segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Gruta do Além 2 e Algar do Alicate

Vale do Além e Pia Carneira, São Bento

20 de Janeiro de 2019





Coordenação - Alexandre Leal
Equipa - Alexandre Leal, Alexandra Leal (apoio à superfície)








Após vários falsos arranques, motivados sobretudo pela gripe severa que me afligiu,  ontem lá marchei para a serra para a primeira saída do ano.

Os objectivos estabelecidos eram a exploração e levantamento topográfico de duas cavidades anteriormente sinalizadas, em ambos os casos por indicações de populares da zona. Confesso que já antecipava um trabalho pouco demorado, ainda que num dos casos deva dizer que a cavidade se situa numa zona pouco ou nada explorada, e que implicará algumas actividades de prospecção nos próximos tempos.

E de facto, em ambos os casos, as cavidades revelaram um desenvolvimento com cerca de 8m, no primeiro caso com 3m de profundidade e no segundo com 4m.

Após uma breve paragem no Cantinho do Francisco lá fomos para o Além, e não, não foi para uma qualquer "séanse" preparada pela Alexandra Solnado, antes para finalmente "atacar" uma cavidade descoberta numa velha, desactivada e também ilegal, pedreira de pequena dimensão. 

A verdade é que sem a identificação directa por parte de um conhecido que vive na zona a identificação da cavidade seria praticamente impossível atendendo o enquadramento no local, com uma vegetação muito cerrada, ainda que na verdade se encontre bastante perto de um trilho bem demarcado, e uma entrada relativamente manhosa de encontrar.

As informações que tinham eram escassas e com base em memórias já antigas, mas indicavam, como referi supra, uma cavidade de pequenas dimensões. Com efeito, logo após a entrada uma passagem algo apertada descia em rampa até uma pequena sala que se apresentava como o espaço terminal. Foram identificados 3 pontos de fractura/aberturas para vertical, mas que se vieram a resultar sem qualquer tipo de progressão possível, pelo que se passou de imediato para o levantamento topográfico, efectuando o mínimo ruído possível de modo a não perturbar o Myotis sp.? que se encontrava a meio da rampa, trabalho que se concluiu de forma expedita.




  



  


































A pouca "história" da cavidade permitiu, pasme-se, ir almoçar a horas decentes, normais vá, ao Cantinho, facto que não deixou de espantar o Ângelo, que agradeceu o facto à "minha esposa"... pfffft!!! Fiquei entretanto a saber que a minha alcunha por lá é de Alexandre Furão. :) 

Da parte da tarde estava definido em primeiro lugar a desobstrução e exploração do Algar do Alicate, e se houvesse ainda tempo fazer o levantamento topográfico do Algar da Cobra, também ele na zona de exploração da Pia Carneira, o que acabou por ficar para outra saída, não obstante o Alicate se ter revelado também uma cavidade de muito pequena dimensão.

Neste caso, e ao contrário da primeira cavidade, houve necessidade de desobstruir a entrada, o que basicamente exigiu remover um bloco que havia sido colocado no meio da abertura, devidamente entalado, e que teria sido tarefa ultra-fácil não fosse o meu fiel martelo ter perdido a cabeça.... literalmente. Ao terceiro impacto ZÁS, lá foi ele parar ao fundo do "buraco", rebolando pela terra fofa e solta abaixo.

Obviamente tive que utilizar meios um pouco mais robustos, e em menos de nada estava a equipar a "grande" vertical e descer para o desconhecido... a abismo era tão impenetrável que me limitei a utilizar apenas o Turbo Chest para subir fazendo uso da minha tremenda, e quase sobre-humana, força de braços.

O primeiro facto a relevar nesta exploração foi que demorei mais tempo a encontrar a cabeça do meu martelo do que a analisar a cavidade, que terminava no fundo de uma rampa de terra solta, sem qualquer tipo de ponto de interrogação, por mais mínimo que fosse.

Basicamente foi descer, ver e começar a topografar rampa acima, e depois mais cerca de 15minutos para conseguir tapar o buraco de forma segura e evitar acidentes com animais de pequeno porte.














































E por esta altura já um vento cortante se fazia sentir de forma particularmente impiedosa. Assim que saímos da linha das árvores a sensação térmica baixava quase drasticamente, e nos meus planos não estava uma recaída, e a minha parceira de aventura também já apresentava um certo desgaste do grande esforço desenvolvido durante todas as operações pelo que demos por terminados os trabalhos e voltámos à base.

O Algar da Cobra, bem como os outros que restam topografar na Pia Carneira terão que ficar para outro dia.

Abraço deste "Furão",
Alexandre Leal


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