Big Mike" e com o "Mauler" lá conseguimos partir aqui e ali, o suficiente para permitir retirar os blocos entalados e arrumar mais atrás.
Conseguimos alargar o suficiente para o Hugo conseguir ganhar um primeiro vislumbre para a área seguinte, ainda que com um ângulo muito reduzido, e posteriormente obter as primeiras imagens dessa área, com referência para o que parece uma passagem obliqua, para a direita, que dará acesso a um poço (diria que com cerca de 10m, apesar desta avaliação ter apenas como elemento de referência o "teste da pedra").
Não foi ainda possível passar para o outro lado mas tal objectivo não está longe, e com um pouco mais de esforço iremos confirmar a existência do poço e a sua profundidade.
Pelas imagens captadas fica, também, a sensação da existência de uma outra passagem em sentido contrário, ou seja, para a esquerda da abertura, que poderá ser o elemento de ligação com a passagem vertical encontrada no nível superior no final do sector, e que aliás poderá explicar a circulação de ar tal como ela se fazia sentir.
Com a bateria a zero e impossibilidade de utilização eficiente do martelo e escopro/pé de cabra os trabalhos foram interrompidos e lá regressámos à superfície com a certeza que voltaremos em breve para continuar os trabalhos.
Um grande abraço,
Alexandre Leal
















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